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Capítulo 22

Quando me levantei, a primeira coisa que fiz foi tomar um duche. Assim que regressei da casa-de-banho, vi que tinha uma mensagem no telemóvel. Era de Nath. Respondi-lhe, mas acho que apenas o deixei mais ansioso.


Tomei o pequeno-almoço rapidamente, lavei os dentes e comecei a caminhar em passo acelerado até à escola. Quando cheguei, muitos dos alunos pareciam estar em pânico. Caminhavam de um lado para o outro, procurando apontamentos em falta e tentando captar o máximo de informações possível no tempo que restava. A um canto, pude ver alguns alunos a escreverem nos braços ou pernas, enquanto que outros se dedicavam a escrever em lenços de papel, para mais tarde usarem na prova. No entanto, não tinha tempo para observar a divertida azáfama que se desenvolvia à frente dos meus olhos. Estranhamente, não havia ninguém perto das salas, apenas alguns professores que pareciam tão agitados como os alunos, preparando as provas para todos os alunos e trocando impressões sobre a dificuldade das mesmas. 
Nath estava no sítio prometido, encostado à parede. Quando cheguei ao pé dele, ele deu-me um beijo de bons dias.
-E agora, já me vais contar o que se passou? - perguntou, inquieto.
-Bem, agora que penso nisso, nem sei se te quero contar... - corei.
-Oh, vá lá...Não pode ser assim tão mau...
Aproximei-me do ouvido dele e contei-lhe todo o sonho pormenorizadamente, não deixando escapar nem o mais pequeno detalhe. Quando acabei, ele tinha uma expressão indecifrável na cara, algo a que eu costumo chamar poker face. Depois colocou um ligeiro sorriso na cara. E depois tocou, e não tive tempo de dizer nada. Tinha ficado na mesma sala que Ambre, e antes do teste ela começou a ser querida comigo, sorrindo bastante e perguntando se precisava de alguma coisa. As suas intenções eram óbvias.
-Ambre, não te vou deixar copiar, por isso podes ir ser boazinha para outro lado, está bem? - disse, sem desviar o olhar do professor que explicava as regras.
Quando a prova começou, vi olhares de todo o tipo em cada aluno presente na sala. Dos vinte alunos presentes, apenas três mostravam olhares confiantes. Os outros mantinham expressões de medo ou então de "bolas, devia ter estudado mais".
Uma hora e meia depois, as provas foram recolhidas, e alguns dos alunos começaram logo a falar sobre as respostas que tinham dado, até que alguém lhes diz que erraram e começam aos berros.
Quando saí, deparei-me com Nath à entrada da sala de aula. Já não tínhamos aulas no resto do dia e estávamos livres para sair da escola. Ele pegou-me na mão e guiou-me até à entrada da escola, onde poderíamos conversar mais calmamente.
-Onde vamos? - perguntei.
-Dar um passeio. - respondeu, olhando para mim.
Não disse mais nada no resto da caminhada, até que chegámos à praia. Sim, estava um tempo de praia ótimo, mas não tinha trazido fato-de-banho, nem nada parecido.
Ele guiou-me até à beira mar e ambos tirámos os sapatos para que não se molhassem. Com a mão livre, Nath segurou a minha mão e começámos a caminhar.
-Ainda bem que me contaste o sonho. - comentou ele.
-Achas? - perguntei. - Ainda pensei que te passasses ou assim.
-Nunca faria isso. Foste sincera, é isso que importa aqui. Esse teu sonho fez-me ver as coisas por uma nova perspetiva. Sabes, eu pensava que te amava o máximo que o meu coração permitia, mas hoje vi que ainda te podia amar mais. Cada dia, com o teu sorriso e a tua personalidade, conquistas-me um pouco mais. Estar sem ti é uma espécie de sacrifício, pior ainda do que que comer doces. - sorriu.
Eu ri-me. Tudo o que ele dissera era lindo, e verdadeiro. Ao lado dele sentia-me completa, e feliz. Já tinha sido feliz sem ele, mas ele apareceu e deu uma nova cor à minha vida. E ali, ao pôr do sol, tudo se tornava ainda mais perfeito. As nossas caras aproximaram-se, e eu fechei a distância entre nós com um beijo apaixonado.
A minha vida era perfeita. Tinha amigos, um namorado ideal, tudo o que era preciso para poder acordar com um sorriso todos os dias.

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Capítulo 21

Corri violentamente para a casa de banho e fechei a porta com um estrondo atrás de mim. Depois de ter vomitado violentamente pela terceira vez numa semana, comecei a pensar no que podia estar errado comigo. E foi aí que me apercebi. Uma lágrima começou a descer a minha face e limpei-a com a mão. Não podia ser verdade. Eu tinha tomado todos os cuidados possíveis com o Nath. Claro que essas ditas "proteções" têm tendência a falhar, mas isso acontece a 1% das pessoas. E por que havia eu de ser esse 1% ? Precisava de testar a minha teoria antes de começar a odiar-me. No dia seguinte, quando fui para a escola, tentei encontrar Violette, que estava no clube de jardinagem. Ela acenou-me ligeiramente.
-Olá, Violette.
-Olá, Nikki...
-Queria pedir-te uma coisa.
-O que é? - perguntou ela, com um ligeiro sorriso nos lábios.
-Eu...Eu preciso de ter a certeza de uma coisa e eu pensei que me conseguisses arranjar um...teste de gravidez, já que a tua mãe trabalha numa farmácia...
O olhar de Violette, que estava focado no chão, passou a focar-se no meu falso sorriso nervoso. Ela estava tão assustada como eu, mas concordou em trazer-mo.
No dia seguinte ela deu-mo e assim que cheguei a casa fechei-me na casa de banho. Missy já estava em casa com Lysandre, mas menti-lhes, dizendo que ia estudar.
Fiz o teste e o resultado apareceu alguns minutos depois. Positivo. Sentei-me no chão frio de azulejos, com a cabeça sobre os joelhos, e chorei violentamente, enquanto dava murros à parede, como se ela tivesse culpa. Missy deve ter ouvido, pois apareceu na casa de banho segundos depois, com Lysandre. Ambos pareciam muito preocupados.
-Nikki, o que se passa? - perguntou Missy enquanto me abanava os ombros.
-Está tudo errado! - gritei.
-O Nath acabou contigo? - perguntou Lysandre.
-Quando ele descobrir, talvez o faça. - respondi, fungando.
-Descobrir o quê? - interrogou Missy.
-Que eu estou grávida!
Segurei o teste na mão para o provar. Um profundo silêncio percorreu o local. Tanto Missy como Lysandre estavam em estado de choque. Missy abraçou-me, obviamente preocupada com a minha situação. Lysandre ainda estava encostado à ombreira da porta, sem pronunciar uma palavra. 
Ainda não sabia como ia contar a Nath, mas tinha que lhe contar. No entanto, Ambre nunca poderia saber, senão contaria aos seus pais e algo terrível ia acontecer. Disse isso a Missy, que ligou imediatamente a Nath, pedindo-lhe que viesse urgentemente ter connosco.
Cinco minutos depois ele apareceu, muito preocupado, mesmo sem saber o que se passava. Levei-o até ao meu quarto silenciosamente e fechei a porta. Sentámo-nos os dois no meu sofá e ele olhou para mim.
-Por favor, fala comigo, esse silêncio está a matar-me! - pediu ele, ansioso.
-Não é nada bonito, Nath. Eu não quero contar-te porque vais acabar comigo.
-Tenho a certeza que podemos resolver as coisas...Por favor, conta-me o que aconteceu.
-Eu não sei quando aconteceu, mas a verdade é que aconteceu mesmo. Nath, eu..eu estou...
-Estás o quê? - perguntou nervosamente.
-Estou grávida... - respondi, numa voz fraca e assustada.
Os olhos dele arregalaram e a sua boca abriu-se lentamente. Não contive as lágrimas novamente, mas desta vez ele estava lá para me reconfortar. Ele envolveu os seus braços à minha volta e balançou-me gentilmente.
-D-d-desculpa, Nath...
-Não tens que pedir desculpa...Acho que desta vez somos ambos culpados, mas eu quero que saibas que te amo não interessa o que acontecer, e vou sempre amar.
-Eu também te amo, N-Nath... - funguei.
Ele beijou-me na testa e ficámos os dois deitados, sem dizer uma palavra.




Na escola, os rumores começaram a chegar-me aos ouvidos. Aparentemente, alguém tinha visto Violette a dar-me o teste e contou a todos os alunos. Quase toda a gente, especialmente os da equipa de futebol americano e de hóquei, insistiam em chamar-me "inchada" e "papá" a Nath. Apenas alguns alunos, tais como Melody, Violette, Kim e Rosalya me apoiavam. Ambre, tal como toda a escola, já tinha descoberto, mas todas as horas de MTV fizeram-na sentir-se preocupada por mim, e ela fez tudo para me ajudar, incluindo não contar aos seus pais.
Nath passava todo o tempo que podia comigo, mas a uma altura lembrei-me dos meus pais. Como iria contar-lhes?
Decidi ir visitá-los para lhes contar pessoalmente. Missy viria comigo, enquanto que Ambre e Nath iriam contar aos seus pais.
Quando chegámos, Missy agarrou a minha mão solidamente, para me dar coragem. Da minha família, apenas os meus pais estavam em casa. Foi Caterina que abriu a porta e nos cumprimentou. Depois guiou-nos até à sala de estar, onde a minha mãe estava a ler um livro e o meu pai um jornal. Ambos se levantaram assim que nos viram, pois não esperavam visitas.
-Tenho que vos contar uma coisa. Por favor, sentem-se.
Eles começaram a ficar preocupados, mas acederam ao meu pedido.
-Aconteceu algo inesperado. Não sei como, pois pensava estar a ser cuidadosa com o que fazia...De qualquer maneira, algo correu mal, falhou, e agora eu estou...
-Grávida... - completou a minha mãe, embasbacada. - Querida, consegue ver-se.
Olhei para a minha barriga e constatei que um pequeno alto começava a aparecer, acompanhando a minha respiração.
Se não fosse a minha mãe, o meu pai nem teria reparado. A expressão dele não mostrava qualquer fúria, mas sim carinho e afeto.
-Tenho a certeza que vai ser uma criança muito bonita, dado os pais que tem. - afirmou, sorrindo, limpando uma lágrima do olho, tentando esconder o seu verdadeiro estado de espírito.
-Papá, não chores. - disse, sentando-me ao lado dele e dando-lhe um beijo na testa. - Vai tudo correr bem.
Missy, que tinha assistido a uma cena digna de telenovela, abraçou-me.
Quando estávamos a sair, a minha mãe avisou-me de que alugariam uma casa perto da nossa umas semanas antes da altura certa, para nos ajudar.
Assim que descemos do avião, Ambre e Nathaniel já estavam à nossa espera.
-Como correu? - perguntei.
-Muito melhor do que esperávamos. - respondeu Ambre.
-O nosso pai compreendeu muito bem a situação. Ele diz que nos compreende perfeitamente, pois a nossa tia passou por algo semelhante. Diria que a nossa mãe foi a parte mais complicada. - afirmou Nath.
-Sim, tivemos que a acalmar mas quando se apercebeu da realidade, ficou com cara de avozinha. - contou Ambre.
-Como correu convosco? - questionou Nath.
-Muito bem, o meu pai até fez algumas piadas. - disse, sorrindo.
Passaram semanas, e a minha barriga aumentava demasiado rápido para o que era de esperar. Quando fui a uma consulta com Nath, descobri porquê. Não era apenas um bebé, eram dois, um rapaz e uma rapariga. Gémeos. Isso explicava muita coisa, mas também me deixava mais inquieta sobre o assunto.
Passámos semanas a tentar escolher nomes, e apareceram do nada enquanto estávamos a ver televisão: Evelyn e Cristopher. Soavam ambos muito bem, e ambos concordámos em que eram nomes muito bonitos.







********************




Acordei encharcada em suor. Como era possível ter sonhado com uma coisa destas? Estava tão assustada que não consegui dormir, mas de qualquer maneira já eram sete da manhã. Não sabia que raio de sonha era aquele, mas das duas uma: ou foi do nervosismo por causa da prova, ou do 16 & Pregnant que vi na noite passada.

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