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Capítulo 22

Quando me levantei, a primeira coisa que fiz foi tomar um duche. Assim que regressei da casa-de-banho, vi que tinha uma mensagem no telemóvel. Era de Nath. Respondi-lhe, mas acho que apenas o deixei mais ansioso.


Tomei o pequeno-almoço rapidamente, lavei os dentes e comecei a caminhar em passo acelerado até à escola. Quando cheguei, muitos dos alunos pareciam estar em pânico. Caminhavam de um lado para o outro, procurando apontamentos em falta e tentando captar o máximo de informações possível no tempo que restava. A um canto, pude ver alguns alunos a escreverem nos braços ou pernas, enquanto que outros se dedicavam a escrever em lenços de papel, para mais tarde usarem na prova. No entanto, não tinha tempo para observar a divertida azáfama que se desenvolvia à frente dos meus olhos. Estranhamente, não havia ninguém perto das salas, apenas alguns professores que pareciam tão agitados como os alunos, preparando as provas para todos os alunos e trocando impressões sobre a dificuldade das mesmas. 
Nath estava no sítio prometido, encostado à parede. Quando cheguei ao pé dele, ele deu-me um beijo de bons dias.
-E agora, já me vais contar o que se passou? - perguntou, inquieto.
-Bem, agora que penso nisso, nem sei se te quero contar... - corei.
-Oh, vá lá...Não pode ser assim tão mau...
Aproximei-me do ouvido dele e contei-lhe todo o sonho pormenorizadamente, não deixando escapar nem o mais pequeno detalhe. Quando acabei, ele tinha uma expressão indecifrável na cara, algo a que eu costumo chamar poker face. Depois colocou um ligeiro sorriso na cara. E depois tocou, e não tive tempo de dizer nada. Tinha ficado na mesma sala que Ambre, e antes do teste ela começou a ser querida comigo, sorrindo bastante e perguntando se precisava de alguma coisa. As suas intenções eram óbvias.
-Ambre, não te vou deixar copiar, por isso podes ir ser boazinha para outro lado, está bem? - disse, sem desviar o olhar do professor que explicava as regras.
Quando a prova começou, vi olhares de todo o tipo em cada aluno presente na sala. Dos vinte alunos presentes, apenas três mostravam olhares confiantes. Os outros mantinham expressões de medo ou então de "bolas, devia ter estudado mais".
Uma hora e meia depois, as provas foram recolhidas, e alguns dos alunos começaram logo a falar sobre as respostas que tinham dado, até que alguém lhes diz que erraram e começam aos berros.
Quando saí, deparei-me com Nath à entrada da sala de aula. Já não tínhamos aulas no resto do dia e estávamos livres para sair da escola. Ele pegou-me na mão e guiou-me até à entrada da escola, onde poderíamos conversar mais calmamente.
-Onde vamos? - perguntei.
-Dar um passeio. - respondeu, olhando para mim.
Não disse mais nada no resto da caminhada, até que chegámos à praia. Sim, estava um tempo de praia ótimo, mas não tinha trazido fato-de-banho, nem nada parecido.
Ele guiou-me até à beira mar e ambos tirámos os sapatos para que não se molhassem. Com a mão livre, Nath segurou a minha mão e começámos a caminhar.
-Ainda bem que me contaste o sonho. - comentou ele.
-Achas? - perguntei. - Ainda pensei que te passasses ou assim.
-Nunca faria isso. Foste sincera, é isso que importa aqui. Esse teu sonho fez-me ver as coisas por uma nova perspetiva. Sabes, eu pensava que te amava o máximo que o meu coração permitia, mas hoje vi que ainda te podia amar mais. Cada dia, com o teu sorriso e a tua personalidade, conquistas-me um pouco mais. Estar sem ti é uma espécie de sacrifício, pior ainda do que que comer doces. - sorriu.
Eu ri-me. Tudo o que ele dissera era lindo, e verdadeiro. Ao lado dele sentia-me completa, e feliz. Já tinha sido feliz sem ele, mas ele apareceu e deu uma nova cor à minha vida. E ali, ao pôr do sol, tudo se tornava ainda mais perfeito. As nossas caras aproximaram-se, e eu fechei a distância entre nós com um beijo apaixonado.
A minha vida era perfeita. Tinha amigos, um namorado ideal, tudo o que era preciso para poder acordar com um sorriso todos os dias.

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Capítulo 21

Corri violentamente para a casa de banho e fechei a porta com um estrondo atrás de mim. Depois de ter vomitado violentamente pela terceira vez numa semana, comecei a pensar no que podia estar errado comigo. E foi aí que me apercebi. Uma lágrima começou a descer a minha face e limpei-a com a mão. Não podia ser verdade. Eu tinha tomado todos os cuidados possíveis com o Nath. Claro que essas ditas "proteções" têm tendência a falhar, mas isso acontece a 1% das pessoas. E por que havia eu de ser esse 1% ? Precisava de testar a minha teoria antes de começar a odiar-me. No dia seguinte, quando fui para a escola, tentei encontrar Violette, que estava no clube de jardinagem. Ela acenou-me ligeiramente.
-Olá, Violette.
-Olá, Nikki...
-Queria pedir-te uma coisa.
-O que é? - perguntou ela, com um ligeiro sorriso nos lábios.
-Eu...Eu preciso de ter a certeza de uma coisa e eu pensei que me conseguisses arranjar um...teste de gravidez, já que a tua mãe trabalha numa farmácia...
O olhar de Violette, que estava focado no chão, passou a focar-se no meu falso sorriso nervoso. Ela estava tão assustada como eu, mas concordou em trazer-mo.
No dia seguinte ela deu-mo e assim que cheguei a casa fechei-me na casa de banho. Missy já estava em casa com Lysandre, mas menti-lhes, dizendo que ia estudar.
Fiz o teste e o resultado apareceu alguns minutos depois. Positivo. Sentei-me no chão frio de azulejos, com a cabeça sobre os joelhos, e chorei violentamente, enquanto dava murros à parede, como se ela tivesse culpa. Missy deve ter ouvido, pois apareceu na casa de banho segundos depois, com Lysandre. Ambos pareciam muito preocupados.
-Nikki, o que se passa? - perguntou Missy enquanto me abanava os ombros.
-Está tudo errado! - gritei.
-O Nath acabou contigo? - perguntou Lysandre.
-Quando ele descobrir, talvez o faça. - respondi, fungando.
-Descobrir o quê? - interrogou Missy.
-Que eu estou grávida!
Segurei o teste na mão para o provar. Um profundo silêncio percorreu o local. Tanto Missy como Lysandre estavam em estado de choque. Missy abraçou-me, obviamente preocupada com a minha situação. Lysandre ainda estava encostado à ombreira da porta, sem pronunciar uma palavra. 
Ainda não sabia como ia contar a Nath, mas tinha que lhe contar. No entanto, Ambre nunca poderia saber, senão contaria aos seus pais e algo terrível ia acontecer. Disse isso a Missy, que ligou imediatamente a Nath, pedindo-lhe que viesse urgentemente ter connosco.
Cinco minutos depois ele apareceu, muito preocupado, mesmo sem saber o que se passava. Levei-o até ao meu quarto silenciosamente e fechei a porta. Sentámo-nos os dois no meu sofá e ele olhou para mim.
-Por favor, fala comigo, esse silêncio está a matar-me! - pediu ele, ansioso.
-Não é nada bonito, Nath. Eu não quero contar-te porque vais acabar comigo.
-Tenho a certeza que podemos resolver as coisas...Por favor, conta-me o que aconteceu.
-Eu não sei quando aconteceu, mas a verdade é que aconteceu mesmo. Nath, eu..eu estou...
-Estás o quê? - perguntou nervosamente.
-Estou grávida... - respondi, numa voz fraca e assustada.
Os olhos dele arregalaram e a sua boca abriu-se lentamente. Não contive as lágrimas novamente, mas desta vez ele estava lá para me reconfortar. Ele envolveu os seus braços à minha volta e balançou-me gentilmente.
-D-d-desculpa, Nath...
-Não tens que pedir desculpa...Acho que desta vez somos ambos culpados, mas eu quero que saibas que te amo não interessa o que acontecer, e vou sempre amar.
-Eu também te amo, N-Nath... - funguei.
Ele beijou-me na testa e ficámos os dois deitados, sem dizer uma palavra.




Na escola, os rumores começaram a chegar-me aos ouvidos. Aparentemente, alguém tinha visto Violette a dar-me o teste e contou a todos os alunos. Quase toda a gente, especialmente os da equipa de futebol americano e de hóquei, insistiam em chamar-me "inchada" e "papá" a Nath. Apenas alguns alunos, tais como Melody, Violette, Kim e Rosalya me apoiavam. Ambre, tal como toda a escola, já tinha descoberto, mas todas as horas de MTV fizeram-na sentir-se preocupada por mim, e ela fez tudo para me ajudar, incluindo não contar aos seus pais.
Nath passava todo o tempo que podia comigo, mas a uma altura lembrei-me dos meus pais. Como iria contar-lhes?
Decidi ir visitá-los para lhes contar pessoalmente. Missy viria comigo, enquanto que Ambre e Nath iriam contar aos seus pais.
Quando chegámos, Missy agarrou a minha mão solidamente, para me dar coragem. Da minha família, apenas os meus pais estavam em casa. Foi Caterina que abriu a porta e nos cumprimentou. Depois guiou-nos até à sala de estar, onde a minha mãe estava a ler um livro e o meu pai um jornal. Ambos se levantaram assim que nos viram, pois não esperavam visitas.
-Tenho que vos contar uma coisa. Por favor, sentem-se.
Eles começaram a ficar preocupados, mas acederam ao meu pedido.
-Aconteceu algo inesperado. Não sei como, pois pensava estar a ser cuidadosa com o que fazia...De qualquer maneira, algo correu mal, falhou, e agora eu estou...
-Grávida... - completou a minha mãe, embasbacada. - Querida, consegue ver-se.
Olhei para a minha barriga e constatei que um pequeno alto começava a aparecer, acompanhando a minha respiração.
Se não fosse a minha mãe, o meu pai nem teria reparado. A expressão dele não mostrava qualquer fúria, mas sim carinho e afeto.
-Tenho a certeza que vai ser uma criança muito bonita, dado os pais que tem. - afirmou, sorrindo, limpando uma lágrima do olho, tentando esconder o seu verdadeiro estado de espírito.
-Papá, não chores. - disse, sentando-me ao lado dele e dando-lhe um beijo na testa. - Vai tudo correr bem.
Missy, que tinha assistido a uma cena digna de telenovela, abraçou-me.
Quando estávamos a sair, a minha mãe avisou-me de que alugariam uma casa perto da nossa umas semanas antes da altura certa, para nos ajudar.
Assim que descemos do avião, Ambre e Nathaniel já estavam à nossa espera.
-Como correu? - perguntei.
-Muito melhor do que esperávamos. - respondeu Ambre.
-O nosso pai compreendeu muito bem a situação. Ele diz que nos compreende perfeitamente, pois a nossa tia passou por algo semelhante. Diria que a nossa mãe foi a parte mais complicada. - afirmou Nath.
-Sim, tivemos que a acalmar mas quando se apercebeu da realidade, ficou com cara de avozinha. - contou Ambre.
-Como correu convosco? - questionou Nath.
-Muito bem, o meu pai até fez algumas piadas. - disse, sorrindo.
Passaram semanas, e a minha barriga aumentava demasiado rápido para o que era de esperar. Quando fui a uma consulta com Nath, descobri porquê. Não era apenas um bebé, eram dois, um rapaz e uma rapariga. Gémeos. Isso explicava muita coisa, mas também me deixava mais inquieta sobre o assunto.
Passámos semanas a tentar escolher nomes, e apareceram do nada enquanto estávamos a ver televisão: Evelyn e Cristopher. Soavam ambos muito bem, e ambos concordámos em que eram nomes muito bonitos.







********************




Acordei encharcada em suor. Como era possível ter sonhado com uma coisa destas? Estava tão assustada que não consegui dormir, mas de qualquer maneira já eram sete da manhã. Não sabia que raio de sonha era aquele, mas das duas uma: ou foi do nervosismo por causa da prova, ou do 16 & Pregnant que vi na noite passada.

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Capítulo 20

Nas últimas semanas de aulas, toda a escola era uma azáfama. Os alunos corriam de um lado para o outro, à procura de apontamentos que não tinham tirado quando tiveram oportunidade. Eu sentia-me orgulhosa por ter tido sempre os cadernos bem organizados, por isso não foi preciso correr pela escola à procura de apontamentos. No entanto, achei que umas revisões não fariam mal. No fim das aulas, iria para uma das salas de aula estudar com Nath.
Como era suposto eu concentrar-me com Nath tão perto e a falar-me tão docemente ao ouvido? A certa altura deixei completamente de ouvir o que ele dizia para poder olhar para ele e acenar, como se tivesse compreendido. Infelizmente ele apercebeu-se.
-Estás a ouvir-me, sequer?
-Não... - respondi, honestamente. - Nath, nós somos alunos de nota máxima, para além disso estudámos o ano inteiro. Achas mesmo que precisamos de fazer estas revisões?
-Nunca se sabe... - respondeu, com um sorriso trocista.
-Pronto, está bem. - rendi-me com um sorriso.
No dia seguinte não fui às aulas porque estava doente.  Pedi a Missy para dizer a Nath a razão de não ter ido, não fosse ele ficar preocupado. Andei o dia todo a circular entre a cama e o sofá, enrolada na minha mantinha. Na hora de almoço, estava a decidir o que iria comer quando alguém tocou à campainha. Fui abrir e fiquei espantada quando vi que era Nath.
-Como está a minha doentinha? - perguntou, enquanto me dava um beijo na testa afetuosamente.
-Melhor, agora que aqui estás. - respondi, abraçando-o.
Ele levantou o braço e pude ver que tinha trazido comida de algum take away. Excelente, pensei, assim não precisava de cozinhar nada.
Pousando o saco em cima da mesa, sentou-se numa cadeira a meu lado. Nath tinha trazido a minha sopa favorita para quando estou doente, canja. Enquanto comíamos, ele contou-me tudo o que se tinha passado na escola. Segundo ele, Debrah tinha aparecido na escola, o que não era bom sinal. Eu sabia muito pouco sobre Debrah, apenas sabia que ela era a razão da constante inimizade do Castiel e do Nath.
-Mas afinal o que é que ela fez? - perguntei, quando já estávamos de volta ao quarto.
-Bem, talvez eu deva contar-te a história de uma vez por todas. Bem, como sabes, a Debrah sonhava em ser famosa e tudo isso. Ela recebeu uma proposta do seu agente para um contrato, juntamente com o Castiel. Como ela queria os holofotes só para si, disse ao agente que o Castiel já não queria participar. Ela estava a mentir, obviamente. Eu ouvi a conversa dela como agente e disse-lhe que o que ela tinha feito era errado. Ela disse-me que eu não tinha nada a ver com isso e eu vim-me embora. Quando ela falou com o Castiel, mentiu-lhe, lamentando que os produtores só a queriam a ela. Ele ficou muito triste por saber que a Debrah teria que ir embora, mas ainda a amava. Nesse mesmo dia, acabou com ele. Para se assegurar de que eu não ia contar nada ao Castiel, ela seduziu-me na sala dos representantes, e o Castiel entrou na altura em que ela estava mesmo agarrada a mim. Parecia óbvio que era eu que me estava a atirar a ela, quando era precisamente o oposto. Ele ficou furioso e deu-me um murro, mas rapidamente alguém parou a luta. Desde aí que evitamos falar um com o outro, pois ele não acredita em mim.
Mantive a boca aberta com espanto durante toda a história. Talvez estivesse na altura de começar a não gostar de Debrah. Além disso, ela não era grande coisa como cantora. Tinha uma voz bonita, mas demasiado comum. Uma coisa era certa: se ela voltasse no dia seguinte, iriam haver problemas.

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Capítulo 19

Todos os anos, a escola fazia uma semana musical dedicada a uma estrela da música. Para decidir qual seria o escolhido este ano, a escola fez votações e acabámos com um resultado controverso: Britney Spears. O clube de música, no qual Íris e Alexy eram definitivamente as estrelas, decidiu que iam dar uma chance aos alunos mais novos. Iam escolher, de entre  as raparigas, qual se adequava mais ao papel, e qual delas estaria disponível para brilhar em frente de toda a escola. Iríamos ter a ajuda de alguns membros do clube de dança, que se disponibilizaram para coreografar os membros que iam apenas ser o coro.
Iríamos ter um mês para treinar e ensaiar tudo, mas antes disso era preciso escolher: quem ia merecer a oportunidade de ser adorada por imensos alunos?
No dia das audições, apareceram cinco membros do clube, incluindo eu, dispostas a darem tudo para vencer. Entre elas também estava Ambre. Quase me desmanchei a rir, quando a vi sentada no auditório à espera da sua chance. Sim, de todas as candidatas, ela era a mais fisicamente parecida, mas...Tínhamos que esperar para ver.
A primeira foi Marley, uma das raparigas do clube que tinham uma voz espantosa e apenas a usavam em apoios vocais. No entanto, a sua voz era demasiado teatral, e foi eliminada da corrida.
Imediatamente a seguir, veio Mercedes, uma rapariga de pele escura, que surpreendia todos com o seu timbre forte, e que por vezes competia com Íris para ver quem conseguia mais canções. Obviamente, ficou como finalista.
A terceira foi Ambre, que apesar de ser membro, nunca apareceu em nenhuma das aulas do clube. Não sei quem é que lhe disse que ela conseguiria deslumbrar, mas o que é certo é que foi humilhada em público, e eliminada.
A quarta rapariga chamava-se Santana, mas foi eliminada antes de ter a chance de fazer uma audição pois foi provocada por Ambre e Santana é facilmente irritável. Por um lado estava feliz, pois ela provavelmente seria a vencedora, se não tivesse começado a puxar os cabelos a Ambre.
E finalmente, havia chegado a minha vez. A regra número um é que teríamos que cantar uma música da Britney Spears na audição, e tinha sido difícil escolher. Acabei por decidir que ia cantar "Everytime", uma das minhas canções preferidas.

"Notice me
Take my hand
Why are we
Strangers when
Our love was strong
Why carry on without me



Everytime I try to fly I fall
Without my wings
I feel so small
I guess I need you baby 
And everytime I see
You in my dreams
I see your face
It's haunting me
I guess I need you baby"

Na minha opinião a audição correu bem, pois o júri tomou imensas notas e parecia indeciso. A decisão que tinham de tomar agora era difícil: seria eu, ou Mercedes. 
No dia seguinte, no clube anunciaram os resultados. Eu tinha ganho! Estava tão entusiasmada! Apertei a mão a Mercedes, em sinal de respeito, e ela deu-me os parabéns. Parecia que agora estava na hora de começar a trabalhar a sério.
Fizemos uma votação, e a música com que iríamos abrir a semana era "Gimme More", uma escolha um pouco arriscada, mas que agradava a todos nós. Até eu descobrir que roupa iríamos usar...


Achei que o fato era demasiado revelador, mas já que todo o clube ia vestido de uma maneira igualmente provocadora embora diferente, não me importei muito. Pior seria se fossem todos tapadinhos e eu aparecesse assim.
Passámos um mês inteiro a ensaiar e a coreografar tudo, para que o resultado fosse estonteante. E no dia da abertura da semana Britney Spears, o ginásio estava cheio, com imensa gente nas bancadas, entre elas Missy, Yumi, Castiel, Lysandre e Nath.
Tínhamos alterado o início da música, para que se adequasse a mim, e embora fosse inadequado, tornava a atuação mais livre.

"It's Nikki, bitch!
I see you
And I just want to dance with you

Everytime they turn the lights down
Just want to go that extra mile for you
You got my display of affectionFeels like no one else in the room but you

We can get down like there’s no one aroundWe keep on rockin’, we keep on rockin'Cameras are flashin’ while we're dirty dancin’They keep watchin’, keep watchin'Feels like the crowd is sayin’

Gimme gimme more, gimme more, gimme gimme moreGimme gimme more, gimme more, gimme gimme moreGimme gimme more, gimme more, gimme gimme moreGimme gimme more, gimme more, gimme gimme more"


A reação foi a que já esperávamos. Alguns membros do público masculino pareciam aplaudir não só a música, mas tudo o resto, com assobios a toda a hora. Não era suposto ter focado o meu olhar em ninguém do público, mas na verdade, no fim de cada verso, não conseguia evitar olhar para Nath, para ver a sua reação. Ele olhava para mim especado, tentando sorrir por cima da sua expressão boquiaberta. Esperei que toda a gente se tivesse ido embora para ir ter com Nath. Eu dei-lhe um abraço apertado.-O que achaste? - perguntei, curiosa.-Queres ouvir a opinião decente e desonesta, ou a opinião indecente e sincera?-Hum, não sei... - respondi, tentando aparentar um ar pensativo. - Acho que vou querer a opinião indecente e sincera...-Estiveste ótima, e foste tão perfeita que não sei como é que consegui ficar aqui quietinho, sem ir lá atacar-te.
*
O resto do dia passou depressa, assim como toda a semana. Para ser justo, outros membros participavam em algumas partes das músicas e achei que todas as atuações correram bem. Peggy fez da semana Britney o tema do jornal, e não se cansou de repetir que tinha sido a melhor semana musical que a escola já fizera, o que me orgulhava imenso.E só aí me apercebi...O ano escolar terminaria dentro de algumas semanas, mas ainda faltavam as provas finais...Estava na hora de começar a fazer revisões...




(Versões utilizadas)Audição: Everytime - http://www.youtube.com/watch?v=s_RqlfiNOeIDia 1: Gimme More - http://www.youtube.com/watch?v=r3KVS2jO6p0&feature=relatedDia 2: Toxic - http://www.youtube.com/watch?v=rih_HDea7RIDia 3: Oops...I did it again - http://www.youtube.com/watch?v=h5x5aVzOkSYDia 4: 3 - http://www.youtube.com/watch?v=5vcTj_29VHsDia 5: Womanizer - http://www.youtube.com/watch?v=Op2cleC0i4Q          I Wanna Go - http://www.youtube.com/watch?v=vWqkdkF0q9s









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Capítulo 18

No dia seguinte, com as faltas devidamente justificadas, voltámos à escola, mas agora toda a gente queria saber: porque razão faltariam os representantes de turma a uma aula, e mais importante, porque é que um deles tinha lágrimas nos olhos quando abandonaram a escola.
Felizmente contornámos as perguntas de todos e o fim-de-semana chegou rapidamente. Era o aniversário de  Violette, e como não queria festejá-lo sozinha, pois os pais dela estaríam fora, decidiu organizar uma pequena festa, para a qual convidou apenas Missy, Yumi e eu. Ficou decidido que iríamos passar lá a noite, e que deveríamos estar em casa dela pelas 16 horas. Mas antes disso, ainda tínhamos de comprar os presentes.
Juntamente com Missy e Yumi, fui ao centro comercial. Violette era tão calada que pouco sabíamos sobre ela. Mas sabíamos o suficiente para saber o que lhe comprar: Missy comprou-lhe um livro sobre plantas, já que Violette estava no clube de jardinagem. Yumi, que sempre fora a extravagância em pessoa na compra de presentes, comprou um enorme peluche em forma de coelhinho. E eu, que estava praticamente sem ideias, decidi presenteá-la com um  kit profissional de desenho, já que sabia que ela tinha muito jeito para o desenho.
Então, depois de almoço, dirigimo-nos para a casa de Violette um pouco mais cedo. Ela abriu-nos a porta com o mesmo sorriso tímido de sempre.
Assim que entrámos, guiou-nos a um quarto que os pais tinham construído na esperança de que Violette se tornasse uma rapariga social. Claro que Violette tinha um quarto mais pequeno, mas era notável da parte dos pais que se dessem ao trabalho de construir um quarto tão bonito.



Encostámos as nossas coisas a um canto e Violette fez-nos uma visita guiada ao resto da casa. A seguir, atribuímos a cama em que cada uma ia ficar. A superior do lado esquerdo seria de Missy, e a do lado direito de Yumi. Em baixo, eu ficaria do lado esquerdo, e Violette do lado direito.
Depois dirigimo-nos à sala, onde cantámos os parabéns a Violette. Passámos o resto da tarde na sala a petiscar a comida que se encontrava em cima da mesa, e quando chegou a hora de jantar, encomendámos comida.
Mas só depois do jantar é que a verdadeira diversão começou: depois de lavarmos os dentes e vestirmos os pijamas, sentámo-nos todas numa canto do quarto que estava cheio de almofadas fofas. Tinha chegado a hora da "fofoca". Yumi era a grande impulsionadora da conversa.
-Violette, nunca nos disseste se gostavas de alguém... - afirmou Yumi, curiosamente.
-Bem, eu... - Violette corava facilmente, mas agora parecia que ia explodir de embaraço. - Eu gostava do Alexy, mas ele é...
-Nós sabemos. - interrompi eu, tentando não trazer muito Alexy à conversa.
-E não há ninguém agora? - perguntou Missy.
-...O Jade é muito simpático... - constatou ela, envergonhada.
-Fazem um casal muito bonito! - exclamou Yumi. - Ok, mudando de assunto. É a tua vez, Nikki. Como vai o Nath? - questionou, piscando o olho.
Tentei não corar. A verdade é que não tinha contado a verdade sobre as férias da Páscoa a ninguém, apesar de já ter dado uma vaga ideia a Missy, mudando de assunto logo a seguir. Eu sabia que ela tinha captado o que se passou, mas eu tinha que contar a Yumi. Não podia continuar a esconder isto por muito mais tempo.
-Eu não fui totalmente honesta contigo sobre as férias da Páscoa, Yumi... - disse, inspirando. - A verdade é que aconteceu outra coisa no meu aniversário...
Yumi estacou a olhar para mim. Eu não sabia se ela estava zangada por não lhe ter contado mais cedo, mas a reação que teve foi a que eu já esperava.
-Eu não acredito!!! - exclamou ela, com um sorriso estampado na cara, lançando-se na minha direção para um abraço apertado.
A seguir o tema de conversa foi Lysandre, ao qual Missy teceu vários elogios, relatando o quão simpático e amoroso era.
E depois, a conversa deslizou para Yumi e Castiel, que não se conteve nos elogios a Castiel. Começava a ficar tarde e decidimos ir para a cama. Eu adormeci facilmente, pois já estava com sono.

No dia seguinte, depois do almoço, ficámos à espera dos pais de Violette para que ela não ficasse sozinha e quando eles chegaram voltámos para casa. Divertimo-nos imenso, e até Violette parecia mais animada do que o costume.

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Capítulo 17

No primeiro dia de aulas do terceiro período, todos os alunos estavam animados por reverem os seus amigos. Confesso que já tinha saudades da doçura exagerada de Violette, da dedicação de Jade, da simpatia de Íris, da extravagância de Alexy, da curiosidade de Peggy, da presunção de Bia, da rivalidade de Melody e da confiança de Kim. Até tinha saudades das parvoíces de Ambre e do seu grupo. A minha primeira aula seria de Francês, seguida de Ciências, Inglês e Educação Física. E depois iria para casa.
As primeiras três aulas passaram rápido. Quando saí da aula de Inglês, reparei que Nath se dirigia a um passo acelerado para o vestiário. Por norma, ele nunca ia tão cedo para a aula, pois ele costumava esperar por mim para irmos juntos.
Decidi segui-lo até ele entrar no vestiário. Por que razão iria ele vestir-se mais cedo que os outros? Será que havia alguma coisa que os outros não podiam ver? O meu instinto dizia-me para ir ver, mas o meu cérebro dizia-me que não deveria ir. O meu instinto foi mais forte. Segui Nath e vi-o quando se preparava para vestir a camisola.


Então era isso...Nath exibia grandes hematomas nas costas, e só pude deduzir o pior...Já o tinha visto algumas vezes em torso nu, mas nunca tinha reparado nestas marcas na pele. Não consegui conter o meu espanto e a minha respiração tornou-se inconstante e muito audível. Nathaniel virou-se, nervoso, e deparou-se com a minha figura, ainda boquiaberta.
-Nikki?
-Nath, eu lamento imenso... - tentei pedir desculpa, e forcei as palavras a saírem, pois naquele momento não sabia o que dizer.
-Não devias ter vindo aqui!. - disse ele, exaltado. 
Ele não deixava transparecer o sofrimento, mas eu via-o nos olhos dele. A sua simpatia exagerada era na sua grande parte para esconder a sua história...
-Eu... - comecei a falar, mas fui interrompida por Nath.
-Desculpa, fui muito brusco... - uma lágrima percorreu-lhe a face. - Não te devia ter tratado assim.
Eu limpei a lágrima que corria a sua cara com a mão e abracei-o ternamente. Ele não se conteve e chorou no meu ombro. A tristeza dele era contagiante, e uma lágrima desceu as minhas próprias faces enquanto tentava consolar Nath, afagando-lhe as costas com as mãos. Eu dei-lhe a camisola e ele vestiu-a em alguns segundos. Antes que alguém nos pudesse ver, saímos do ginásio e fomos diretamente para o meu apartamento. Enquanto caminhávamos, avisei Missy e Yumi por mensagem de que iria faltar à última aula e que depois lhes explicaria tudo. Assim que chegámos, deitei-me na cama e Nath ficou abraçado a mim. Era impossível para mim ver as pessoas de quem gosto a sofrer sem sofrer com elas. Não sabia bem o que fazer, mas tirei a camisola dele e pedi-lhe que se deitasse de barriga para baixo. Analisei bem as marcas, e como uma mãe beijaria o dói-dói de um filho, pousei suavemente os lábios em cada centímetro da sua dor, tentando fazer com que ela se fosse embora, mesmo que isso não acontecesse.
-Não precisas de me contar o que se passou. - disse, reconfortando-o. - Quando estiveres pronto, podes contar-me o que se passa.
Ele sentou-se à minha frente e olhou-me olhos nos olhos. 
-Eu quero contar-te. - disse ele, limpando as lágrimas. - Já foi há uns anos...Eu fui muito mau, um demónio para a Ambre e perdi a confiança dos meus pais, ou mais do meu pai especificamente. Desde que ganhei estas marcas que tento ganhar novamente a confiança dele. Eu esforço-me na escola e tento ser sempre bem educado, mas parece não resultar. Num ato de fúria, o meu pai empurrou-me pelas escadas e eu dei uma queda um pouco grave. As marcas são tudo o que restou desse acontecimento, e continuam a assombrar-me mesmo anos depois.
A história era aterrorizadora, mas ainda havia uma coisa que não compreendia.
-Como é que eu não vi as marcas antes? - perguntei.
-Por norma eu uso um produto para disfarçar, mas esqueci-me de o aplicar hoje e foi por isso que tinha pressa de me ir vestir mais cedo.
Nath, naquele momento, era para mim  um anjo. Não havia ninguém no mundo que eu queria mais naquele momento do que Nath. Cerrei os estores e tranquei a porta. Assim ninguém nos incomodaria. Voltei para a cama e, no escuro, beijei Nath numa tentativa desesperada de curar o seu sofrimento, a sua dor. Ele retribuiu o beijo e eu comecei a deitar-me sobre o ele. Não sabia que efeito o beijo estava a ter em Nathaniel, mas certamente era positivo. E ali, naquele momento onde ambos estávamos a sentir-nos tão apaixonados, aconteceu novamente. E desta vez, estávamos ainda mais intensamente apaixonados. Parecia que éramos feitos um para o outro, como peças de um puzzle. Pertencíamos juntos. Unidos. E ninguém nos poderia separar.











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Capítulo 16

Quando subi para o apartamento, pensei que ia ser bombardeada com perguntas, mas não foi isso que aconteceu. Missy e Yumi mostraram-se muito prestáveis e até me ajudaram a arrumar as malas. Quando acabámos era quase hora do jantar e decidimos adiantá-lo, pois já estávamos um pouco esfomeadas. No fim do jantar, fui para o meu quarto e sentei-me no mini-sofá que tinha no quarto a ler um livro. Pensava que ia permanecer sossegada, até que ouvi alguém a bater à porta do quarto. Yumi entrou primeiro, e Missy vinha atrás dela. Ambas se sentaram na minha cama e olhavam para mim fixamente.
-O que foi? - perguntei, nervosa.
-Achas que te íamos deixar em paz antes de saber o que se passou? - inquiriu Yumi, piscando o olho.
Coloquei o livro à frente da cara para evitar que me vissem a corar violentamente. Era fácil distinguir que Missy apenas queria decifrar o meu sorriso, enquanto que Yumi queria saber tudo graças à sua personalidade exageradamente curiosa. Não fazia ideia do que devia ou não contar...Yumi já tinha insinuado algumas vezes o que realmente aconteceu meses antes de acontecer. Não sabia se deveria começar por aí. Sabia qual iria ser a sua reação. Decidi que ia contar tudo menos o que realmente lhe interessava.
-Bem, já que estás tão curiosa...Viajámos para Veneza, ficámos lá alguns dias, os meus pais organizaram uma grande festa de aniversário, e alguns dias depois voltámos para casa.
Missy sorriu devido à imensamente vaga descrição que tinha dado. Yumi cruzou os braços e olhou curiosamente para a minha mão direita.
-Que lindo anel... - observou, intrigada.
Olhei para a minha mão e e facto o anel, que por norma me parecia simples e discreto, parecia agora brilhar e chamava a atenção como se houvesse um grande cartaz a dizer: "Olhem para mim!".
-Foi uma prenda de aniversário... - respondi, corando.
-De quem? - questionou Yumi, imediatamente após a minha resposta.
-Do Nath...
-Oh, o amor não é lindo? - disse ela, sorrindo na brincadeira.
Eu sorri, mas atirei-lhe uma almofada à cara, para que não continuasse com aquelas bocas que poderiam evoluir para algo mais sério.
Yumi pareceu convencida com a história que lhe contei, mesmo que lhe faltasse um detalhe importante. Decidi mentalmente que não ia contar tão cedo a ninguém, mas assim que Yumi e Missy saíram do quarto, pensei que não estava a ser sincera e honesta com elas. Senti-me um pouco culpada por não lhes ter contado, e não pensei noutra coisa a noite toda, até que adormeci. E aí, tive um sonho, um sonho muito estranho.

***

Estava na escola a acabar de estudar quando vi que já era de noite. Decidi voltar para casa, mas um gato atravessou-se no meu caminho. Tentei fazer-lhe uma festa mas ele começou a caminhar em direção ao clube de jardinagem. Eu fui atrás dele, mas pareceu-me que se abriu um vórtice no chão e fui sugada para uma dimensão desconhecida. Parecia um pouco assombrado, e estava muito frio. Caminhei sem saber para onde ia e encontrei um lago. A temperatura daquele sítio devia estar bem abaixo de zero, e não consegui evitar que um enorme espirro saísse. De repente, vi uma bruxa. Sim, era uma bruxa. Ela parecia zangada e começou a gritar.
-Sua tonta! Fizeste-me perder os peixes!!!
O que ela dizia parecia não fazer sentido, mas mesmo assim pedi desculpa. Ela barafustava comigo, tentando saber porque estava eu ali, mesmo sem eu saber onde estava. Ela levou-me até a sua casa que, tal como ela, era um pouco assustadora. Ali, no meio da sala, estava um caldeirão com um líquido verde lá dentro.
-Ouça, eu não sei onde estou mas também não quero ficar aqui...Posso ir-me embora? - perguntei, assustada.
-Não antes de me recompensares por me teres feito perder os peixes. Veste isto e vai-me buscar um morcego.
Ela atirou-me uma roupa que me dava um ar de aprendiz de bruxa e eu vesti-a. Depois deu-me uma rede de borboletas e mandou-me ir apanhar um morcego. Acedi, com alguma hesitação, mas a rede partiu-se quando tentei apanhar um dos morcegos. Tinha que arranjar uma solução. Não me lembrava de nada, e comecei a dar chutos em pedras para ver se me vinha algo à cabeça. Nada. Até que uma das pedras que chutei acertou num morcego, que caiu atordoado no chão. Apanhei-o e levei-o até à bruxa. Ela atirou-o para dentro do caldeirão. De seguida, mandou-me ir procurar um pote com aranhas que perdera algures. Encontrei-o perto do lago e devolvi-o. Ela arrancou as patas às aranhas e jogou-as para o caldeirão.
-Estou quase lá! Finalmente, esta poção, dir-me-á se serei ou não a melhor bruxa de sempre! - disse ela, com um sorriso quase malvado.
De repente, praguejou e pareceu ficar muito irritada.
-Raios! Não consigo ler o que está aqui!
Eu aproximei-me e vi que as letras estavam um pouco borratadas, mas consegui ver uma palavra: grãos. Mais valia não ter dito nada, porque depois mandou-me ir procurar uns grãos minúsculos...De qualquer maneira, encontrei-os e dei-os à bruxa, que os colocou delicadamente dentro do caldeirão. A poção mudou de cor e ela olhou curiosamente para dentro do caldeirão.
-Consegues ver alguma coisa? Serei eu a melhor bruxa de sempre? - perguntou, ansiosa.
Digamos que o que vi não tinha nada a ver com o futuro da bruxa, mas sim com alguém que eu conhecia muito bem:



A bruxa ficou tão desiludida que praticamente me obrigou a beber algo para me fazer voltar à realidade. E foi aí que acordei.

***

Levantei-me bruscamente, e não pude evitar sorrir. Estava com um bom humor extraordinariamente invulgar para a minha personalidade, que nunca estava tão animada de manhã. Talvez fosse devido ao sonho, talvez.
Tomei um duche e vesti-me. Ainda era cedo, mas decidi tomar na altura o pequeno almoço. Missy e Yumi provavelmente ainda estariam a dormir e eu não queria acordá-las. As aulas começavam na próxima semana e confesso que já tinha saudades. 






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Capítulo 15 (Especial Páscoa) ALERTA LIME

As férias de Páscoa aproximavam-se e com elas, o meu aniversário, dia 26 de abril.
A minha família queria que eu fosse passar as férias com eles, em Veneza, mas eu não queria deixar Nath por tanto tempo. Esse facto escapou-me da boca enquanto falava com Sophie. Era óbvio que ela ia falar com os meus pais, e falou mesmo. Dias depois, Sophie sugeriu que Nath viesse comigo. A princípio pareceu-me uma ideia parva, mas quanto mais pensava nela, mais razoável parecia ficar, até que passou a ser uma boa ideia. Tal sugestão só indicava que os meus pais gostavam realmente de Nathaniel e tinham total confiança nele. Decidi falar com Nath, que aceitou, hesitando um pouco, pois não queria incomodar.
Quando contei a Missy e Yumi que ia ter com a minha família por uns dias, ficaram um pouco tristes por me verem ir embora, mas quando disse que Nath vinha comigo, começaram a sair perversidades da boca de Yumi. Missy apenas sorria. Passei os dias seguintes a fazer as malas e a planear minuciosamente cada dia.
Os dias passaram lentamente, mas finalmente tinha chegado o dia. Por alguma razão, o meu pai mandou o jato privado para nos vir buscar. Disse-lhe que podíamos ir num avião público como toda a gente, mas ele insistiu.
Nath e eu subimos para o jato e cumprimentámos o piloto, Harry. Ele dirigiu-se para a cabina e deixou-nos a sós. Sentámo-nos os dois e apertámos os cintos, mas depois da descolagem fomos para o sofá, onde nos deitámos os dois.
-Nath...Obrigada por teres vindo. - agradeci.
-Não tens de quê, linda. - disse ele, beijando-me na testa.
-Queria só dizer-te, antecipadamente, que pedi aos meus pais para instalarem outra cama no meu quarto, para não teres que ficar num dos quartos de hóspedes.
Nathaniel corou imenso.
-E eles deixaram? - perguntou.
-Demorou algum tempo, mas finalmente consegui. - respondi, sorrindo.
O voo demorou umas duas horas, e quando chegámos, Gianni estava à nossa espera no seu reluzente Porsche.  Ele levou-nos até à Villa DiMaggio, o nome pomposo que os meus pais deram à mansão, e depois anunciou que tinha que tratar de umas coisas no consultório e que voltaria umas horas depois.


Assim que nos viram, Emilia e Sophie correram para nos abraçar a ambos. A minha mãe, que estava na cozinha com Sandra e Caterina, as empregadas, fez o mesmo gesto calorosamente. O meu pai deu-me um abraço e um firme aperto de mão a Nath, voltando posteriormente para o escritório. Liam tinha ido acampar, por isso não estaria em casa nos próximos dias.
Guiei Nath até ao meu quarto e arrumámos as nossas coisas. Como já estávamos quase na hora de jantar, fui mostrar a casa a Nathaniel e depois fomos para a sala.

Enquanto estava ao piano, Aloysia chegou. A noiva do meu irmão Gianni era muito séria, mas conseguia ser muito simpática. É advogada, nasceu em Áustria, e estava prestes a juntar DiMaggio ao seu nome, Aloysia Weber. Ela cumprimentou-nos afavelmente e a seguir dirigiu-se para a sala de jantar. Nath e eu juntámo-nos a ela e ficámos à espera do jantar.
Quando a hora chegou, a família já estava toda reunida na sala de jantar. Os meus pais fizeram todo o tipo de perguntas a Nath, mas ele parecia não se importar, e respondia a todas com o mesmo sorriso.
Depois do jantar reunimo-nos todos na sala de jogos. Gianni e o meu pai disputavam uma concentrada partida de xadrez. A minha mãe juntou-se a Aloysia, Sophie e Emilia nos matraquilhos e eu e Nath jogámos Monopoly, que curiosamente era o jogo preferido de ambos. Toda a família ficou a jogar até que começava a ficar tarde. Cada um seguiu para o seu quarto, e eu fui com Nathaniel até ao meu quarto. Ambos vestimos o pijama, lavámos os dentes, e quando ele se preparava para se deitar na cama suplente, eu impedi-o, indicando-lhe a minha cama, cujo tamanho era verdadeiramente um exagero.
Deitámo-nos os dois e ele abraçou-me carinhosamente. Adormeci ali, e posso dizer que dormi muito bem.
Levantei-me um pouco mais cedo que Nath para ir tomar banho, mas quando voltei, embrulhada na toalha, Nath já estava acordado.
-Olá. - disse ele, corado.
-Bom dia... - disse eu, ficando da mesma cor que ele.
Ele decidiu ir tomar banho para eu poder vestir-me à vontade no quarto. Ficou combinado que ele se vestiria na casa de banho, para  evitar "complicações".
Como costume na minha família, tomávamos o pequeno almoço numa pastelaria perto de casa. Eu comi um croissant de chocolate e bebi um sumo de laranja, o meu pequeno almoço preferido. Passei a manhã inteira com Nath nos estábulos e no prado, a andar de cavalo. Já tinha muitas saudades da minha companheira de infância, a Lillith, uma égua de pelagem branca, e do meu cavalo preferido, ao qual tinha dado o nome de Spirit.
Nos dias seguintes, Nath foi sempre muito querido comigo. Passeávamos em gôndolas, à noite saímos para caminhar pela cidade...Até que chegou o dia dos meus anos.
Quando acordei, Nath tinha um tabuleiro com o pequeno almoço. Este gesto recordava-me o que eu tinha feito no aniversário dele.
-Parabéns, Nikki. - disse ele, pousando o tabuleiro e dando-me um grande beijo de parabéns.
-Obrigada. - disse eu começando a comer.
Segundo o que Nath me contou, já todos tinham acordado e estavam a preparar tudo para receber os convidados mais tarde. Eu e Nath fomos passear por Veneza de scooter e quando voltámos o almoço já estava pronto. A partir dessa altura, a minha enorme família começou a aparecer.
Já não via muitos deles há muito tempo, e foi muito agradável vê-los outra vez. Claro que a festa tinha que acabar, e depois do jantar, já todos tinham ido embora. Nath perguntou-me se não me importava de ir andando para o quarto e eu acedi, curiosa. Quando chegámos, Nath trancou a porta, o que me deixou ainda mais nervosa. Ele tirou do bolso uma caixinha e entregou-ma, corando. Eu abri-a, e peguei no lindo anel que estava lá dentro. Era simples, mas lindo. A sua cor era cinzenta e tinha três pedras preciosas na frente. Por dentro, estava gravado um N, com uma caligrafia muito bonita.
-Oh, Nath! - exclamei, abraçando-o. - Obrigada, é lindo!
-Lembras-te daquilo que temos andado a falar ultimamente? - perguntou, atingindo o mesmo estado de nervosismo.
E foi aí que eu fiquei o mais vermelha que já tinha estado na vida, já para não falar que batia o pé a um ritmo rápido, deixando transparecer o meu nervosismo. Ele parecia tão nervoso como eu.
-Bem...Há mais uma coisa que eu te queria...
Não ia deixar Nath acabar a frase, por isso levei as minhas mãos à face dele e beijei-o ardentemente. Ele retribuiu o beijo com ainda mais paixão e...Deixámo-nos cair na cama, e o que aconteceu a seguir foi...lindo, perfeito, maravilhoso...Não conseguia encontrar palavras para o descrever. Tínhamos tomado todas as "precauções" das quais Yumi não se cansava de repetir. E felizmente, tinha paredes que não deixavam ouvir o mais pequeno som, o que evitou muita coisa que poderia acontecer de manhã. Não iriam descobrir dessa maneira, mas o sorriso que não me saía da cara era bastante decifrável.
Quando acordei, Nath já estava desperto e olhava para mim, passando a mão pelos meus cabelos.
Era difícil falar com aquele sorriso orgulhoso estampado na cara, mas consegui transmitir a Nathaniel o que a noite passada tinha significado para mim. Infelizmente, teríamos que regressar a Kiss no dia seguinte.
Tinha algum receio de que Missy, e principalmente Yumi conseguisse descobrir o que se passou por apenas olhar para a minha cara, mas decidi que não me ia preocupar com isso.
No dia seguinte, despedimo-nos da minha família e voltámos para Kiss. Foi muito difícil despedir-me de Nath quando chegámos, mas sabia que o ia ver novamente em breve.
Quando entrei em casa, Missy e Yumi ficaram felizes por me verem outra vez, e tinha a sensação de que já tinham decifrado a minha expressão.

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Capítulo 14

Na segunda-feira, o autocarro começava a encher-se de gente que ia participar. Nath e eu sentámo-nos lá atrás ao pé de Missy, Lysandre, Yumi e Castiel. Também vi que Ambre, Violette, Capucine e Kim iam participar. Peggy também ia connosco, mas ia apenas fazer a reportagem. Quando chegámos, foi-nos entregue um mapa e separaram-se todos em pares. Peggy fez questão de tirar uma foto a todos os pares para que saíssem no jornal da escola.

Nath e eu começámos a seguir o mapa. Mas havia ali algo que não fazia sentido. O mapa dizia-nos para seguirmos um caminho que nem existia.
-Nath, não estás a achar isto muito esquisito? - perguntei.
-Sim, realmente não devia ser assim, mas vamos seguir o mapa. - assegurou ele.
E continuámos a seguir o caminho que não existia até que o sol se começava a por.
-Nath...Não achas que está a ficar tarde? - questionei, um pouco assustada.
Ele assentiu com a cabeça.
-O problema é que já não sei por onde ir...Já não se vê quase nada... - respondeu, um pouco nervoso.
Deambulámos algum tempo a tentar sair dali, mas embrenhámo-nos ainda mais na floresta. E quando anoiteceu, fiquei mesmo preocupada.
-Nath...Achas que me podes dar a mão? Tenho medo de me perder. - pedi, imensamente nervosa.
Nathaniel agarrou-me a mão e olhou-me olhos nos olhos.
-Não te assustes, Nikki. Nós vamos sair daqui.
As palavras dele acalmaram-me...por uns meros dois segundos. De repente, ouvimos um lobo a uivar. Assustei-me de tal maneira que corri para a frente e tropecei numa raiz de uma árvore. Dei uma queda bem espalhafatosa e magoei-me no tornozelo.
-Nikki! Estás bem? - perguntou, alarmado.
-Sim, mas não consigo mexer o tornozelo...
Nathaniel ajudou-me a levantar e com algum esforço consegui subir para as suas costas. Ele levou-me até uma clareira onde a relva era um pouco mais alta e praticamente nos chegava aos joelhos. Ele deitou-me suavemente e a seguir deitou-se a meu lado, olhando para mim.
-Nós vamos sair daqui...Não te preocupes. Alguém com um melhor sentido de orientação há de vir à nossa procura. - disse ele, tentando acalmar-me.
A cara dele aproximava-se lentamente e eu fechei a distância que havia entre nós num único movimento. Os nossos lábios tocaram-se como se fosse a primeira vez e ambos fechámos os olhos profundamente. Quando acabou, deixámo-nos cair novamente para o lado.
Não sei como, mas em alguns minutos, tinha adormecido, agarrada a Nathaniel.
Quando o sol começava a nascer, vi sombras à nossa frente. Levantei-me subitamente, para ver que afinal eram Missy e Lysandre, que tinham vindo à nossa procura.
-Missy? Lysandre? Que fazem aqui?
-Bem, nós vimos que se estavam a demorar e viemos verificar, mas acabámos por não vos encontrar em lado nenhum. - respondeu Missy.
-Passámos a noite inteira à vossa procura, mas adormecemos enquanto tentávamos encontrar-vos. - informou Lysandre.
-Bem, devíamos voltar. - disse Nathaniel.
Ele ajudou-me a levantar e conseguimos encontrar o caminho até ao autocarro. Claro que a diretora não gostou, mas o Sr. Faraize safou-nos de um valente raspanete.
Ambre foi a vencedora da corrida, mas como nos perdemos, acabámos por ser uma notícia maior e quase ninguém soube quem ganhou a corrida.
Peggy fez um grande sucesso com o jornal, e não se falou mais nada durante as semanas seguintes.

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Capítulo 13

As aulas começavam de novo no dia 10 de janeiro. As férias tinham sido espantosas, mas já sentia saudades  da escola e dos meus amigos menos próximos, que praticamente não tinha visto.

No primeiro mês, os professores marcaram logo uma data de exames, o que para mim não significava nenhum incómodo, mas alguns dos alunos pareciam ficar muito zangados com a pressão por parte dos professores.
E fevereiro chegou num instante. O que significava que tinha exatamente 16 dias para pensar em algo para oferecer a Nathaniel no seu aniversário. Sempre fui péssima a oferecer presentes. Por norma, as pessoas que recebiam os meus presentes não sabiam que cara haviam de fazer, mas por educação sorriam e agradeciam. Não ia pedir conselhos a Ambre, obviamente, por isso tentei lembrar-me de algo original. E claro, nada de doces.
No dia seguinte, na aula de francês começámos a ler uma obra de mistério e lembrei-me: romances policiais! Como me podia esquecer? De todas as vezes que fui ao quarto de Nath, as estantes estavam cheias de romances policiais. Mas havia outro problema: como é que havia de saber quais é que ele já tinha? Daria muito nas vistas se chegasse ao quarto dele com um bloco de notas e anotasse todos os seus livros. Definitivamente, tinha que pensar noutra coisa. Não queria andar aí a pedir conselhos, mas estava a ficar sem ideias. Mas depois pensei, só há uma pessoa que pode saber mais sobre o Nath do que eu, e essa pessoa é a Melody. Nunca pensei que fosse precisar da ajuda dela, mas não tinha outra escolha. Fiquei a noite toda a pensar como iria confrontar Melody.

Quando cheguei à escola no dia seguinte, dirigi-me para a sala onde Melody ia ter aula. Ela estava à entrada, encostada aos cacifos enquanto evitava o meu olhar, mexendo no telemóvel distraidamente.
Ao aproximar-me, tentei sorrir afavelmente, mas apenas consegui um leve sorriso.
-Olá. - disse, um pouco desconfortável.
Ela não me respondeu, apenas olhou para mim com uma cara comprometida.
-Ouve, eu sei que tivemos os nossos problemas, mas gostava que puséssemos essas coisas de lado. Para ser sincera, preciso da tua ajuda. Achas que me podes ajudar? - perguntei, tentando ser o máximo simpática.
-Eu...Gostava de pedir-te desculpa...Não fiz por mal, mas na altura não pensei e...
-Não precisamos de falar disso. Apenas preciso da tua ajuda.
Ela sorriu amigavelmente.
-Claro, em que posso ajudar-te?
-Bem, - comecei. - como já deves saber, o Nath faz anos daqui a uns dias e eu não sei o que lhe hei de dar como presente.
Ela apertou-me a mão.
-Conta comigo. - disse ela, sorridente. - Vem ter comigo ao centro comercial depois das aulas e eu ajudo-te.
Agradeci-lhe do fundo do coração e caminhei em direção contrária, para ir para a minha sala de aulas. Quando me aproximei da sala, Nath estava boquiaberto.
-Pensava que não gostavas da Melody. - disse, surpreendido.
-Bem, eu reconsiderei...Talvez eu e ela não sejamos tão diferentes como penso...
Nath esboçou um daqueles sorrisos que me faziam sorrir cada vez que o fazia. Adoraria ter ficado por ali, mas a campainha tocou e tivemos que ir para as aulas.
No fim do dia, avisei Missy que ia chegar um pouco mais tarde e apanhei o autocarro para o centro comercial. Quando cheguei, encontrei Melody perto de um café. Ao ver-me, levantou-se e cumprimentou-me.
-Estás pronta? - perguntei.
-Claro, e tu?
Retirei o cartão de crédito e piscando o olho, respondi-lhe sem falar. Não consegui evitar comprar algumas coisas para mim enquanto procurávamos o presente ideal, como é óbvio. Pela ajuda que Melody me estava a dar, também lhe comprei algumas coisas. Já tínhamos passado por muitas lojas, mas não tínhamos encontrado nada.
-Tens alguma ideia em mente? - perguntei, um pouco exausta de andar.
-Bem...Isto está a ser mais difícil do que esperava.
Quando olhei para o lado, vi uma livraria. Praticamente arrastei Melody lá para dentro e fomos imediatamente para os romances policiais.
-Como é que sabes se ele já não tem estes livros? - perguntou Melody.
-É impossível ele ter esta coleção que foi lançada ontem. - disse, apontando para cinco livros empilhados numa caixa criada para guardar os livros.
-Mas...Já olhaste bem para o preço? - perguntou, ligeiramente abalada.
-Ele só faz anos uma vez por ano. Acho que vale a pena exagerar. - disse, enquanto me dirigia à caixa para pagar os livros.
Enquanto estávamos a sair, passámos por uma loja que vendia animais de peluche. Sim, parece estúpido, mas quando vi um pequeno gato de pelúcia na montra, quase esborrachei a cara contra o vidro. Melody assentiu em como seria um bom presente. Ele era simples, mas a simples característica de ter sido feito à mão tornava-o adorável. Dois minutos depois já tinha comprado o peluche e estava a ir para casa, agradecendo primeiro a Melody pela ajuda e despedindo-me dela.
Quando cheguei a casa, Missy e Yumi já estavam à minha espera e jantámos as três, conversando animadamente. No fim do jantar, fui para o meu quarto e pousei o pequeno gatinho de peluche na secretária. Fiquei a olhar para ele concentradamente e uma surgiu-me uma ideia. Abri o armário e peguei nuns tecidos que tinha guardado desde as aulas de Educação Tecnológica do 9º ano. Não tive boa nota, mas consegui fazer uma delicada camisa e uma gravata azul para o pequeno gatinho. E depois de o vestir, ele fazia lembrar Nathaniel. Mal podia esperar para lhe entregar as prendas.
Passaram-se mais uns dias e finalmente era sábado, dia 16 de fevereiro. Acordei cedo e dirigi-me para a casa de Nath. A mãe dele, com a qual eu me dava muito bem, abriu-me a porta e eu entrei.
-Nikki, estás tão carregada! O que trazes nesse saco? - perguntou, enquanto pegava no saco da livraria e o pousava no chão.
-Bem, tomei a liberdade de comprar esta coleção de romances policiais, já que sei que o Nath adora esse género de livros.
A mãe dele pareceu surpresa no bom sentido por ver que eu me preocupava realmente com Nathaniel. Ela sorriu e quando se preparava para pegar num tabuleiro com o pequeno almoço, eu segurei-o.
-Não se incomode, eu faço isso. - pedi, sorrindo amavelmente.
Peguei no tabuleiro, e segurando o peluche, dirigi-me ao quarto dele. Abri a porta devagarinho e deparei-me com Nath deitado, a dormir pacificamente. Para dizer a verdade, foi uma das coisas mais fofas que já vi. Nath deitava-se sobre uma almofada, agarrando-a firmemente e tinha os olhos fechados tranquilamente.
Ele acordou lentamente, sem nunca olhar para a porta, que era o sítio onde eu estava. Quando se levantou e se virou para trás é que me viu, e na sua cara abriu-se um sorriso radiante.
-Nikki! - disse ele, correndo para mim.
Eu impedi-o de me abraçar, para não derramar nada do que estava no tabuleiro. Fiz-lhe sinal para que se deitasse novamente, e ele sentou-se, apoiando as suas costas a umas almofadas. Eu pousei o tabuleiro no seu colo e sentei-me ao lado dele. Peguei no pequeno gatinho e fiz dele uma espécie de fantoche.
-Feliz aniversário, Nathaniel! - disse eu, com uma voz fofa, tentando fazer com que parecesse que o peluche falava.
-Oh, tão giro, Nikki! - disse ele, pegando no peluche e pousando-o na mesa de cabeceira a seu lado. - Obrigado.
-Não tens que agradecer, afinal de contas é o teu aniversário.
Passámos a manhã juntos em casa dele e depois do almoço fomos dar um passeio à beira-mar.
-Vais participar na corrida de orientação? - perguntou, enquanto caminhávamos de mãos dadas.
-Não sei, se arranjar um bom par, talvez. - respondi, tentando dar uma pista.
-Já te entendi. Vens comigo, então?
-Claro. - respondi, beijando-o docemente. - É na segunda-feira, certo?
-Sim. Um autocarro vai buscar os participantes e levá-los até à floresta.
-Mal posso esperar. - respondi.
Não larguei Nath o dia inteiro e no domingo também não. E a segunda-feira tinha chegado. E tinha a sensação de que iria ser demais.

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Capítulo 12

Passaram alguns dias e finalmente tinha chegado o último dia do ano. Quando acordei, fiquei surpreendida ao ver Nathaniel sentado no chão, ao mesmo nível da minha cama, a olhar fixamente para mim. Para dizer a verdade, apanhei um enorme susto.
-O que raio estás a fazer aqui? - disse com uma voz sonolenta, que transparecia felicidade.
-A Missy deixou-me entrar. Hoje vou passar o dia todo a teu lado. - respondeu, com o mesmo sorriso amigável de sempre.
-Por muito tentador que isso pareça, - disse eu, começando a falar. - eu acho que podes ficar aqui enquanto tomo duche.
-Claro que posso. - disse ele, corando levemente.
Corri para a casa de banho e tomei um duche rápido. Depois corri de volta para o quarto, tendo uma toalha enrolada no corpo. Não pude evitar um sorriso quando vi a cara de Nath, que estava sentado em cima da minha cama.
-Não te babes, Nath. - disse, rindo.
-O quê? - perguntou ele, distraído, enquanto olhava para mim fixamente.
Empurrei-o de maneira a que ele ficasse deitado na cama. Eu apoiei as minhas mãos nos ombros dele, e repeti a frase, beijando-o docemente.
Depois tive mesmo que lhe pedir para sair do quarto, para que eu me pudesse vestir. Quando acabei, pedi a Nath que entrasse outra vez.
-Então, o que é que planeaste para hoje? - perguntei, curiosa.
Assim que Nath me contou os planos para o último dia do ano, sabia que ia ser um grande dia. Ia ser uma espécie de "triple date". Eu, Nath, Missy, Lysandre, Yumi e Castiel iríamos almoçar ao centro comercial. Depois, iríamos todos ver um filme de terror, e quando este acabasse, iríamos jantar no centro comercial novamente.
Entretanto, Lysandre tinha chegado e estava com Missy e Yumi na sala. Quando eu e Nath fomos ter com eles, Yumi informou-me que Castiel ia ter connosco ao centro comercial e que não passaria por lá. Como o centro comercial ainda era um pouco distante, chamámos um táxi, e a viagem foi muito divertida. Apenas Yumi olhava melancolicamente para a janela, visivelmente aborrecida por não estar com Castiel.
Quando chegámos, um sorriso apareceu na cara de Yumi. Castiel esperava-nos numa das esplanadas, sentado numa cadeira.
Yumi correu para ele e deu-lhe um abraço. Ainda não estava bem na hora de almoço, por isso passeámos um pouco pelo centro comercial e por volta das 13h fomos almoçar. Como sempre, escolhi algo tipicamente italiano, nomeadamente esparguete com almôndegas.
O filme que vimos a seguir foi mesmo aterrorizante. Nunca tinha gostado muito destes filmes, por isso confesso que na maior parte das cenas tive que esconder a cabeça por trás de Nath. No entanto, o filme, que tinha sido imensamente sangrento, não teve um final tão mau como esperava. A protagonista era apenas transformada numa vampira, e acabava aí, deixando a maior parte dos espectadores ansiosos pela segunda parte.

Depois jantámos e, como ainda era cedo, decidimos ficar por lá. No primeiro piso ocorria uma enorme festa, mas nunca fui muito boa a ficar calma no meio de muita gente, devido à minha claustrofobia. Na verdade, eu queria subir as escadas até ao piso dos restaurantes, mas Yumi arrastou-me para dentro do elevador, que nem era assim tão pequeno. Os segundos que permanecemos lá dentro foram algo assustadores para mim.
Yumi e Castiel, como almas da festa que são, desceram para a festa. Missy e Lysandre não tinham a certeza se queriam acompanhá-los, pois havia muito movimento no piso inferior. Eu e Nath fizemos-lhes companhia para bebermos alguma coisa. Castiel e Yumi regressaram algum tempo depois, aclamando que estava demasiada confusão lá em baixo, até para eles, e decidiram juntar-se a nós. O tempo passou depressa, e quando demos conta já eram 23:50. Surpreendentemente, muitas das pessoas que estavam na festa lá em baixo tinham saído, e agora apenas permaneciam no recinto umas 100, ou 150 pessoas, o que não era muito num espaço tão grande. Descemos lá para baixo e sentámo-nos nas poltronas que havia para as pessoas se sentarem. Outros casais sentavam-se em outras poltronas, e olhavam ansiosamente para o ecrã gigante. Minutos depois, já toda a gente começava a contar os segundos.
"10..."
"9..."
"8..."

"7..."
"6..."
"5..."
"4..."
"3..."
"2..."
"1...!"
"Feliz Ano Novo!"
Abracei Nath carinhosamente enquanto olhávamos para o que se passava à nossa volta. Toda a gente estava muito contente. Havia, inclusive, um jovem que pedia a sua namorada em casamento, e achei esse gesto adorável.
Já estávamos um pouco cansados, e não queria mesmo que Nathaniel se fosse embora, por isso convidei-o para passar a noite lá em casa. Ele aceitou, hesitando, mas acabou por mandar uma mensagem à mãe.
Quando chegámos, para além de lavar os dentes, estávamos demasiado cansadas para fazer o que quer que fosse, por isso deitámo-nos os dois e adormecemos.

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Capítulo 11 (Especial Natal)

As semanas continuavam a passar e cada semana apaixonava-me cada vez mais por Nath. Num dos dias em que estávamos aconchegados no sofá do quarto dele, falei-lhe do jantar que os meus pais tinham combinado.
-Nath, a tua família gosta de jantares formais?
-Não vamos a muitos, mas suponho que sim. - respondeu. - Porque perguntas?
-Bem, eu contei à minha irmã sobre nós e ela contou aos meus pais. Eles querem conhecer-te e à tua família num jantar uns dias antes do Natal.
Nath corou. Ele demonstrava um enorme respeito enorme pela minha família, não sendo necessário tal comportamento.
Quando me preparava  para voltar a casa, parei na cozinha para falar com a mãe de Nath. Ela concordou prontamente, estariam  lá no dia 20 de dezembro, vestidos a rigor.
Cada dia que passava andava mais ansiosa. Felizmente, Yumi e Missy, que também tinham sido convidadas, levaram-me às compras. Os vestidos que escolhemos eram lindos, e mal podia esperar para ver Nathaniel de fato. Parecia tudo perfeito, mas depois lembrei-me que Ambre também teria que ir, o que significava que teria que sentar Liam a seu lado, para que ele a entretivesse com o seu charme italiano-holandês.
E havia chegado o dia. Yumi, Missy e eu estávamos à espera da minha irmã Sophie, que nos ia levar ao restaurante. Quando lá chegámos, Nath e a sua família já lá estavam, e quando o vi, achei que tinha visto a perfeição. Ele ficava lindo de fato, o que despertou algumas ideias menos boas em mim, e pelos vistos também em Nathaniel, que olhava para mim fixamente.
Tive o cuidado de cumprimentar primeiro a minha família, que já não via há muito tempo, e só depois a família de Nath, tentando ser o mais simpática possível com Ambre. Com Nathaniel foi completamente diferente. Noutra ocasião, eu teria corrido para os braços de Nath e dar-lhe-ia um beijo apaixonado, mas na altura não me pareceu adequado fazê-lo, por isso apenas lhe dei um beijo na face. Ele retribuiu, dando-me um beijo suave na testa. Como era óbvio, também tinha convidado Lysandre e Castiel, com a condição de que Castiel fosse bem educado e se mantivesse afastado de Nath. Pelo menos assim, Yumi e Missy não iriam achar o jantar uma seca. Lysandre é um rapaz muito simpático, e achei que Missy ficaria agradecida se o convidasse. O outro motivo para o ter convidado foi "controlar" Castiel.
A minha mãe falava animadamente com a mãe de Nath, e o mesmo acontecia com os nossos pais. Como previsto, Liam entretinha Ambre, mas esta olhava por vezes invejosamente para Yumi e Castiel, que não eram nada bons a esconder demonstrações de afeto. Lysandre e Missy  também se juntavam a nós na conversa e andavam de um lado para o outro a falar com toda a gente. Essa característica, que eu achei extremamente agradável, pertencia aos dois, tornando-os um casal adorável.
Quando o peru chegou, toda a gente começou imediatamente a comer. Claro que demorámos o dobro do tempo a acabar de jantar, pois a conversa era inevitável. Nath e eu tínhamos as mãos dadas por baixo da mesa, mas apenas Yumi, Missy, Sophie e Emilia repararam, sorrindo.
O jantar acabou algum tempo depois, e passámos para a sala ao lado, onde conversámos durante algum tempo. A altura de nos despedirmos chegou depressa, e aí sim, tive direito a um beijo a sério.

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Capítulo 10

Passou-se mais um fim de semana, e na segunda lá estávamos as três a regressar à escola. ´À  hora de almoço, enquanto passeava no pátio com Yumi e Missy, encontrámos um caderno, provavelmente de uma rapariga, visto que era cor-de-rosa e estava repleto de autocolantes. Missy pegou no caderno curiosamente.
-De quem poderá ser? - perguntou.
-Não sei, mas é melhor abri-lo, assim podemos devolvê-lo à pessoa que o perdeu. - disse eu, sem saber o que iria encontrar.
Quando Missy abriu o caderno, vi a expressão perplexa na sua cara. Yumi espreitou e ficou com a mesma cara. Só quando vi o que era é que percebi a razão das suas caras. O caderno, cuja dona eu continuava sem saber, mostrava fotos de uma rapariga com Nath, e pareciam fotos românticas. Uma delas mostrava um beijo. Não sabia o que fazer. Limitei-me a retirar o caderno das mãos de Missy.
-Vocês conhecem-na? - disse, com uma cara de poucos amigos.
-Bem, essa é a Melody. Ela...Bem, pelo que eu ouvi ela é apanhadinha pelo Nath desde que namorou com ele.
-Está bem...- disse, meio triste, meio zangada - Eu vou devolvê-lo pessoalmente.
Corri para a escola à procura de Melody, mas não a encontrei em lado nenhum. Só me faltava ver na sala dos representantes. Quando abri a porta, deparei-me com algo de partir o coração. Melody tinha as duas mãos pousadas delicadamente nas faces rosadas de Nathaniel, enquanto o beijava profundamente. No entanto, quando me viu, Nath largou-a imediatamente. Não consegui evitar as lágrimas. Nath ainda tentou dizer alguma coisa, mas eu limitei-me a atirar-lhes o caderno e fechei a porta com um estrondo. Decidi que ia voltar para casa. De qualquer maneira não ia ter mais aulas hoje, por isso não iria faltar. Corri velozmente pelo pátio com lágrimas ardentes deslizando na minha cara. Quando me viu, Yumi agarrou-me pelo braço e fez-me parar.
-O que é que se passa, Nikki? - perguntou, assustada.
-Falem com aquele traidor... - respondi, numa voz baixa. - Eu quero ficar sozinha...
Retomei a minha corrida e fui até casa. No entanto, Yumi e Missy foram ter com Nathaniel.
-O que é que tu fizeste, seu anormal? Não tens vergonha na cara? - disse Yumi, irritada.
-Eu não tive culpa nenhuma! - respondeu Nath, com uma cara que aparentava sofrimento. - Ela é que me beijou, eu nem fiz nada! Já sabes como ela é obcecada por mim, não sabes?
-Otário! Nem uma desculpa decente consegues arranjar. - barafustou Yumi, começando a afastar-se.
Nath ainda tentou responder, mas Yumi já se tinha ido embora. Missy limitou-se a deitar-lhe um olhar de desprezo, correndo depois atrás de Yumi.
Quando ouvi a porta de entrada a bater, consegui ver que Yumi e Missy tinham vindo a correr graças às suas respirações ofegantes.
-Nikki, estás em casa? - perguntou Yumi, num tom alto.
Eu não lhe respondi. Yumi e Missy encontraram-me deitada em posição fetal no chão da sala.
-Nikki, estás bem? - perguntou Missy, preocupada.
-Não fiques assim por causa de um otário... - disse Yumi, preocupada, enquanto me tirava o cabelo da frente da cara.
-Mas como é que posso não ficar assim? Ele é tudo para mim, eu amo-o mesmo! Só não consigo acreditar que ele me possa ter feito isto... - respondi, fungando.
-Nikki...Pessoas assim não merecem a nossa tristeza e preocupação.
Missy permanecia calada. Ela não era capaz de criticar Nathaniel, quando sabia que ele não era má pessoa. Ela, tal como eu, sabia que tinha que haver uma outra explicação. Foi aí que o meu telemóvel tocou. Era Nath. Não sabia se devia atender.
-Não atendas. - aconselhou Yumi. - Ele é um parvo.
-Mas eu vou ter que enfrentá-lo, de qualquer maneira, não vou? - limpei as lágrimas do rosto e atendi.
-Nikki, ainda bem que atendeste! Escuta, apenas queria dizer-te que o que viste não teve qualquer significado para mim...Sei que não a conhecias, mas a Melody ficou assim obcecada por mim quando acabámos. Ela anda sempre a tentar namoriscar comigo, mas aquilo não significa nada. O que viste hoje foi mais um dos impulsos idiotas dela. Eu compreendo que não me queiras ver agora, mas pelo menos deixa-me dizer-te que te amo muito e que vou continuar a amar-te independentemente da escolha que fizeres. Por favor, responde-me...
-Eu preciso de tempo, e de espaço. - respondi. - Deixa-me pensar no assunto por algum tempo, ok? Adeus.
Desliguei o telemóvel. Yumi apressou-se a perguntar-me se eu acreditava nele, mas como não conhecia Melody, nem o que ela era capaz de fazer, não sabia. Missy e Yumi tentaram consolar-me durante algum tempo, mas como tinham aulas à tarde tiveram que voltar para a escola. Uma hora ou duas depois, preparava-me para ir para o quarto quando ouvi alguém bater à porta. Assim que abri, Nath começou imediatamente a falar.
-Nikki... - suspirou, com um sorriso ligeiro. - Desculpa estar a incomodar, mas não conseguia aguentar mais sem te ver e te assegurar de que te amo muito.
Ele pousou as mãos delicadamente na minha cintura e puxou-me até si. Os nossos lábios tocaram-se levemente, como se fosse a primeira vez. Quando me afastei, toda a dor, ou pelo menos parte dela, parecia ter desaparecido.
-Eu também te amo muito, mas promete-me que te vais afastar dela.
Ele prometeu. Eu dirigi-me até ao quarto e ele seguiu-me. Deitámo-nos os dois na cama e ele abraçou-me firmemente.
-Beija-me. - pedi.
Nath acedeu ao meu pedido com entusiasmo, e pousou os lábios nos meus com muita intensidade, as suas mãos procurando o meu cabelo e percorrendo a minha coluna. Quando acabou, as nossas respirações eram pesadas e longas. Não sei quanto tempo ficámos ali, mas sei que quando Missy e Yumi regressaram, eu ainda estava nos braços de Nath.

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