Com tecnologia do Blogger.
RSS

Capítulo 15 (Especial Páscoa) ALERTA LIME

As férias de Páscoa aproximavam-se e com elas, o meu aniversário, dia 26 de abril.
A minha família queria que eu fosse passar as férias com eles, em Veneza, mas eu não queria deixar Nath por tanto tempo. Esse facto escapou-me da boca enquanto falava com Sophie. Era óbvio que ela ia falar com os meus pais, e falou mesmo. Dias depois, Sophie sugeriu que Nath viesse comigo. A princípio pareceu-me uma ideia parva, mas quanto mais pensava nela, mais razoável parecia ficar, até que passou a ser uma boa ideia. Tal sugestão só indicava que os meus pais gostavam realmente de Nathaniel e tinham total confiança nele. Decidi falar com Nath, que aceitou, hesitando um pouco, pois não queria incomodar.
Quando contei a Missy e Yumi que ia ter com a minha família por uns dias, ficaram um pouco tristes por me verem ir embora, mas quando disse que Nath vinha comigo, começaram a sair perversidades da boca de Yumi. Missy apenas sorria. Passei os dias seguintes a fazer as malas e a planear minuciosamente cada dia.
Os dias passaram lentamente, mas finalmente tinha chegado o dia. Por alguma razão, o meu pai mandou o jato privado para nos vir buscar. Disse-lhe que podíamos ir num avião público como toda a gente, mas ele insistiu.
Nath e eu subimos para o jato e cumprimentámos o piloto, Harry. Ele dirigiu-se para a cabina e deixou-nos a sós. Sentámo-nos os dois e apertámos os cintos, mas depois da descolagem fomos para o sofá, onde nos deitámos os dois.
-Nath...Obrigada por teres vindo. - agradeci.
-Não tens de quê, linda. - disse ele, beijando-me na testa.
-Queria só dizer-te, antecipadamente, que pedi aos meus pais para instalarem outra cama no meu quarto, para não teres que ficar num dos quartos de hóspedes.
Nathaniel corou imenso.
-E eles deixaram? - perguntou.
-Demorou algum tempo, mas finalmente consegui. - respondi, sorrindo.
O voo demorou umas duas horas, e quando chegámos, Gianni estava à nossa espera no seu reluzente Porsche.  Ele levou-nos até à Villa DiMaggio, o nome pomposo que os meus pais deram à mansão, e depois anunciou que tinha que tratar de umas coisas no consultório e que voltaria umas horas depois.


Assim que nos viram, Emilia e Sophie correram para nos abraçar a ambos. A minha mãe, que estava na cozinha com Sandra e Caterina, as empregadas, fez o mesmo gesto calorosamente. O meu pai deu-me um abraço e um firme aperto de mão a Nath, voltando posteriormente para o escritório. Liam tinha ido acampar, por isso não estaria em casa nos próximos dias.
Guiei Nath até ao meu quarto e arrumámos as nossas coisas. Como já estávamos quase na hora de jantar, fui mostrar a casa a Nathaniel e depois fomos para a sala.

Enquanto estava ao piano, Aloysia chegou. A noiva do meu irmão Gianni era muito séria, mas conseguia ser muito simpática. É advogada, nasceu em Áustria, e estava prestes a juntar DiMaggio ao seu nome, Aloysia Weber. Ela cumprimentou-nos afavelmente e a seguir dirigiu-se para a sala de jantar. Nath e eu juntámo-nos a ela e ficámos à espera do jantar.
Quando a hora chegou, a família já estava toda reunida na sala de jantar. Os meus pais fizeram todo o tipo de perguntas a Nath, mas ele parecia não se importar, e respondia a todas com o mesmo sorriso.
Depois do jantar reunimo-nos todos na sala de jogos. Gianni e o meu pai disputavam uma concentrada partida de xadrez. A minha mãe juntou-se a Aloysia, Sophie e Emilia nos matraquilhos e eu e Nath jogámos Monopoly, que curiosamente era o jogo preferido de ambos. Toda a família ficou a jogar até que começava a ficar tarde. Cada um seguiu para o seu quarto, e eu fui com Nathaniel até ao meu quarto. Ambos vestimos o pijama, lavámos os dentes, e quando ele se preparava para se deitar na cama suplente, eu impedi-o, indicando-lhe a minha cama, cujo tamanho era verdadeiramente um exagero.
Deitámo-nos os dois e ele abraçou-me carinhosamente. Adormeci ali, e posso dizer que dormi muito bem.
Levantei-me um pouco mais cedo que Nath para ir tomar banho, mas quando voltei, embrulhada na toalha, Nath já estava acordado.
-Olá. - disse ele, corado.
-Bom dia... - disse eu, ficando da mesma cor que ele.
Ele decidiu ir tomar banho para eu poder vestir-me à vontade no quarto. Ficou combinado que ele se vestiria na casa de banho, para  evitar "complicações".
Como costume na minha família, tomávamos o pequeno almoço numa pastelaria perto de casa. Eu comi um croissant de chocolate e bebi um sumo de laranja, o meu pequeno almoço preferido. Passei a manhã inteira com Nath nos estábulos e no prado, a andar de cavalo. Já tinha muitas saudades da minha companheira de infância, a Lillith, uma égua de pelagem branca, e do meu cavalo preferido, ao qual tinha dado o nome de Spirit.
Nos dias seguintes, Nath foi sempre muito querido comigo. Passeávamos em gôndolas, à noite saímos para caminhar pela cidade...Até que chegou o dia dos meus anos.
Quando acordei, Nath tinha um tabuleiro com o pequeno almoço. Este gesto recordava-me o que eu tinha feito no aniversário dele.
-Parabéns, Nikki. - disse ele, pousando o tabuleiro e dando-me um grande beijo de parabéns.
-Obrigada. - disse eu começando a comer.
Segundo o que Nath me contou, já todos tinham acordado e estavam a preparar tudo para receber os convidados mais tarde. Eu e Nath fomos passear por Veneza de scooter e quando voltámos o almoço já estava pronto. A partir dessa altura, a minha enorme família começou a aparecer.
Já não via muitos deles há muito tempo, e foi muito agradável vê-los outra vez. Claro que a festa tinha que acabar, e depois do jantar, já todos tinham ido embora. Nath perguntou-me se não me importava de ir andando para o quarto e eu acedi, curiosa. Quando chegámos, Nath trancou a porta, o que me deixou ainda mais nervosa. Ele tirou do bolso uma caixinha e entregou-ma, corando. Eu abri-a, e peguei no lindo anel que estava lá dentro. Era simples, mas lindo. A sua cor era cinzenta e tinha três pedras preciosas na frente. Por dentro, estava gravado um N, com uma caligrafia muito bonita.
-Oh, Nath! - exclamei, abraçando-o. - Obrigada, é lindo!
-Lembras-te daquilo que temos andado a falar ultimamente? - perguntou, atingindo o mesmo estado de nervosismo.
E foi aí que eu fiquei o mais vermelha que já tinha estado na vida, já para não falar que batia o pé a um ritmo rápido, deixando transparecer o meu nervosismo. Ele parecia tão nervoso como eu.
-Bem...Há mais uma coisa que eu te queria...
Não ia deixar Nath acabar a frase, por isso levei as minhas mãos à face dele e beijei-o ardentemente. Ele retribuiu o beijo com ainda mais paixão e...Deixámo-nos cair na cama, e o que aconteceu a seguir foi...lindo, perfeito, maravilhoso...Não conseguia encontrar palavras para o descrever. Tínhamos tomado todas as "precauções" das quais Yumi não se cansava de repetir. E felizmente, tinha paredes que não deixavam ouvir o mais pequeno som, o que evitou muita coisa que poderia acontecer de manhã. Não iriam descobrir dessa maneira, mas o sorriso que não me saía da cara era bastante decifrável.
Quando acordei, Nath já estava desperto e olhava para mim, passando a mão pelos meus cabelos.
Era difícil falar com aquele sorriso orgulhoso estampado na cara, mas consegui transmitir a Nathaniel o que a noite passada tinha significado para mim. Infelizmente, teríamos que regressar a Kiss no dia seguinte.
Tinha algum receio de que Missy, e principalmente Yumi conseguisse descobrir o que se passou por apenas olhar para a minha cara, mas decidi que não me ia preocupar com isso.
No dia seguinte, despedimo-nos da minha família e voltámos para Kiss. Foi muito difícil despedir-me de Nath quando chegámos, mas sabia que o ia ver novamente em breve.
Quando entrei em casa, Missy e Yumi ficaram felizes por me verem outra vez, e tinha a sensação de que já tinham decifrado a minha expressão.

  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • RSS

Capítulo 14

Na segunda-feira, o autocarro começava a encher-se de gente que ia participar. Nath e eu sentámo-nos lá atrás ao pé de Missy, Lysandre, Yumi e Castiel. Também vi que Ambre, Violette, Capucine e Kim iam participar. Peggy também ia connosco, mas ia apenas fazer a reportagem. Quando chegámos, foi-nos entregue um mapa e separaram-se todos em pares. Peggy fez questão de tirar uma foto a todos os pares para que saíssem no jornal da escola.

Nath e eu começámos a seguir o mapa. Mas havia ali algo que não fazia sentido. O mapa dizia-nos para seguirmos um caminho que nem existia.
-Nath, não estás a achar isto muito esquisito? - perguntei.
-Sim, realmente não devia ser assim, mas vamos seguir o mapa. - assegurou ele.
E continuámos a seguir o caminho que não existia até que o sol se começava a por.
-Nath...Não achas que está a ficar tarde? - questionei, um pouco assustada.
Ele assentiu com a cabeça.
-O problema é que já não sei por onde ir...Já não se vê quase nada... - respondeu, um pouco nervoso.
Deambulámos algum tempo a tentar sair dali, mas embrenhámo-nos ainda mais na floresta. E quando anoiteceu, fiquei mesmo preocupada.
-Nath...Achas que me podes dar a mão? Tenho medo de me perder. - pedi, imensamente nervosa.
Nathaniel agarrou-me a mão e olhou-me olhos nos olhos.
-Não te assustes, Nikki. Nós vamos sair daqui.
As palavras dele acalmaram-me...por uns meros dois segundos. De repente, ouvimos um lobo a uivar. Assustei-me de tal maneira que corri para a frente e tropecei numa raiz de uma árvore. Dei uma queda bem espalhafatosa e magoei-me no tornozelo.
-Nikki! Estás bem? - perguntou, alarmado.
-Sim, mas não consigo mexer o tornozelo...
Nathaniel ajudou-me a levantar e com algum esforço consegui subir para as suas costas. Ele levou-me até uma clareira onde a relva era um pouco mais alta e praticamente nos chegava aos joelhos. Ele deitou-me suavemente e a seguir deitou-se a meu lado, olhando para mim.
-Nós vamos sair daqui...Não te preocupes. Alguém com um melhor sentido de orientação há de vir à nossa procura. - disse ele, tentando acalmar-me.
A cara dele aproximava-se lentamente e eu fechei a distância que havia entre nós num único movimento. Os nossos lábios tocaram-se como se fosse a primeira vez e ambos fechámos os olhos profundamente. Quando acabou, deixámo-nos cair novamente para o lado.
Não sei como, mas em alguns minutos, tinha adormecido, agarrada a Nathaniel.
Quando o sol começava a nascer, vi sombras à nossa frente. Levantei-me subitamente, para ver que afinal eram Missy e Lysandre, que tinham vindo à nossa procura.
-Missy? Lysandre? Que fazem aqui?
-Bem, nós vimos que se estavam a demorar e viemos verificar, mas acabámos por não vos encontrar em lado nenhum. - respondeu Missy.
-Passámos a noite inteira à vossa procura, mas adormecemos enquanto tentávamos encontrar-vos. - informou Lysandre.
-Bem, devíamos voltar. - disse Nathaniel.
Ele ajudou-me a levantar e conseguimos encontrar o caminho até ao autocarro. Claro que a diretora não gostou, mas o Sr. Faraize safou-nos de um valente raspanete.
Ambre foi a vencedora da corrida, mas como nos perdemos, acabámos por ser uma notícia maior e quase ninguém soube quem ganhou a corrida.
Peggy fez um grande sucesso com o jornal, e não se falou mais nada durante as semanas seguintes.

  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • RSS

Capítulo 13

As aulas começavam de novo no dia 10 de janeiro. As férias tinham sido espantosas, mas já sentia saudades  da escola e dos meus amigos menos próximos, que praticamente não tinha visto.

No primeiro mês, os professores marcaram logo uma data de exames, o que para mim não significava nenhum incómodo, mas alguns dos alunos pareciam ficar muito zangados com a pressão por parte dos professores.
E fevereiro chegou num instante. O que significava que tinha exatamente 16 dias para pensar em algo para oferecer a Nathaniel no seu aniversário. Sempre fui péssima a oferecer presentes. Por norma, as pessoas que recebiam os meus presentes não sabiam que cara haviam de fazer, mas por educação sorriam e agradeciam. Não ia pedir conselhos a Ambre, obviamente, por isso tentei lembrar-me de algo original. E claro, nada de doces.
No dia seguinte, na aula de francês começámos a ler uma obra de mistério e lembrei-me: romances policiais! Como me podia esquecer? De todas as vezes que fui ao quarto de Nath, as estantes estavam cheias de romances policiais. Mas havia outro problema: como é que havia de saber quais é que ele já tinha? Daria muito nas vistas se chegasse ao quarto dele com um bloco de notas e anotasse todos os seus livros. Definitivamente, tinha que pensar noutra coisa. Não queria andar aí a pedir conselhos, mas estava a ficar sem ideias. Mas depois pensei, só há uma pessoa que pode saber mais sobre o Nath do que eu, e essa pessoa é a Melody. Nunca pensei que fosse precisar da ajuda dela, mas não tinha outra escolha. Fiquei a noite toda a pensar como iria confrontar Melody.

Quando cheguei à escola no dia seguinte, dirigi-me para a sala onde Melody ia ter aula. Ela estava à entrada, encostada aos cacifos enquanto evitava o meu olhar, mexendo no telemóvel distraidamente.
Ao aproximar-me, tentei sorrir afavelmente, mas apenas consegui um leve sorriso.
-Olá. - disse, um pouco desconfortável.
Ela não me respondeu, apenas olhou para mim com uma cara comprometida.
-Ouve, eu sei que tivemos os nossos problemas, mas gostava que puséssemos essas coisas de lado. Para ser sincera, preciso da tua ajuda. Achas que me podes ajudar? - perguntei, tentando ser o máximo simpática.
-Eu...Gostava de pedir-te desculpa...Não fiz por mal, mas na altura não pensei e...
-Não precisamos de falar disso. Apenas preciso da tua ajuda.
Ela sorriu amigavelmente.
-Claro, em que posso ajudar-te?
-Bem, - comecei. - como já deves saber, o Nath faz anos daqui a uns dias e eu não sei o que lhe hei de dar como presente.
Ela apertou-me a mão.
-Conta comigo. - disse ela, sorridente. - Vem ter comigo ao centro comercial depois das aulas e eu ajudo-te.
Agradeci-lhe do fundo do coração e caminhei em direção contrária, para ir para a minha sala de aulas. Quando me aproximei da sala, Nath estava boquiaberto.
-Pensava que não gostavas da Melody. - disse, surpreendido.
-Bem, eu reconsiderei...Talvez eu e ela não sejamos tão diferentes como penso...
Nath esboçou um daqueles sorrisos que me faziam sorrir cada vez que o fazia. Adoraria ter ficado por ali, mas a campainha tocou e tivemos que ir para as aulas.
No fim do dia, avisei Missy que ia chegar um pouco mais tarde e apanhei o autocarro para o centro comercial. Quando cheguei, encontrei Melody perto de um café. Ao ver-me, levantou-se e cumprimentou-me.
-Estás pronta? - perguntei.
-Claro, e tu?
Retirei o cartão de crédito e piscando o olho, respondi-lhe sem falar. Não consegui evitar comprar algumas coisas para mim enquanto procurávamos o presente ideal, como é óbvio. Pela ajuda que Melody me estava a dar, também lhe comprei algumas coisas. Já tínhamos passado por muitas lojas, mas não tínhamos encontrado nada.
-Tens alguma ideia em mente? - perguntei, um pouco exausta de andar.
-Bem...Isto está a ser mais difícil do que esperava.
Quando olhei para o lado, vi uma livraria. Praticamente arrastei Melody lá para dentro e fomos imediatamente para os romances policiais.
-Como é que sabes se ele já não tem estes livros? - perguntou Melody.
-É impossível ele ter esta coleção que foi lançada ontem. - disse, apontando para cinco livros empilhados numa caixa criada para guardar os livros.
-Mas...Já olhaste bem para o preço? - perguntou, ligeiramente abalada.
-Ele só faz anos uma vez por ano. Acho que vale a pena exagerar. - disse, enquanto me dirigia à caixa para pagar os livros.
Enquanto estávamos a sair, passámos por uma loja que vendia animais de peluche. Sim, parece estúpido, mas quando vi um pequeno gato de pelúcia na montra, quase esborrachei a cara contra o vidro. Melody assentiu em como seria um bom presente. Ele era simples, mas a simples característica de ter sido feito à mão tornava-o adorável. Dois minutos depois já tinha comprado o peluche e estava a ir para casa, agradecendo primeiro a Melody pela ajuda e despedindo-me dela.
Quando cheguei a casa, Missy e Yumi já estavam à minha espera e jantámos as três, conversando animadamente. No fim do jantar, fui para o meu quarto e pousei o pequeno gatinho de peluche na secretária. Fiquei a olhar para ele concentradamente e uma surgiu-me uma ideia. Abri o armário e peguei nuns tecidos que tinha guardado desde as aulas de Educação Tecnológica do 9º ano. Não tive boa nota, mas consegui fazer uma delicada camisa e uma gravata azul para o pequeno gatinho. E depois de o vestir, ele fazia lembrar Nathaniel. Mal podia esperar para lhe entregar as prendas.
Passaram-se mais uns dias e finalmente era sábado, dia 16 de fevereiro. Acordei cedo e dirigi-me para a casa de Nath. A mãe dele, com a qual eu me dava muito bem, abriu-me a porta e eu entrei.
-Nikki, estás tão carregada! O que trazes nesse saco? - perguntou, enquanto pegava no saco da livraria e o pousava no chão.
-Bem, tomei a liberdade de comprar esta coleção de romances policiais, já que sei que o Nath adora esse género de livros.
A mãe dele pareceu surpresa no bom sentido por ver que eu me preocupava realmente com Nathaniel. Ela sorriu e quando se preparava para pegar num tabuleiro com o pequeno almoço, eu segurei-o.
-Não se incomode, eu faço isso. - pedi, sorrindo amavelmente.
Peguei no tabuleiro, e segurando o peluche, dirigi-me ao quarto dele. Abri a porta devagarinho e deparei-me com Nath deitado, a dormir pacificamente. Para dizer a verdade, foi uma das coisas mais fofas que já vi. Nath deitava-se sobre uma almofada, agarrando-a firmemente e tinha os olhos fechados tranquilamente.
Ele acordou lentamente, sem nunca olhar para a porta, que era o sítio onde eu estava. Quando se levantou e se virou para trás é que me viu, e na sua cara abriu-se um sorriso radiante.
-Nikki! - disse ele, correndo para mim.
Eu impedi-o de me abraçar, para não derramar nada do que estava no tabuleiro. Fiz-lhe sinal para que se deitasse novamente, e ele sentou-se, apoiando as suas costas a umas almofadas. Eu pousei o tabuleiro no seu colo e sentei-me ao lado dele. Peguei no pequeno gatinho e fiz dele uma espécie de fantoche.
-Feliz aniversário, Nathaniel! - disse eu, com uma voz fofa, tentando fazer com que parecesse que o peluche falava.
-Oh, tão giro, Nikki! - disse ele, pegando no peluche e pousando-o na mesa de cabeceira a seu lado. - Obrigado.
-Não tens que agradecer, afinal de contas é o teu aniversário.
Passámos a manhã juntos em casa dele e depois do almoço fomos dar um passeio à beira-mar.
-Vais participar na corrida de orientação? - perguntou, enquanto caminhávamos de mãos dadas.
-Não sei, se arranjar um bom par, talvez. - respondi, tentando dar uma pista.
-Já te entendi. Vens comigo, então?
-Claro. - respondi, beijando-o docemente. - É na segunda-feira, certo?
-Sim. Um autocarro vai buscar os participantes e levá-los até à floresta.
-Mal posso esperar. - respondi.
Não larguei Nath o dia inteiro e no domingo também não. E a segunda-feira tinha chegado. E tinha a sensação de que iria ser demais.

  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • RSS

Capítulo 12

Passaram alguns dias e finalmente tinha chegado o último dia do ano. Quando acordei, fiquei surpreendida ao ver Nathaniel sentado no chão, ao mesmo nível da minha cama, a olhar fixamente para mim. Para dizer a verdade, apanhei um enorme susto.
-O que raio estás a fazer aqui? - disse com uma voz sonolenta, que transparecia felicidade.
-A Missy deixou-me entrar. Hoje vou passar o dia todo a teu lado. - respondeu, com o mesmo sorriso amigável de sempre.
-Por muito tentador que isso pareça, - disse eu, começando a falar. - eu acho que podes ficar aqui enquanto tomo duche.
-Claro que posso. - disse ele, corando levemente.
Corri para a casa de banho e tomei um duche rápido. Depois corri de volta para o quarto, tendo uma toalha enrolada no corpo. Não pude evitar um sorriso quando vi a cara de Nath, que estava sentado em cima da minha cama.
-Não te babes, Nath. - disse, rindo.
-O quê? - perguntou ele, distraído, enquanto olhava para mim fixamente.
Empurrei-o de maneira a que ele ficasse deitado na cama. Eu apoiei as minhas mãos nos ombros dele, e repeti a frase, beijando-o docemente.
Depois tive mesmo que lhe pedir para sair do quarto, para que eu me pudesse vestir. Quando acabei, pedi a Nath que entrasse outra vez.
-Então, o que é que planeaste para hoje? - perguntei, curiosa.
Assim que Nath me contou os planos para o último dia do ano, sabia que ia ser um grande dia. Ia ser uma espécie de "triple date". Eu, Nath, Missy, Lysandre, Yumi e Castiel iríamos almoçar ao centro comercial. Depois, iríamos todos ver um filme de terror, e quando este acabasse, iríamos jantar no centro comercial novamente.
Entretanto, Lysandre tinha chegado e estava com Missy e Yumi na sala. Quando eu e Nath fomos ter com eles, Yumi informou-me que Castiel ia ter connosco ao centro comercial e que não passaria por lá. Como o centro comercial ainda era um pouco distante, chamámos um táxi, e a viagem foi muito divertida. Apenas Yumi olhava melancolicamente para a janela, visivelmente aborrecida por não estar com Castiel.
Quando chegámos, um sorriso apareceu na cara de Yumi. Castiel esperava-nos numa das esplanadas, sentado numa cadeira.
Yumi correu para ele e deu-lhe um abraço. Ainda não estava bem na hora de almoço, por isso passeámos um pouco pelo centro comercial e por volta das 13h fomos almoçar. Como sempre, escolhi algo tipicamente italiano, nomeadamente esparguete com almôndegas.
O filme que vimos a seguir foi mesmo aterrorizante. Nunca tinha gostado muito destes filmes, por isso confesso que na maior parte das cenas tive que esconder a cabeça por trás de Nath. No entanto, o filme, que tinha sido imensamente sangrento, não teve um final tão mau como esperava. A protagonista era apenas transformada numa vampira, e acabava aí, deixando a maior parte dos espectadores ansiosos pela segunda parte.

Depois jantámos e, como ainda era cedo, decidimos ficar por lá. No primeiro piso ocorria uma enorme festa, mas nunca fui muito boa a ficar calma no meio de muita gente, devido à minha claustrofobia. Na verdade, eu queria subir as escadas até ao piso dos restaurantes, mas Yumi arrastou-me para dentro do elevador, que nem era assim tão pequeno. Os segundos que permanecemos lá dentro foram algo assustadores para mim.
Yumi e Castiel, como almas da festa que são, desceram para a festa. Missy e Lysandre não tinham a certeza se queriam acompanhá-los, pois havia muito movimento no piso inferior. Eu e Nath fizemos-lhes companhia para bebermos alguma coisa. Castiel e Yumi regressaram algum tempo depois, aclamando que estava demasiada confusão lá em baixo, até para eles, e decidiram juntar-se a nós. O tempo passou depressa, e quando demos conta já eram 23:50. Surpreendentemente, muitas das pessoas que estavam na festa lá em baixo tinham saído, e agora apenas permaneciam no recinto umas 100, ou 150 pessoas, o que não era muito num espaço tão grande. Descemos lá para baixo e sentámo-nos nas poltronas que havia para as pessoas se sentarem. Outros casais sentavam-se em outras poltronas, e olhavam ansiosamente para o ecrã gigante. Minutos depois, já toda a gente começava a contar os segundos.
"10..."
"9..."
"8..."

"7..."
"6..."
"5..."
"4..."
"3..."
"2..."
"1...!"
"Feliz Ano Novo!"
Abracei Nath carinhosamente enquanto olhávamos para o que se passava à nossa volta. Toda a gente estava muito contente. Havia, inclusive, um jovem que pedia a sua namorada em casamento, e achei esse gesto adorável.
Já estávamos um pouco cansados, e não queria mesmo que Nathaniel se fosse embora, por isso convidei-o para passar a noite lá em casa. Ele aceitou, hesitando, mas acabou por mandar uma mensagem à mãe.
Quando chegámos, para além de lavar os dentes, estávamos demasiado cansadas para fazer o que quer que fosse, por isso deitámo-nos os dois e adormecemos.

  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • RSS

Capítulo 11 (Especial Natal)

As semanas continuavam a passar e cada semana apaixonava-me cada vez mais por Nath. Num dos dias em que estávamos aconchegados no sofá do quarto dele, falei-lhe do jantar que os meus pais tinham combinado.
-Nath, a tua família gosta de jantares formais?
-Não vamos a muitos, mas suponho que sim. - respondeu. - Porque perguntas?
-Bem, eu contei à minha irmã sobre nós e ela contou aos meus pais. Eles querem conhecer-te e à tua família num jantar uns dias antes do Natal.
Nath corou. Ele demonstrava um enorme respeito enorme pela minha família, não sendo necessário tal comportamento.
Quando me preparava  para voltar a casa, parei na cozinha para falar com a mãe de Nath. Ela concordou prontamente, estariam  lá no dia 20 de dezembro, vestidos a rigor.
Cada dia que passava andava mais ansiosa. Felizmente, Yumi e Missy, que também tinham sido convidadas, levaram-me às compras. Os vestidos que escolhemos eram lindos, e mal podia esperar para ver Nathaniel de fato. Parecia tudo perfeito, mas depois lembrei-me que Ambre também teria que ir, o que significava que teria que sentar Liam a seu lado, para que ele a entretivesse com o seu charme italiano-holandês.
E havia chegado o dia. Yumi, Missy e eu estávamos à espera da minha irmã Sophie, que nos ia levar ao restaurante. Quando lá chegámos, Nath e a sua família já lá estavam, e quando o vi, achei que tinha visto a perfeição. Ele ficava lindo de fato, o que despertou algumas ideias menos boas em mim, e pelos vistos também em Nathaniel, que olhava para mim fixamente.
Tive o cuidado de cumprimentar primeiro a minha família, que já não via há muito tempo, e só depois a família de Nath, tentando ser o mais simpática possível com Ambre. Com Nathaniel foi completamente diferente. Noutra ocasião, eu teria corrido para os braços de Nath e dar-lhe-ia um beijo apaixonado, mas na altura não me pareceu adequado fazê-lo, por isso apenas lhe dei um beijo na face. Ele retribuiu, dando-me um beijo suave na testa. Como era óbvio, também tinha convidado Lysandre e Castiel, com a condição de que Castiel fosse bem educado e se mantivesse afastado de Nath. Pelo menos assim, Yumi e Missy não iriam achar o jantar uma seca. Lysandre é um rapaz muito simpático, e achei que Missy ficaria agradecida se o convidasse. O outro motivo para o ter convidado foi "controlar" Castiel.
A minha mãe falava animadamente com a mãe de Nath, e o mesmo acontecia com os nossos pais. Como previsto, Liam entretinha Ambre, mas esta olhava por vezes invejosamente para Yumi e Castiel, que não eram nada bons a esconder demonstrações de afeto. Lysandre e Missy  também se juntavam a nós na conversa e andavam de um lado para o outro a falar com toda a gente. Essa característica, que eu achei extremamente agradável, pertencia aos dois, tornando-os um casal adorável.
Quando o peru chegou, toda a gente começou imediatamente a comer. Claro que demorámos o dobro do tempo a acabar de jantar, pois a conversa era inevitável. Nath e eu tínhamos as mãos dadas por baixo da mesa, mas apenas Yumi, Missy, Sophie e Emilia repararam, sorrindo.
O jantar acabou algum tempo depois, e passámos para a sala ao lado, onde conversámos durante algum tempo. A altura de nos despedirmos chegou depressa, e aí sim, tive direito a um beijo a sério.

  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • RSS

Capítulo 10

Passou-se mais um fim de semana, e na segunda lá estávamos as três a regressar à escola. ´À  hora de almoço, enquanto passeava no pátio com Yumi e Missy, encontrámos um caderno, provavelmente de uma rapariga, visto que era cor-de-rosa e estava repleto de autocolantes. Missy pegou no caderno curiosamente.
-De quem poderá ser? - perguntou.
-Não sei, mas é melhor abri-lo, assim podemos devolvê-lo à pessoa que o perdeu. - disse eu, sem saber o que iria encontrar.
Quando Missy abriu o caderno, vi a expressão perplexa na sua cara. Yumi espreitou e ficou com a mesma cara. Só quando vi o que era é que percebi a razão das suas caras. O caderno, cuja dona eu continuava sem saber, mostrava fotos de uma rapariga com Nath, e pareciam fotos românticas. Uma delas mostrava um beijo. Não sabia o que fazer. Limitei-me a retirar o caderno das mãos de Missy.
-Vocês conhecem-na? - disse, com uma cara de poucos amigos.
-Bem, essa é a Melody. Ela...Bem, pelo que eu ouvi ela é apanhadinha pelo Nath desde que namorou com ele.
-Está bem...- disse, meio triste, meio zangada - Eu vou devolvê-lo pessoalmente.
Corri para a escola à procura de Melody, mas não a encontrei em lado nenhum. Só me faltava ver na sala dos representantes. Quando abri a porta, deparei-me com algo de partir o coração. Melody tinha as duas mãos pousadas delicadamente nas faces rosadas de Nathaniel, enquanto o beijava profundamente. No entanto, quando me viu, Nath largou-a imediatamente. Não consegui evitar as lágrimas. Nath ainda tentou dizer alguma coisa, mas eu limitei-me a atirar-lhes o caderno e fechei a porta com um estrondo. Decidi que ia voltar para casa. De qualquer maneira não ia ter mais aulas hoje, por isso não iria faltar. Corri velozmente pelo pátio com lágrimas ardentes deslizando na minha cara. Quando me viu, Yumi agarrou-me pelo braço e fez-me parar.
-O que é que se passa, Nikki? - perguntou, assustada.
-Falem com aquele traidor... - respondi, numa voz baixa. - Eu quero ficar sozinha...
Retomei a minha corrida e fui até casa. No entanto, Yumi e Missy foram ter com Nathaniel.
-O que é que tu fizeste, seu anormal? Não tens vergonha na cara? - disse Yumi, irritada.
-Eu não tive culpa nenhuma! - respondeu Nath, com uma cara que aparentava sofrimento. - Ela é que me beijou, eu nem fiz nada! Já sabes como ela é obcecada por mim, não sabes?
-Otário! Nem uma desculpa decente consegues arranjar. - barafustou Yumi, começando a afastar-se.
Nath ainda tentou responder, mas Yumi já se tinha ido embora. Missy limitou-se a deitar-lhe um olhar de desprezo, correndo depois atrás de Yumi.
Quando ouvi a porta de entrada a bater, consegui ver que Yumi e Missy tinham vindo a correr graças às suas respirações ofegantes.
-Nikki, estás em casa? - perguntou Yumi, num tom alto.
Eu não lhe respondi. Yumi e Missy encontraram-me deitada em posição fetal no chão da sala.
-Nikki, estás bem? - perguntou Missy, preocupada.
-Não fiques assim por causa de um otário... - disse Yumi, preocupada, enquanto me tirava o cabelo da frente da cara.
-Mas como é que posso não ficar assim? Ele é tudo para mim, eu amo-o mesmo! Só não consigo acreditar que ele me possa ter feito isto... - respondi, fungando.
-Nikki...Pessoas assim não merecem a nossa tristeza e preocupação.
Missy permanecia calada. Ela não era capaz de criticar Nathaniel, quando sabia que ele não era má pessoa. Ela, tal como eu, sabia que tinha que haver uma outra explicação. Foi aí que o meu telemóvel tocou. Era Nath. Não sabia se devia atender.
-Não atendas. - aconselhou Yumi. - Ele é um parvo.
-Mas eu vou ter que enfrentá-lo, de qualquer maneira, não vou? - limpei as lágrimas do rosto e atendi.
-Nikki, ainda bem que atendeste! Escuta, apenas queria dizer-te que o que viste não teve qualquer significado para mim...Sei que não a conhecias, mas a Melody ficou assim obcecada por mim quando acabámos. Ela anda sempre a tentar namoriscar comigo, mas aquilo não significa nada. O que viste hoje foi mais um dos impulsos idiotas dela. Eu compreendo que não me queiras ver agora, mas pelo menos deixa-me dizer-te que te amo muito e que vou continuar a amar-te independentemente da escolha que fizeres. Por favor, responde-me...
-Eu preciso de tempo, e de espaço. - respondi. - Deixa-me pensar no assunto por algum tempo, ok? Adeus.
Desliguei o telemóvel. Yumi apressou-se a perguntar-me se eu acreditava nele, mas como não conhecia Melody, nem o que ela era capaz de fazer, não sabia. Missy e Yumi tentaram consolar-me durante algum tempo, mas como tinham aulas à tarde tiveram que voltar para a escola. Uma hora ou duas depois, preparava-me para ir para o quarto quando ouvi alguém bater à porta. Assim que abri, Nath começou imediatamente a falar.
-Nikki... - suspirou, com um sorriso ligeiro. - Desculpa estar a incomodar, mas não conseguia aguentar mais sem te ver e te assegurar de que te amo muito.
Ele pousou as mãos delicadamente na minha cintura e puxou-me até si. Os nossos lábios tocaram-se levemente, como se fosse a primeira vez. Quando me afastei, toda a dor, ou pelo menos parte dela, parecia ter desaparecido.
-Eu também te amo muito, mas promete-me que te vais afastar dela.
Ele prometeu. Eu dirigi-me até ao quarto e ele seguiu-me. Deitámo-nos os dois na cama e ele abraçou-me firmemente.
-Beija-me. - pedi.
Nath acedeu ao meu pedido com entusiasmo, e pousou os lábios nos meus com muita intensidade, as suas mãos procurando o meu cabelo e percorrendo a minha coluna. Quando acabou, as nossas respirações eram pesadas e longas. Não sei quanto tempo ficámos ali, mas sei que quando Missy e Yumi regressaram, eu ainda estava nos braços de Nath.

  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • RSS

Capítulo 9

No dia seguinte, para minha alegria, ia começar com uma aula de História com Yumi e Missy. O professor Faraize ia dar a aula, e como lhe tinha mostrado a escola há uns dias, achei que ele iria ser mais simpático comigo. Quando a aula já ia a meio, comecei a falar com Missy e Yumi sobre o concerto que ia haver no porão. Aparentemente, Yumi e Castiel tinham sido encarregues de tratar das caixas que ocupavam espaço.

-Yumi, então...Como foi arrumar o porão com o Castiel? - perguntei.
Era óbvio que Yumi começava a nutrir sentimentos algo intensos por Castiel, mas por alguma razão, ela decidia não revelar.
-Bem...Só...Só arrumámos as caixas... - disse ela embaraçada.
-Estás a gaguejar muito...Passou-se alguma coisa? - perguntei.
-N...Na...Não... - respondeu-me ela com um sorriso nervoso.
-Agora é a tua vez Yumi. Vá, conta-nos o que aconteceu por trás das caixas... - disse Missy, sorrindo.
-Não foi nada. - respondeu. - O Castiel só sabe brincar. - riu-se.
-Uuuuh, tens a certeza? - perguntei.
-Oh...hmmm, o Castiel começou a dizer coisas sem sentido... - riu-se embaraçada.
-Que tipo de coisas sem sentido? - questionou Missy.
-Começou a dizer que...que preferia fazer coisas mais interessantes atrás das caixas do que conti...
Quando Yumi ia acabar a frase, o professor, interrompe-a.
-Menina Chan, não gostaria de partilhar essa história com o resto dos alunos presentes na aula? - perguntou, enervado.
-Não, ehm...Estava só a pedir uns apontamentos que não tinha...apontado... - respondeu Yumi, envergonhada.
O professor continuou com a aula, mas eu queria saber como acabava a história e fiz sinal a Yumi para que continuasse a escrever o que ia dizer num papel.
"...do que continuar a arrumar o porão..." foi o que recebi. Respondi-lhe prontamente. "Uuuuh, esse Castiel tem cá umas ideias...O que é que lhe respondeste?"
Passei-lhe o bilhete e a resposta de Yumi foi "Respondi-lhe que sabia que ele estava a brincar".
Não consegui evitar um sorriso idiota de aparecer na minha cara. Sabendo que muitas raparigas de Sweet Amoris davam tudo para uma chance daquelas, respondi "Perdeste uma chance que quase todas as raparigas da escola sonham ter, sabias?"
Infelizmente Missy não estava a fazer parte da conversa, pois se eu passasse um papel para a mesa da frente, daria muito nas vistas.
Yumi respondeu alguns segundos depois. "Eu conheço o Castiel...Ele só diz idiotices..."
"Achas que ele não era capaz de fazer aquilo?" perguntei no papel.
Yumi preparava-se para escrever que não sabia, mas aquele simpático professor a quem tinha mostrado a escola há uns dias arrancou o papel das mãos de Yumi e leu-o em voz alta, atirando-o posteriormente para o lixo. Como se já não fosse bastante, expulsou-nos às duas da aula. Quando saí da sala, entrei em pânico.
-Oh meu deus, eu não acredito!!!A representante expulsa da aula! Se isto chega aos ouvidos da diretora...
Entretanto, Castiel aproximou-se, com um sorriso trocista.
-A faltar às aulas? E logo tu, a menina responsável que namora com o queridinho da diretora...Que fazem aqui?
Era óbvio que entre mim e Castiel não existia qualquer afinidade. Eu nunca fui do tipo de raparigas que se apaixonam por rapazes como Castiel...Perdi muitos amigos por causa da minha responsabilidade exagerada, mas a certa altura, deixei de me incomodar com isso. Já Yumi, era uma história completamente diferente. A atração que havia por parte dela transparecia no seu rosto, que mudava de cor ao ver Castiel.
-Oi...Oi Castiel... - respondeu Yumi, um pouco envergonhada.
-Bem, para dizer a verdade, fomos expulsas da aula por estarmos a trocar papelinhos... - disse eu, respondendo à pergunta de Castiel.
Ele limitou-se a soltar uma gargalhada.
-Espera só até a diretora te meter a vista em cima... - ele olhava em volta, incomodado. - Porque não vais ter com o teu namorado? Ele está na sala dos representantes.
Era óbvio que ele se queria ver livre de mim, por isso limitei-me a despedir-me deles e dirigi-me até à sala dos representantes. Quando Nath me viu entrar, a sua cara passou de confusão para espanto e de espanto para felicidade.
-Nikki?! Que fazes aqui?
-Bem, eu... - disse, um pouco embaraçada. - Eu fui expulsa da aula por estar a falar com a Yumi.
Nath estacou e ficou especado a olhar para mim. A sua expressão facial era indecifrável. Não conseguia entender o que se passava na cabeça dele. O silêncio invadiu a sala, por alguns minutos.
-Estás zangado comigo? - perguntei, ligeiramente assustado.
-Zangado? - respondeu Nath, sorrindo. - Claro que não. Para ser sincero, até gosto de ver essa tua faceta rebelde... - disse, mordendo o lábio de forma provocadora.
A minha confiança restaurou-se ao ouvir Nath pronunciar aquela frase e fazer aquele gesto.
-Eu posso ser muito mais rebelde... - sussurrei-lhe ao ouvido.
Numa fração de segundo, Nath empurrou-me delicadamente contra a parede e beijou-me ansiosamente. Definitivamente, não estava habituada a ver este lado selvagem de Nath, mas era certo de que estava a gostar. Mas foi precisamente na altura em que levei as minhas mãos até ao colarinho da sua camisa que Yumi e Castiel abriram a porta. Parámos imediatamente, como é óbvio, mas Yumi e Castiel pareciam estar a conter o riso.
-Hmm, Castiel, se calhar é melhor voltarmos noutra altura. - disse Yumi.
-Pois. - foi a simples resposta de Castiel.
-Esperem! - exclamei. - O que queriam de nós?
-Nada que não se possa tratar mais tarde. - respondeu Yumi, puxando Castiel dali para fora. Quando a porta se fechou, ainda não tinha conseguido controlar a minha respiração, que ainda estava ofegante por causa de há uns minutos.
-Bem, melhor para nós...Onde é que íamos? - perguntei.
Nath beijou-me novamente, desta vez ainda com mais intensidade. Não consegui evitar desabotoar alguns dos botões da camisa de Nath. Felizmente, ambos tínhamos um bom sentido de responsabilidade, e decidimos parar ali, antes que um de nós perdesse o controlo.
Como não tínhamos mais nada para fazer, fiquei a ajudar Nathaniel a preencher uns papéis e no fim do dia, voltei para casa. Muito tinha acontecido nesse dia. Castiel e Yumi tinham começado a namorar, e eu estava felicíssima por eles os dois. Mas foi aí que me lembrei que desde que aqui estava, não tinha mantido contacto com a minha família. Nunca fui muito de falar sobre mim, mas por vezes é bom recordar o passado. Nasci em Itália, mais especificamente Veneza. O meu pai, Daniel DiMaggio, é italiano e conheceu a minha mãe, Marie Zhel, numa das suas inúmeras visitas de trabalho à Holanda. Ele é um homem de negócios muito trabalhador, e sempre conseguiu dar-nos uma vida um pouco mais luxuosa do que seria de esperar. Já a minha mãe veio de uma família muito mais modesta, uma família holandesa. Acho que a minha personalidade se assemelha mais à da minha mãe que ao meu pai. Sei que a história deles os dois não começou muito bem, pois a minha família sempre foi associada à máfia italiana, mas quando os factos foram expostos, a minha mãe acreditou em como ele não estava metido em nenhum negócio obscuro e casaram-se. O primeiro filho que tiveram foi o meu irmão mais velho, Gianni. Ele sempre foi um aluno dedicado e agora que saiu da Universidade, seguiu o seu sonho e tornou-se médico. O segundo filho, Liam, é muito mais despassarado e passa a vida com os seus amigos em festas. Ele, juntamente com a minha irmã mais velha, a Sophie, estão os dois na Universidade. E de cinco filhos que tiveram, apenas uma permanece em casa. Emilia é a minha irmã mais nova, tem apenas dez anos. Felizmente reuniam-se aos fins de semana, e quando o fim de semana chegou, liguei-lhes, para saber o que havia de novo. Quem atendeu foi a minha mãe, que me fez um longo e detalhado interrogatório sobre rapazes, juntamente com o meu pai. Em seguida falei com Gianni e Liam, e depois com Emilia, mas confesso que queria mesmo falar com Sophie. Ela sempre fora a minha confidente, aquela pessoa em que sabia que podia confiar.
-Olá, Nikki. É tão bom falar contigo. Toda a gente tem saudades tuas.
-Olá, Sophie. - respondi. - Também tenho imensas saudades. Que contas?
-Ah, não há muito para dizer. A universidade requer muito estudo e não tenho tido muito tempo para socializar. Mas o secundário não requer assim tanto tempo...Vá, é a tua vez. Novidades?
-Bem...-comecei a corar ligeiramente. - Há um rapaz. O nome dele é Nathaniel. Ele é super querido e gentil. E passamos muito tempo juntos, já que somos ambos representantes da associação de estudantes.
Ouvi uma falsa tosse para disfarçar um riso.
-Que bom, maninha! Mas, uuuhmmm, tenham cuidado, sim?
Detestava mencionar o assunto "S", mas limitei-me a responder afirmativamente a Sophie. Falámos mais algum tempo e a seguir desliguei o telemóvel. Tinha saudades deles, mas sabia que me viriam visitar pelo Natal, e aí sim, teria que ouvir uma longa palestra sobre o que fazer e o que não fazer. E pior ainda, de certeza que os meus pais iriam convidar a família de Nath para um jantar em algum sítio extremamente formal. Mas até lá, podia ir preparando mentalmente Nathaniel para o que iria suceder.

Gianni, Sophie, Liam e Emilia

  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • RSS

Capítulo 8


No dia seguinte, Nathaniel informou-me que iam eleger uma representante feminina para ajudar a associação de estudantes. A princípio não dei muita importância, mas depois pensei que sempre tivera jeito para estes assuntos de administração. Afinal de contas, na minha antiga escola, tinha sido eu a eleita para representante da associação de estudantes. Assim que vi a folha de inscrição para candidatura, corri para ela e escrevi o meu nome. Podia não conseguir, mas ao menos ia tentar.
Felizmente para mim, pouca gente estava interessada no cargo, mas havia outras três raparigas que também se tinham candidatado. Fiquei surpresa quando vi que Charlote se tinha inscrito. Ela não parecia nada responsável, o que se notava bem no seu olhar impertinente e também, obviamente, nas suas influências e companhias.
Nath e eu estávamos na biblioteca, a fazer alguns cartazes de campanha. Era óbvio que Nathaniel não podia votar na pessoa que quisesse a seu lado na associação, mas já me tinha dito que preferia mil vezes que fosse eu a escolhida.
-Tenho a certeza que vais ganhar, Nikki. – disse ele, confiante.
-Não sei, Nath…A Charlote vai ter imensos votos, graças à sua popularidade. – respondi, sem tirar os olhos do enorme cartaz que dizia “Votem na Nikki.”
-Tenho a certeza que os alunos vão abrir os olhos e ver que o que conta não é a popularidade.
-Esperemos que sim. – suspirei.
As outras duas não eram uma grande ameaça, porque reparei que dois dias depois riscaram o seu nome da folha de candidaturas. Talvez tivessem decidido recuar após verem as enormes responsabilidades que tinham que cumprir. No entanto, ainda havia um debate entre mim e Charlote na semana seguinte, e o meu discurso ainda não estava muito convincente.
Quando o dia do debate chegou, estava com Nath nos bastidores do auditório da escola.
-Oh, ela vai ganhar! Estão ali todos os amigos populares dela!
-Não te preocupes. Vais arrasar! – disse Nath. – Agora vai lá, e deita-a abaixo.
E com isto, deu-me um beijo de confiança na testa e eu respirei fundo. Andei calmamente até ao sítio designado. Charlote chegou um pouco depois e pegou imediatamente no seu microfone!
-Como é que é, Sweet Amoris? – perguntou, entusiasticamente.
-Charlote! Charlote! Charlote! – o som do nome dela ecoava nas paredes.
Se eu já estava pouco confiante, ainda perdi mais a confiança.
-Se eu for eleita, vou fazer com que só haja aulas três dias por semana!
De repente ouviram-se imensos aplausos, e a equipa de futebol americano aplaudia de pé, gritando afirmativamente.
-E deixam de haver trabalhos de casa, mais tempo para nos divertirmos! – gritou.
Olhei para a esquerda, onde Nathaniel estava nos bastidores, com uma cara perplexa, nada contente mesmo.
Peguei no meu microfone e impus as minhas opiniões.
-Sim, tudo isso seria bom, mas e depois? – contestei. – Sem estudos, o que planeiam fazer durante o resto das vossas vidas?
-Festa! – gritou um dos membros da equipa de hóquei.
-Se as festas rendessem salários, talvez. Nunca pensaram em constituir família, assentar os ânimos? Se não estudarem, bem, podem dizer adeus a uma família. Vão ser excluídos da sociedade. Quem quer saber de um iletrado sem estudos? Isso mesmo, ninguém. Quando veem alguém na rua, tenho a certeza que nunca pensam nisso duas vezes. Bem, se não estudarem, vão acabar como eles, e aí, os outros jovens vão ignorar-vos. É isso que vocês querem? Acabar como alguns, que nem sequer tiveram a oportunidade de estudar! A escolha é vossa. Mas pensem no vosso futuro. No vosso e no das pessoas que vos querem.
Pousei o microfone no sítio. Charlote estava boquiaberta, e não sabia como responder. A diretora teve que intervir.
-Bem, parece-me que este debate chegou ao fim. Por favor dirijam-se às cabines de votos e votem na candidata que querem que vos represente na associação de estudantes.
No dia seguinte, já tinham contado todos os votos e iam anunciá-los pelo megafone durante uma das aulas.
Quando entrei na aula de Química, sentei-me ao lado de Nathaniel. Mais ou menos a meio da aula, ouviu-se a voz da diretora.
-Caros alunos e professores. Tenho todo o gosto em anunciar que a nova representante feminina da Associação de Estudantes é…Nicole DiMaggio, que ganhou com oitenta por cento dos votos. É favor que a aluna se dirija à sala do conselho de estudantes, acompanhada do representante masculino, Nathaniel.
Ao ouvir isto, a professora deixou-nos sair, e quando chegámos ao corredor, Nath deu-me um abraço enorme e beijou-me entusiasticamente.
-Parabéns! Estou tão contente por teres ganho! – disse.
Eu agradeci-lhe e dirigimo-nos os dois para o conselho. Lá foi-nos pedido para tirar uma foto para que esta ficasse no anuário da escola.
A foto tinha ficado linda. Estávamos os dois com o uniforme da escola, que apenas era obrigatório em ocasiões especiais como esta. Uma coisa era certa. Iria passar muito mais tempo com Nath a partir de agora.

  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • RSS

Capítulo 7


Passaram-se mais algumas semanas, e Yumi e Missy anunciaram que iriam participar num jogo de basquete numa cidade vizinha da nossa por causa do clube, e que eu ficaria sozinha por uma noite em casa. A princípio, não me parecia algo interessante, mas foi aí que percebi: sem Missy e sem Yumi principalmente, podia trazer Nath sem ser incomodada. No dia seguinte, enquanto vinha com Nathaniel para casa, lembrei-me de lhe falar na minha proposta.
-Nath, lembras-te há uns tempos, de quando falei em festas do pijama?
-Sim, porquê? – respondeu.
-Bem…A Yumi e a Missy vão estar fora por causa do clube de basquete e eu não queria ficar em casa sozinha, por isso pensei que talvez me quisesses fazer companhia…
Nath corou fortemente e virou-se repentinamente para mim.
-Nikki…Nunca pensei que me fosses fazer uma proposta dessas, mas é claro que aceito. A que horas devo aparecer?
-Por volta das sete da tarde, era simpático. – respondi.
-Lá estarei.
Para se despedir de mim, Nath não me deu um beijo tímido como era costume. Foi um que me surpreendeu, muito apaixonado e que pareceu durar muito tempo. Podia ficar ali o resto da minha vida, mas já começava a sentir os olhares postos em nós. Encostámos as nossas testas e eu olhei para ele.
-Mal posso esperar. – sussurrei.
Só faltavam três dias, mas foram os mais longos da minha vida. E quando o dia chegou, despedi-me de Yumi e Missy alegremente e fiquei à espera que Nath chegasse. Ele chegou mesmo em cima da hora marcada, e assim que ouvi a campainha, fui abrir a porta.
-Nath! – abracei-o. – Estou tão contente por teres vindo.
-Nunca perco uma oportunidade de estar contigo.
Entrámos os dois, e, como sou uma péssima cozinheira, mandámos vir comida. Ambos comemos massa à bolonhesa, e no fim do jantar sentámo-nos no sofá a ver televisão. Adorava mesmo estar aconchegada com Nathaniel. No fim, sugeri a Nath que fossemos para o quarto. Ele aceitou prontamente e dirigimo-nos para o meu quarto, que tinha mudado muito nas últimas semanas. Tinha passado muito do meu tempo a remodelar o meu quarto, e a pintá-lo de outra cor. Tenho que admitir que fiquei surpresa ao ver que Nath ia dormir em tronco nu. Sim, estava calor, mas nunca o tinha visto assim antes. Eu também tinha escolhido vestir-me simples, mas a arrasar. Quando nos deitámos, olhei para Nathaniel enquanto passava as mãos pelo peito dele.
-Nath…És tão lindo…
Ele sorriu e a seguir beijou-me profundamente. Os meus braços cruzaram-se atrás do pescoço dele. A seguir ficámos os dois abraçados por algum tempo e depois adormecemos, a olhar um para o outro.
O que aconteceu de manhã foi talvez a situação mais embaraçosa da minha vida. Não planeava que Yumi e Missy chegassem tão cedo. E quando Yumi entrou, viu algo que levaria a muitos pensamentos obscuros.
-Nikki?! – exclamou Yumi, espantada. Assim que Nath viu Yumi, tapou o seu tronco.
-Oh meu deus, Yumi! Não era suposto chegarem mais tarde?
-Mas…Nikki…O que vem a ser isto?
-Não é nada do que estás a pensar! – exclamou Nath.
-Pois é, nós podemos explicar! – apressei-me a continuar.
-Então expliquem-se e depressa, porque isto…Oh meu deus… - Yumi falava extremamente alto, mas Missy permanecia calada, de boca aberta.
-Não aconteceu nada, eu juro! – disse, um pouco corada. – Nós só dormimos juntos, mais nada!
Yumi limitou-se a ficar surpresa, e Nath parecia ter perdido a língua.
-Eu sei que não parece, mas eu e o Nath só dormimos. E por acaso, não me importava de o fazer por mais alguns minutos. Com licença.
Deitei-me de novo com a cabeça no ombro de Nath e fechei os olhos.
-Peço imensa desculpa por terem assistido a esta cena. – disse Nath, enquanto afagava delicadamente o meu cabelo.
Missy e Yumi saíram do quarto silenciosamente. Eu limitei-me a abrir novamente os olhos e a olhar para Nath.
-Sabes que, mesmo com o que aconteceu agora, esta foi a melhor noite da minha vida?
-A minha também. – disse Nath. – E espero que haja muitas mais. – sussurrou.
Ele pousou os lábios nos meus e deu-me um beijo muito apaixonado, levando as mãos até ao meu cabelo e alisando-o delicadamente. Quando o beijo acabou, deitei-me no ombro de Nath.
-Podia ficar aqui para sempre…
Foi aí que Yumi, que tinha ficado a ver tudo pela fechadura, entrou furiosamente.
-Mas que raio, Nikki! Acho que já está na altura do teu namorado ir embora!
-Ela tem razão. Eu devia ir. – afirmou Nath, levantando-se e vestindo-se.
Ele deu-me mais um beijo rápido e pegou nas suas coisas. Eu sorri tristemente, pois não queria que ele se fosse embora. Sorrindo-me uma última vez, ele saiu.
-Espero nunca mais ver estas cenas, Nikki. – disse Yumi, fechando a porta com um estrondo. Nesse preciso momento, não sabia se estava a falar com uma das minhas melhores amigas ou com a minha mãe. Deitei-me outra vez e olhei para o meu telemóvel. Tinha uma nova mensagem, de Nath. Dizia: Amo-te muito, Nikki. Ligo-te assim que puder.”
Pus os braços atrás da cabeça e fiquei a pensar em Nath, até que decidi ir arranjar-me para ir ter com as raparigas à cozinha, onde Yumi estava a preparar o pequeno-almoço. Eu cumprimentei-as, mas apenas Missy me respondeu.
-O que foi? O que é que eu fiz? – perguntei, olhando para Yumi, que estava virada de costas para mim.
-Tu sabes bem o que fizeste. – disse Yumi, mesmo sem se virar.
-Mas eu não fiz nada de errado. Ou pelo menos algo de que me possa vir a arrepender. Missy, tu acreditas que nós não fizemos nada, não acreditas?
Missy acenou que sim, que acreditava.
Yumi virou-se repentinamente.
-Tu mal o conheces e já te estás a atirar com ele para a cama? – gritou.
Missy, que comia o seu pequeno-almoço calmamente, quase cuspia o leite que tinha bebido segundos antes, por causa da escolha de palavras que Yumi usara.
-Oh, vá lá, a sério? Yumi, diz-me que não eras capaz de fazer o mesmo se o Castiel te convidasses para dormir em casa dele… - respondi, algo sarcástica.
Missy lançou-me um sorriso cúmplice e tentou conter as gargalhadas. Yumi corou e eu simplesmente lhe respondi.
-Para além disso, eu já ando com o Nath há umas semanas, Yumi. Não fizemos nada de mal.
-Tu fazes da tua vida o que quiseres, mas pelo menos usaram proteção?
Foi aí que tanto eu como Missy explodimos em gargalhadas. Levou-me algum tempo até conseguir parar de rir e responder-lhe.
-Nós não fizemos nada que precisasse de proteção. – sorri.
E assim se passou a hora de pequeno almoço. Não me saía aquele sorriso da cara.


  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • RSS

Capítulo 6


Quando voltei para cima, é claro que Yumi já tinha contado tudo a Missy, e agora queriam saber o que raio fazia Nathaniel no armário.
-Vá, conta-nos tudo! – pediu Missy.
-Isso, desembucha! – disse Yumi.
Suspirei e decidi contar-lhes a história toda. Afinal de contas, sempre eram as minhas melhores amigas.
-Bem, no último sábado passei em casa do Nath para estudarmos juntos e estávamos quase a beijar-nos quando a Ambre entrou e estragou tudo. Hoje, encontrámo-nos depois das aulas e eu trouxe-o aqui. Nós…bem, nós…ficámos ali aos beijos algum tempo até que vos ouvi a chegar e depois pedi ao Nath para se esconder. Tu abriste a porta com as mimosas na mão e, como ele é alérgico, teve um ataque de alergia.
-Oh, meu deus! Nem acredito, a nossa pequenina já namora! – disse Yumi, batendo palmas falsas.
Eu corei ao ver o orgulho que elas tinham em mim e a felicidade que elas sentiam por nós. O tema de conversa ao jantar foi mais uma vez Nathaniel e quando me deitei, mal podia esperar para que o dia seguinte começasse.
No dia seguinte, corri para Nath assim que o vi. Ele abraçou-me durante algum tempo, não sem antes verificar se Ambre estava por perto para se meter ao barulho e depois deu-me um beijo na testa.
-Já estás melhor? – perguntei.
-Sim, muito melhor. Obrigado por perguntares.
-Calculo que não queres contar a ninguém o que somos agora, certo?
-Até contava, se não tivesse a certeza de que a Ambre nunca nos deixaria em paz.
-Tens razão. Eu contei à Yumi e à Missy, mas elas obrigaram-me! – exclamei, em autodefesa.
-Não precisas de ficar assim, eu sei que a Missy e a Yumi são de confiança. – sorriu.
Passámos o máximo de tempo juntos durante o dia e custou-me muito ter que lhe dizer adeus. Nunca tinha sentido nada igual ao que sentia por Nathaniel. Ele era maravilhoso e incrivelmente querido. A nossa paixão por gatos unia-nos todas as quartas à tarde e íamos até ao canil fazer voluntariado. Trocávamos imensas mensagens no telemóvel e assim se passaram algumas semanas com Nathaniel a meu lado. Em mim começava a nascer um sentimento pouco familiar. Algo que me consumia por dentro. Por vezes não estar ao lado de Nath era um sacrifício enorme. Sei que parece algo inapropriado, mas por vezes gostava de adormecer nos seus braços e acordar neles. Este desejo era tudo menos concretizável. Não poderia simplesmente chegar ao pé dele e dizer-lhe: “Ei, Nath, quero dormir contigo.”. Não, simplesmente, não podia. Mas se as raparigas fazem festas do pijama, não vejo porque razão não se poderia realizar uma festa dessas entre um rapaz e uma rapariga.
Não sei por que o fiz, mas a verdade é que no dia seguinte o confrontei com essa mesma pergunta.
-Provavelmente os pais da anfitriã teriam medo do que poderia acontecer entre os dois quando as luzes se apagam. – respondeu, fechando o cacifo.
-Nath! – dei-lhe um encontrão com o braço. – Agora a sério, às vezes não gostavas de adormecer a olhar para alguém? – perguntei, com uma cara séria.
Ele aproximou-se de mim para afirmar que só se essa pessoa fosse eu. Eu sorri. Tinha-o confrontado com uma dúvida que havia na minha cabeça.
Não sei porquê, mas tinha a sensação de que andava a ser seguida. Quando Nath me levou a casa nesse dia, ambos sentíamos a presença de mais alguém. Quando nos despedimos com um beijo, descobrimos quem era essa presença estranha que parecia ter andado a seguir-nos o dia todo. Ambre tropeçou quando se preparava para se esconder atrás de um arbusto.
-Ambre! – exclamou Nathaniel.
-Não, se alguém tem razão para ficar surpreendida sou eu! – respondeu Ambre. – Nath, tu andas com ela?
Nath inspirou fundo e pôs um dos braços por cima do meu ombro.
-Sim, Ambre. E tu não tens nada a ver com isso.
-Ah, isso é que tenho, Nath! Sou tua irmã e proíbo-te de namorar com ela!
Nath tentou conter o riso, mas não o fez muito bem. Até a mim me estava a dar vontade de rir da atitude infantil de Ambre.
Nathaniel disse-me adeus e foi com Ambre até casa. Nath tentava falar calmamente com ela, mas Ambre parecia histérica. Quando entrei em casa, ainda conseguia ouvir a voz enfadonha de Ambre.

  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • RSS

Capítulo 5


O domingo passou de repente e quando dei por mim já era segunda-feira. Teria que enfrentar Nathaniel olhos nos olhos, assim como teria que enfrentar Ambre. Não tinha contado o que tinha acontecido nem a Yumi nem a Missy, mas não tinha a certeza se queria contar-lhes. Ia deixar que as coisas acontecessem, e depois contar-lhes-ia.
Quando cheguei passei por Ambre, que apenas soltou um risinho irritante entre o seu trio de amigas. Hoje não tinha nenhuma aula com Nath, para minha infelicidade. Mas recebi uma mensagem dele à hora de almoço e encontrámo-nos perto das árvores no pátio.
-O que é que me querias dizer? – perguntei.
-É por causa do que se passou no…sábado passado. – corou, tal como eu.
-Já te disse que não tens que pedir desculpa pela Ambre.
-Eu sei, já mo disseste centenas de vezes. Apenas sinto que… - fez uma pausa e pousou a sua mão na minha. – Às vezes tenho a sensação de que nunca podemos estar sozinhos…
-Nath… - olhei-o profundamente dos olhos. – Tens aulas à tarde?
-Não, e tu?
-Eu também não. Achas que me podes levar a casa?
-Claro que posso, que pergunta! – ele sorriu.
Fomos os dois até ao apartamento e  quando ele se preparava para ir embora, eu agarrei-o no braço.
-Onde é que pensas que vais? – sorri. – Tu vens comigo.
Ele seguiu-me até ao meu quarto e quando entrámos, agradeci a quem quer que fosse que estivesse a ouvir por poder fechar a porta.
Ele pousou a mochila ao pé da minha cómoda e eu arrumei a minha no sítio do costume.
-Vais-me dizer porque é que me trouxeste aqui? – perguntou ele, sentando-se na cama.
-Bem, - disse eu, sentando-me ao lado dele -  disseste que nunca podíamos estar sozinhos e já que a Yumi e a Missy estão fora…Achei que era uma boa oportunidade para estarmos sozinhos.
Ao terminar a frase, dei um ênfase ao estar sozinhos e lancei um olhar um pouco, digamos…atrevido a Nath. Não conhecia este lado mais provocador de mim própria, mas dava para ver que esta Nikki provocadora não irritava Nathaniel, muito pelo contrário, ele parecia corar ainda mais do que o normal. Nath parecia não saber o que fazer a seguir. Era bastante óbvio que as minhas atitudes indicavam uma só ação, mas vi que Nath temia a minha reação, pois não sabia se eu ia achar bem. Decidi tomar eu a iniciativa. Inclinei-me e pousei a minha cabeça no ombro dele. Nath passou uma das mãos pelas minhas costas e pousou-a no meu ombro. Ficámos assim algum tempo, até que mudámos de posição. Eu encostei-me à parede que estava encostada à cama e estiquei as pernas. Nath limitou-se a deitar-se com a cabeça em cima do meu colo. Ele olhava para mim atentamente e eu olhava para ele carinhosamente.
-Adoro estar assim deitado. – disse. – É muito melhor do que uma almofada.
Eu sorri ao ouvi-lo.
-Sabes Nikki, há uma coisa que eu te queria dizer. Do fundo do coração.
Ele levantou a cabeça e empurrou-me suavemente, de maneira a que eu ficasse deitada debaixo dele.
-Eu…Eu amo-te. Amo-te desde que te vi pela primeira vez há umas semanas na aula de Francês. Não conseguia aguentar mais sem te dizer isto.
Eu preparava-me para lhe falar dos meus sentimentos, mas ele pousou os seus lábios nos meus e silenciou-me com um beijo que pareceu demorar uma longa e bela eternidade. As minhas mãos voaram até ao seu cabelo louro e despenteava-o involuntariamente. Infelizmente, o beijo teve que terminar, pois ouvi a porta de entrada a bater. Pedi a Nath que se escondesse no armário, e dois segundos depois Yumi entrou no quarto, segurando uma mimosa na mão.
-Nikki, está tudo bem? Pareces assustada. – comentou.
-Oh, não é nada, a sério.
De repente, ouviu-se um espirro algo barulhento vindo do armário. Yumi virou-se de repente, suspeitando, e abriu a porta do armário, de onde saiu Nathaniel a espirrar violentamente.
-Yumi, tira essa planta daqui, o Nath é alérgico ao pólen.
-Só se depois me explicares o que raio se passou aqui. – exigiu.
-Está bem, mas leva essa coisa daqui! – respondi.
Era uma flor bonita, mas Nath simplesmente não conseguia lidar com flores que libertem pólen.
-Nikki, eu…atchim…eu adoraria ficar, mas…atchim…tenho que ir para casa tomar o medicamento para parar com isto.
-Ok, claro. Eu levo-te lá a baixo.
Descemos os dois e dei-lhe um beijo na cara.
-Até amanhã, Nath.
Ele sorriu, mas a seguir espirrou outra vez, o que me fez rir. Mal podia  esperar para o ver amanhã!

  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • RSS

Capítulo 4


As primeiras semanas passaram num instante. Mas finalmente tinha chegado mais um merecido fim de semana, onde poderia finalmente relaxar. Yumi passava muito do seu tempo a ouvir música e Missy a escrever, mas eu simplesmente ficava deitada a olhar para o teto. O meu telemóvel ficava ao meu lado. Eu continuava à espera de mensagens ou chamadas de alguém para quebrar o meu tédio, mas não parecia acontecer nada. Até que finalmente ouvi um toque familiar. O telemóvel mostrava que era Nath e atendi assim que vi que era ele.
-Olá. – disse ele.
-Olá, Nath. Tudo bem?
-Sim…Estava a pensar se não gostarias de passar por cá…
-Onde?
-Bem, temos teste de Química para a semana e pensei que talvez quisesses vir estudar comigo.
-É uma excelente ideia, Nath. – respondi. Curiosamente, estudar tornava-se muito interessante quando tinha Nath a meu lado. – A que horas?
-Que tal agora mesmo?
-Parece-me bem. – sorri.
Ele deu-me todas as instruções para encontrar a casa dele facilmente e cheguei lá alguns minutos depois. Foi a mãe dele que abriu a porta. Assim que me viu, sorriu abertamente, enquanto me cumprimentava.
-Tu deves ser a Nikki. O Nathaniel fala imenso de ti.
Atrás dela surgiu Nath, que aclarou a garganta em sinal de reprovação, corando.
-Olá, Nikki. Por favor, entra.
Nath e a sua mãe abriram caminho para eu passar. Eu entrei e ele levou-me até ao seu quarto.
Era em tons de creme e pastel, e parecia combinar lindamente com Nathaniel. A mãe dele estabeleceu a regra de que a porta do quarto não deveria estar fechada, o que nos fez corar os dois. Encostámos a porta e sentámo-nos no sofá do quarto. Ele abriu o livro.
-Então a solução deste problema consiste em descobrir qual é a quantidade de dióxido de carbono por cada 100 centímetros cúbicos de ar.
-É um problema proporcional, certo? – perguntei.
-Sim. Mas muito difícil, porque eles não nos dão todos os dados.
Ficámos ali algum tempo a tentar decifrar aquele problema, mas a certa altura Nathaniel já tinha passado a mão tantas vezes pela cabeça a tentar pensar que estava completamente despenteado.
-Olha para ti, Nath. Todo despenteado. – passei a mão pelo cabelo dele, rindo-me. – Assim está melhor.
-Pareces tão aborrecida. – reparou ele.
-Bem, a Química não é assim tão interessante e divertida.
Ele fez-me cócegas na barriga.
-E assim? Já é mais divertido? – perguntou, sorrindo.
-Nath, pára, não me consigo concentrar assim!
A certa altura, as nossas posições mudaram de sentados para deitados, e Nath ficava em cima de mim, fazendo-me cócegas sem parar. Ele parou, entretanto, mas os nossos rostos estavam tão perto um do outro que bastaria mais um avanço para o que queria ardentemente que acontecesse. Já tinha fechado os olhos e sentia a respiração de Nath cada vez mais perto. Ele passou uma das mãos para se apoiar no sofá e a outra segurava o meu pescoço carinhosamente. É agora ou nunca, pensei.
-O que pensam que estão a fazer?
Virámos repentinamente a cara, apenas para ver Ambre a olhar furiosamente. Afastámo-nos o mais depressa possível e levantámo-nos. Nathaniel ainda tentou expulsá-la do quarto, mas era impossível, por isso saímos os dois. Ele continuava a pedir desculpa continuamente, mas eu respondia-lhe sempre que a culpa não era dele, e que estava tudo bem. Fomos até ao parque, onde nos despedimos com um abraço. Eu voltei para o apartamento e ele voltou para casa. Sabia quão confrangedor iria ser segunda-feira na escola. Assim que cheguei fechei-me no quarto e fiquei sem fazer nada por mais de duas horas. 


  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • RSS

Capítulo 3


Quando cheguei às aulas no dia seguinte, dirigi-me logo à sala de Química, onde Nathaniel já estava.
-Desculpa aquilo de ontem com a minha irmã. – lamentou.
-Não faz mal, Nath. Vieste cedo para a sala, ainda não chegou ninguém.
-Gosto de vir mais cedo. – ele passou a mão pelo cabelo e corou. – Achas que te podes sentar ao pé de mim nesta aula?
-Claro que posso.
Sentámo-nos os dois e ficámos a conversar até que o resto dos alunos e a Sr.ª Dufeau entraram. Reparei que Li, uma das amigas de Ambre olhava fixamente para nós. Percebi que a única química que ela estava a detetar era entre mim e Nath, e não na Sr.ª Dufeau e os tubos de ensaio à sua frente. Certamente que Li iria contar a Ambre que eu me sentei ao lado do seu irmão.
-Tens planos para hoje à tarde?
-Não, mas não tenho aulas à tarde.
-Eu costumo ir para o campo de ténis. Gostas de jogar?
-Sim, adoro. – respondi. – Onde é que fica o campo?
-Ao lado do ginásio. O clube de basquete está lá a treinar.
-Fixe. Espero por ti onde?
-Ao pé dos cacifos do ginásio.
A manhã passou a correr, e depois de almoçar, fui para o ginásio. Quando lá cheguei, o ambiente era de cortar a respiração. Um rapaz, que presumi ser Castiel, agarrava Nath pelo colarinho da camisola e segurava-o contra um dos cacifos.

-O que é que estão a fazer? – perguntei, metendo-me entre os dois.


Os dois rapazes olharam um para o outro friamente e depois Nath pediu-me para ir com ele. Eu fui atrás dele, mas não consegui evitar olhar para trás, e para a expressão no rosto de Castiel.
-Vais explicar-me o que se passou? – perguntei.
Nunca tinha imaginado que Nathaniel conseguisse ter esta faceta de lutador.
-Eu não vou com a cara dele, é só isso. – respondeu.
-Ambos sabemos que não é isso. Não precisas de me contar, apenas não me mintas. – disse-lhe.
-Não volta a acontecer. Vamos jogar?
-Sim, claro. – respondi.
No fim do jogo estávamos ambos exaustos. Conversávamos animadamente, e qualquer pessoa que não nos conhecesse pensaria que já nos conhecíamos há imenso tempo. E era isso que eu sentia. Naquele preciso momento, pareceu-me que já conhecia Nathaniel há anos, quando na realidade só o conhecia há um par de dias.
O sol começava a pôr-se lentamente e a lua já mostrava todo o seu esplendor. Por alguma razão, começava a sentir cada vez mais afeto por Nathaniel. Só não sabia se ele sentia o mesmo. Mais uma vez ele levou-me a casa e despedimo-nos com um abraço.
Yumi, Missy e eu ficámos a ver um filme e a conversar até que eram horas de adormecer. Mais uma vez aterrei na almofada e adormeci.


  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • RSS