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Capítulo 23

As notas saíram na semana seguinte, e como já esperava, tanto eu como Nath tivemos nota máxima. No entanto, ainda não podíamos celebrar as férias, pois no último a dia a escola iria realizar um baile de fim de ano. A diretora fez claro que todos deveriam ter um par e que deviam ir vestidos a rigor. O tema deste ano era o presente no passado. Ou seja, o ambiente seria dos séculos XVI e XVII, enquanto que a música iria ser muito mais moderna. Durante o ano inteiro tínhamos observado várias pessoas a construírem um pequeno edifício, um pouco maior do que o ginásio, na parte menos frequentada da escola. Ninguém sabia o que era aquilo, nem mesmo Peggy. Mas na última semana fora-nos revelado que a cidade estava a construir um salão de baile, para que a escola, bem como o resto da cidade, pudesse utilizá-lo quando precisasse. Nenhum aluno poderia lá entrar antes da noite do baile, pois a diretora queria fazer uma grande surpresa a todos os alunos.
No entanto, a preocupação dos alunos era arranjar um par. Por todo o lado via rapazes corados a arranjarem coragem de irem convidar a rapariga dos seus sonhos, e até o contrário acontecia. Enquanto comentava isso com Nath, ele fez exatamente o mesmo que todos os outros, mas achei que não era necessário ele pôr-se de joelhos.
-Queres ir ao baile comigo? - perguntou, segurando a minha mão levemente.
Ajoelhei-me para ficar ao mesmo nível que ele e abracei-o.
-Claro que quero. - respondi, sorrindo.
Na noite seguinte, Nath veio buscar-me a casa. Pensei que íamos a pé, pois a escola não era longe. Na verdade, Nath alugara uma limusina e fez questão de me abrir a porta. Assim que entrámos, o motorista começou a dirigir-se para a escola, e eu ainda estava embasbacada com todo o esplendor.
-Estava para alugar uma carruagem, mas não consegui. - disse, sorrindo.
-Acho que estás a deixar-te levar um pouco demais pelo tema, não? - observei, esboçando um sorriso.
-Se calhar. Mas sempre ouvi dizer que as princesas viajavam de carruagem.
-Aaaw, tão querido. Já agora, essa roupa fica-te mesmo bem.
Nath estava muito longe do seu típico vestuário. Pareceu-me até que tinha tido uma ajudinha de Lysandre e Leigh, pois a semelhança era muita às roupas que usavam habitualmente.
-Achas? Obrigada. - disse ele, abraçando-me ligeiramente.
Quando chegámos, vimos muita gente a dirigir-se para o salão, por isso fomos atrás deles. Assim que entrámos, vimos a decoração maravilhosa do salão. Um grande candelabro pendia do teto, com dezenas de velas acesas, iluminando a sala. A música ainda não tinha começado, mas muita gente já petiscava e caminhava pela sala, enquanto esperavam que começasse a animação.A diretora e alguns professores sentaram-se num patamar acima do palco, num sítio onde pudessem conversar à vontade, mas também onde pudessem manter um olho sobre os alunos. Estava uma noite agradável, uma brisa quente aquecia o luar, mas cá dentro era onde se concentrava a maior parte das pessoas. No entanto, quem quisesse mais privacidade provavelmente procuraria um sítio lá fora, pois estava realmente uma noite de verão muito bonita.
A certa altura, começou a música. Iria começar com ritmos rápidos, e iria desacelerando à medida que a noite passava. Começou com o Don't You Worry Child dos Swedish House Mafia, e a seguir veio um repertório imenso de músicas, algumas mais bonitas que outras. Enquanto dançava Love You Like A Love Song com Nath, lembrei-me de Ambre. Estaria ela também presente?
-A Ambre também veio? - perguntei-lhe.
-Sim, mas não foi convidada por ninguém. Ela diz que prefere convites espontâneos em cima da hora, mas aparentemente ninguém lhe pediu nada. Está ali, com a Li, a Charlote e a Capucine.
Olhei para elas e vi-as a cochichar, como sempre. Primeiro falavam sobre os seus vestidos, e depois pareciam falar sobre os outros pares presentes no baile. A certa altura, o seu olhar fulminante passou por nós, mas eu nem me importei. Estava com Nath, e embora estivessem outras pessoas à nossa volta, eu só o conseguia ver a ele. E quando as músicas mais lentas começaram, via muitas das pessoas a dançar lentamente, abraçados. Veio I Have Nothing, e embora esta música já fosse um pouco mais antiga, era muito bonita, especialmente para uma ocasião destas. Nath abraçou-me e eu pousei a cabeça no ombro dele, enquanto rodopiávamos lentamente. Naquele momento, dizer algo não fazia sentido. De qualquer maneira, pareceu-me que mais ninguém falava, pois estavam realmente concentrados na música. Quando acabou, Nath beijou-me na testa, e eu olhei para os seus olhos dourados.
-Acho que esta foi a música final, não é? - perguntei.
-Sim, e parece-me que a diretora já está a exigir as fotos. - observou, apontando para um canto onde se encontrava a diretora e um fotógrafo.
Dirigimo-nos para lá, e primeiro tirámos uma foto juntos, seguida depois de duas fotos individuais.


Nath segurou a minha mão e saímos do recinto. Desta vez iríamos a andar para casa. No caminho, Nath seguiu por uma direção errada.
-Onde é que vamos? - questionei.
-Dar um passeio. - respondeu, sorrindo.
Seguimos por um pequeno passeio rodeado de arbustos, que dava a um pequeno parque com uma fonte no meio. Não estava lá mais ninguém, e o sítio tinha alguns candeeiros de rua a iluminar o espaço. A relva era um pouco mais alta do que o normal, mas estava bem tratada, o que indicava que era assim deixada de propósito.
Nath estendeu uma pequena manta no chão, onde nos deitámos os dois.
-Já tinhas isto planeado? - perguntei.
-Sim, mais ou menos. - disse ele, sorrindo. - Antes de sair de casa pensei que iríamos precisar de um momento mais a sós e lembrei-me deste sítio.
-É lindo... - sussurrei-lhe, ainda um pouco surpreendida pela beleza do sítio.
Ele estendeu os braços e eu abracei-o, pousando a cabeça no seu peito. Eram momentos como este, em que não haviam palavras, que eu me deixava apaixonar cada vez mais por ele. Momentos em que apenas os sons da natureza e as nossas respirações eram a nossa banda sonora. Era também nestas alturas que eu me lembrava de tudo o que tínhamos passado juntos. Interrompendo os meus pensamentos, Nath fez com que eu me deitasse em cima dele e pousou os seus lábios nos meus, carinhosamente. As suas mãos percorriam a seda na parte de trás do meu vestido, e eu segurava-me ao seu lenço no pescoço, que desta vez substituía a habitual gravata. Quando voltámos à posição inicial, ambos respirávamos inconstantemente.
-Tu sabes que eu nunca te vou deixar, certo? - interrogou, olhando-me nos olhos.
-Espero bem que não. O que seria de mim, sem ti? - suspirei.
Beijei-o mais uma vez e depois levantámo-nos. Já era tarde, por isso começámos a andar em direção a casa. Quando chegámos, fomos até ao meu quarto, e rapidamente vesti algo mais confortável. Queria muito pedir a Nath que ficasse comigo, mas não sabia como lhe pedir.
Ele deitou-me e aconchegou-me os lençóis, mas quando se preparava para ir embora, segurei-lhe a mão.
-Fica comigo. - pedi, tentando fazer uma voz fofinha.
-Estava a ver que nunca mais me pedias. - disse ele, fazendo aquele sorriso que eu adorava.
Tirou alguma da roupa que trazia e a seguir deitou-se comigo e eu abracei-o.
-Boa noite, princesa. - disse ele, beijando-me na testa.

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Capítulo 22

Quando me levantei, a primeira coisa que fiz foi tomar um duche. Assim que regressei da casa-de-banho, vi que tinha uma mensagem no telemóvel. Era de Nath. Respondi-lhe, mas acho que apenas o deixei mais ansioso.


Tomei o pequeno-almoço rapidamente, lavei os dentes e comecei a caminhar em passo acelerado até à escola. Quando cheguei, muitos dos alunos pareciam estar em pânico. Caminhavam de um lado para o outro, procurando apontamentos em falta e tentando captar o máximo de informações possível no tempo que restava. A um canto, pude ver alguns alunos a escreverem nos braços ou pernas, enquanto que outros se dedicavam a escrever em lenços de papel, para mais tarde usarem na prova. No entanto, não tinha tempo para observar a divertida azáfama que se desenvolvia à frente dos meus olhos. Estranhamente, não havia ninguém perto das salas, apenas alguns professores que pareciam tão agitados como os alunos, preparando as provas para todos os alunos e trocando impressões sobre a dificuldade das mesmas. 
Nath estava no sítio prometido, encostado à parede. Quando cheguei ao pé dele, ele deu-me um beijo de bons dias.
-E agora, já me vais contar o que se passou? - perguntou, inquieto.
-Bem, agora que penso nisso, nem sei se te quero contar... - corei.
-Oh, vá lá...Não pode ser assim tão mau...
Aproximei-me do ouvido dele e contei-lhe todo o sonho pormenorizadamente, não deixando escapar nem o mais pequeno detalhe. Quando acabei, ele tinha uma expressão indecifrável na cara, algo a que eu costumo chamar poker face. Depois colocou um ligeiro sorriso na cara. E depois tocou, e não tive tempo de dizer nada. Tinha ficado na mesma sala que Ambre, e antes do teste ela começou a ser querida comigo, sorrindo bastante e perguntando se precisava de alguma coisa. As suas intenções eram óbvias.
-Ambre, não te vou deixar copiar, por isso podes ir ser boazinha para outro lado, está bem? - disse, sem desviar o olhar do professor que explicava as regras.
Quando a prova começou, vi olhares de todo o tipo em cada aluno presente na sala. Dos vinte alunos presentes, apenas três mostravam olhares confiantes. Os outros mantinham expressões de medo ou então de "bolas, devia ter estudado mais".
Uma hora e meia depois, as provas foram recolhidas, e alguns dos alunos começaram logo a falar sobre as respostas que tinham dado, até que alguém lhes diz que erraram e começam aos berros.
Quando saí, deparei-me com Nath à entrada da sala de aula. Já não tínhamos aulas no resto do dia e estávamos livres para sair da escola. Ele pegou-me na mão e guiou-me até à entrada da escola, onde poderíamos conversar mais calmamente.
-Onde vamos? - perguntei.
-Dar um passeio. - respondeu, olhando para mim.
Não disse mais nada no resto da caminhada, até que chegámos à praia. Sim, estava um tempo de praia ótimo, mas não tinha trazido fato-de-banho, nem nada parecido.
Ele guiou-me até à beira mar e ambos tirámos os sapatos para que não se molhassem. Com a mão livre, Nath segurou a minha mão e começámos a caminhar.
-Ainda bem que me contaste o sonho. - comentou ele.
-Achas? - perguntei. - Ainda pensei que te passasses ou assim.
-Nunca faria isso. Foste sincera, é isso que importa aqui. Esse teu sonho fez-me ver as coisas por uma nova perspetiva. Sabes, eu pensava que te amava o máximo que o meu coração permitia, mas hoje vi que ainda te podia amar mais. Cada dia, com o teu sorriso e a tua personalidade, conquistas-me um pouco mais. Estar sem ti é uma espécie de sacrifício, pior ainda do que que comer doces. - sorriu.
Eu ri-me. Tudo o que ele dissera era lindo, e verdadeiro. Ao lado dele sentia-me completa, e feliz. Já tinha sido feliz sem ele, mas ele apareceu e deu uma nova cor à minha vida. E ali, ao pôr do sol, tudo se tornava ainda mais perfeito. As nossas caras aproximaram-se, e eu fechei a distância entre nós com um beijo apaixonado.
A minha vida era perfeita. Tinha amigos, um namorado ideal, tudo o que era preciso para poder acordar com um sorriso todos os dias.

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Capítulo 21

Corri violentamente para a casa de banho e fechei a porta com um estrondo atrás de mim. Depois de ter vomitado violentamente pela terceira vez numa semana, comecei a pensar no que podia estar errado comigo. E foi aí que me apercebi. Uma lágrima começou a descer a minha face e limpei-a com a mão. Não podia ser verdade. Eu tinha tomado todos os cuidados possíveis com o Nath. Claro que essas ditas "proteções" têm tendência a falhar, mas isso acontece a 1% das pessoas. E por que havia eu de ser esse 1% ? Precisava de testar a minha teoria antes de começar a odiar-me. No dia seguinte, quando fui para a escola, tentei encontrar Violette, que estava no clube de jardinagem. Ela acenou-me ligeiramente.
-Olá, Violette.
-Olá, Nikki...
-Queria pedir-te uma coisa.
-O que é? - perguntou ela, com um ligeiro sorriso nos lábios.
-Eu...Eu preciso de ter a certeza de uma coisa e eu pensei que me conseguisses arranjar um...teste de gravidez, já que a tua mãe trabalha numa farmácia...
O olhar de Violette, que estava focado no chão, passou a focar-se no meu falso sorriso nervoso. Ela estava tão assustada como eu, mas concordou em trazer-mo.
No dia seguinte ela deu-mo e assim que cheguei a casa fechei-me na casa de banho. Missy já estava em casa com Lysandre, mas menti-lhes, dizendo que ia estudar.
Fiz o teste e o resultado apareceu alguns minutos depois. Positivo. Sentei-me no chão frio de azulejos, com a cabeça sobre os joelhos, e chorei violentamente, enquanto dava murros à parede, como se ela tivesse culpa. Missy deve ter ouvido, pois apareceu na casa de banho segundos depois, com Lysandre. Ambos pareciam muito preocupados.
-Nikki, o que se passa? - perguntou Missy enquanto me abanava os ombros.
-Está tudo errado! - gritei.
-O Nath acabou contigo? - perguntou Lysandre.
-Quando ele descobrir, talvez o faça. - respondi, fungando.
-Descobrir o quê? - interrogou Missy.
-Que eu estou grávida!
Segurei o teste na mão para o provar. Um profundo silêncio percorreu o local. Tanto Missy como Lysandre estavam em estado de choque. Missy abraçou-me, obviamente preocupada com a minha situação. Lysandre ainda estava encostado à ombreira da porta, sem pronunciar uma palavra. 
Ainda não sabia como ia contar a Nath, mas tinha que lhe contar. No entanto, Ambre nunca poderia saber, senão contaria aos seus pais e algo terrível ia acontecer. Disse isso a Missy, que ligou imediatamente a Nath, pedindo-lhe que viesse urgentemente ter connosco.
Cinco minutos depois ele apareceu, muito preocupado, mesmo sem saber o que se passava. Levei-o até ao meu quarto silenciosamente e fechei a porta. Sentámo-nos os dois no meu sofá e ele olhou para mim.
-Por favor, fala comigo, esse silêncio está a matar-me! - pediu ele, ansioso.
-Não é nada bonito, Nath. Eu não quero contar-te porque vais acabar comigo.
-Tenho a certeza que podemos resolver as coisas...Por favor, conta-me o que aconteceu.
-Eu não sei quando aconteceu, mas a verdade é que aconteceu mesmo. Nath, eu..eu estou...
-Estás o quê? - perguntou nervosamente.
-Estou grávida... - respondi, numa voz fraca e assustada.
Os olhos dele arregalaram e a sua boca abriu-se lentamente. Não contive as lágrimas novamente, mas desta vez ele estava lá para me reconfortar. Ele envolveu os seus braços à minha volta e balançou-me gentilmente.
-D-d-desculpa, Nath...
-Não tens que pedir desculpa...Acho que desta vez somos ambos culpados, mas eu quero que saibas que te amo não interessa o que acontecer, e vou sempre amar.
-Eu também te amo, N-Nath... - funguei.
Ele beijou-me na testa e ficámos os dois deitados, sem dizer uma palavra.




Na escola, os rumores começaram a chegar-me aos ouvidos. Aparentemente, alguém tinha visto Violette a dar-me o teste e contou a todos os alunos. Quase toda a gente, especialmente os da equipa de futebol americano e de hóquei, insistiam em chamar-me "inchada" e "papá" a Nath. Apenas alguns alunos, tais como Melody, Violette, Kim e Rosalya me apoiavam. Ambre, tal como toda a escola, já tinha descoberto, mas todas as horas de MTV fizeram-na sentir-se preocupada por mim, e ela fez tudo para me ajudar, incluindo não contar aos seus pais.
Nath passava todo o tempo que podia comigo, mas a uma altura lembrei-me dos meus pais. Como iria contar-lhes?
Decidi ir visitá-los para lhes contar pessoalmente. Missy viria comigo, enquanto que Ambre e Nath iriam contar aos seus pais.
Quando chegámos, Missy agarrou a minha mão solidamente, para me dar coragem. Da minha família, apenas os meus pais estavam em casa. Foi Caterina que abriu a porta e nos cumprimentou. Depois guiou-nos até à sala de estar, onde a minha mãe estava a ler um livro e o meu pai um jornal. Ambos se levantaram assim que nos viram, pois não esperavam visitas.
-Tenho que vos contar uma coisa. Por favor, sentem-se.
Eles começaram a ficar preocupados, mas acederam ao meu pedido.
-Aconteceu algo inesperado. Não sei como, pois pensava estar a ser cuidadosa com o que fazia...De qualquer maneira, algo correu mal, falhou, e agora eu estou...
-Grávida... - completou a minha mãe, embasbacada. - Querida, consegue ver-se.
Olhei para a minha barriga e constatei que um pequeno alto começava a aparecer, acompanhando a minha respiração.
Se não fosse a minha mãe, o meu pai nem teria reparado. A expressão dele não mostrava qualquer fúria, mas sim carinho e afeto.
-Tenho a certeza que vai ser uma criança muito bonita, dado os pais que tem. - afirmou, sorrindo, limpando uma lágrima do olho, tentando esconder o seu verdadeiro estado de espírito.
-Papá, não chores. - disse, sentando-me ao lado dele e dando-lhe um beijo na testa. - Vai tudo correr bem.
Missy, que tinha assistido a uma cena digna de telenovela, abraçou-me.
Quando estávamos a sair, a minha mãe avisou-me de que alugariam uma casa perto da nossa umas semanas antes da altura certa, para nos ajudar.
Assim que descemos do avião, Ambre e Nathaniel já estavam à nossa espera.
-Como correu? - perguntei.
-Muito melhor do que esperávamos. - respondeu Ambre.
-O nosso pai compreendeu muito bem a situação. Ele diz que nos compreende perfeitamente, pois a nossa tia passou por algo semelhante. Diria que a nossa mãe foi a parte mais complicada. - afirmou Nath.
-Sim, tivemos que a acalmar mas quando se apercebeu da realidade, ficou com cara de avozinha. - contou Ambre.
-Como correu convosco? - questionou Nath.
-Muito bem, o meu pai até fez algumas piadas. - disse, sorrindo.
Passaram semanas, e a minha barriga aumentava demasiado rápido para o que era de esperar. Quando fui a uma consulta com Nath, descobri porquê. Não era apenas um bebé, eram dois, um rapaz e uma rapariga. Gémeos. Isso explicava muita coisa, mas também me deixava mais inquieta sobre o assunto.
Passámos semanas a tentar escolher nomes, e apareceram do nada enquanto estávamos a ver televisão: Evelyn e Cristopher. Soavam ambos muito bem, e ambos concordámos em que eram nomes muito bonitos.







********************




Acordei encharcada em suor. Como era possível ter sonhado com uma coisa destas? Estava tão assustada que não consegui dormir, mas de qualquer maneira já eram sete da manhã. Não sabia que raio de sonha era aquele, mas das duas uma: ou foi do nervosismo por causa da prova, ou do 16 & Pregnant que vi na noite passada.

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Capítulo 20

Nas últimas semanas de aulas, toda a escola era uma azáfama. Os alunos corriam de um lado para o outro, à procura de apontamentos que não tinham tirado quando tiveram oportunidade. Eu sentia-me orgulhosa por ter tido sempre os cadernos bem organizados, por isso não foi preciso correr pela escola à procura de apontamentos. No entanto, achei que umas revisões não fariam mal. No fim das aulas, iria para uma das salas de aula estudar com Nath.
Como era suposto eu concentrar-me com Nath tão perto e a falar-me tão docemente ao ouvido? A certa altura deixei completamente de ouvir o que ele dizia para poder olhar para ele e acenar, como se tivesse compreendido. Infelizmente ele apercebeu-se.
-Estás a ouvir-me, sequer?
-Não... - respondi, honestamente. - Nath, nós somos alunos de nota máxima, para além disso estudámos o ano inteiro. Achas mesmo que precisamos de fazer estas revisões?
-Nunca se sabe... - respondeu, com um sorriso trocista.
-Pronto, está bem. - rendi-me com um sorriso.
No dia seguinte não fui às aulas porque estava doente.  Pedi a Missy para dizer a Nath a razão de não ter ido, não fosse ele ficar preocupado. Andei o dia todo a circular entre a cama e o sofá, enrolada na minha mantinha. Na hora de almoço, estava a decidir o que iria comer quando alguém tocou à campainha. Fui abrir e fiquei espantada quando vi que era Nath.
-Como está a minha doentinha? - perguntou, enquanto me dava um beijo na testa afetuosamente.
-Melhor, agora que aqui estás. - respondi, abraçando-o.
Ele levantou o braço e pude ver que tinha trazido comida de algum take away. Excelente, pensei, assim não precisava de cozinhar nada.
Pousando o saco em cima da mesa, sentou-se numa cadeira a meu lado. Nath tinha trazido a minha sopa favorita para quando estou doente, canja. Enquanto comíamos, ele contou-me tudo o que se tinha passado na escola. Segundo ele, Debrah tinha aparecido na escola, o que não era bom sinal. Eu sabia muito pouco sobre Debrah, apenas sabia que ela era a razão da constante inimizade do Castiel e do Nath.
-Mas afinal o que é que ela fez? - perguntei, quando já estávamos de volta ao quarto.
-Bem, talvez eu deva contar-te a história de uma vez por todas. Bem, como sabes, a Debrah sonhava em ser famosa e tudo isso. Ela recebeu uma proposta do seu agente para um contrato, juntamente com o Castiel. Como ela queria os holofotes só para si, disse ao agente que o Castiel já não queria participar. Ela estava a mentir, obviamente. Eu ouvi a conversa dela como agente e disse-lhe que o que ela tinha feito era errado. Ela disse-me que eu não tinha nada a ver com isso e eu vim-me embora. Quando ela falou com o Castiel, mentiu-lhe, lamentando que os produtores só a queriam a ela. Ele ficou muito triste por saber que a Debrah teria que ir embora, mas ainda a amava. Nesse mesmo dia, acabou com ele. Para se assegurar de que eu não ia contar nada ao Castiel, ela seduziu-me na sala dos representantes, e o Castiel entrou na altura em que ela estava mesmo agarrada a mim. Parecia óbvio que era eu que me estava a atirar a ela, quando era precisamente o oposto. Ele ficou furioso e deu-me um murro, mas rapidamente alguém parou a luta. Desde aí que evitamos falar um com o outro, pois ele não acredita em mim.
Mantive a boca aberta com espanto durante toda a história. Talvez estivesse na altura de começar a não gostar de Debrah. Além disso, ela não era grande coisa como cantora. Tinha uma voz bonita, mas demasiado comum. Uma coisa era certa: se ela voltasse no dia seguinte, iriam haver problemas.

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Capítulo 19

Todos os anos, a escola fazia uma semana musical dedicada a uma estrela da música. Para decidir qual seria o escolhido este ano, a escola fez votações e acabámos com um resultado controverso: Britney Spears. O clube de música, no qual Íris e Alexy eram definitivamente as estrelas, decidiu que iam dar uma chance aos alunos mais novos. Iam escolher, de entre  as raparigas, qual se adequava mais ao papel, e qual delas estaria disponível para brilhar em frente de toda a escola. Iríamos ter a ajuda de alguns membros do clube de dança, que se disponibilizaram para coreografar os membros que iam apenas ser o coro.
Iríamos ter um mês para treinar e ensaiar tudo, mas antes disso era preciso escolher: quem ia merecer a oportunidade de ser adorada por imensos alunos?
No dia das audições, apareceram cinco membros do clube, incluindo eu, dispostas a darem tudo para vencer. Entre elas também estava Ambre. Quase me desmanchei a rir, quando a vi sentada no auditório à espera da sua chance. Sim, de todas as candidatas, ela era a mais fisicamente parecida, mas...Tínhamos que esperar para ver.
A primeira foi Marley, uma das raparigas do clube que tinham uma voz espantosa e apenas a usavam em apoios vocais. No entanto, a sua voz era demasiado teatral, e foi eliminada da corrida.
Imediatamente a seguir, veio Mercedes, uma rapariga de pele escura, que surpreendia todos com o seu timbre forte, e que por vezes competia com Íris para ver quem conseguia mais canções. Obviamente, ficou como finalista.
A terceira foi Ambre, que apesar de ser membro, nunca apareceu em nenhuma das aulas do clube. Não sei quem é que lhe disse que ela conseguiria deslumbrar, mas o que é certo é que foi humilhada em público, e eliminada.
A quarta rapariga chamava-se Santana, mas foi eliminada antes de ter a chance de fazer uma audição pois foi provocada por Ambre e Santana é facilmente irritável. Por um lado estava feliz, pois ela provavelmente seria a vencedora, se não tivesse começado a puxar os cabelos a Ambre.
E finalmente, havia chegado a minha vez. A regra número um é que teríamos que cantar uma música da Britney Spears na audição, e tinha sido difícil escolher. Acabei por decidir que ia cantar "Everytime", uma das minhas canções preferidas.

"Notice me
Take my hand
Why are we
Strangers when
Our love was strong
Why carry on without me



Everytime I try to fly I fall
Without my wings
I feel so small
I guess I need you baby 
And everytime I see
You in my dreams
I see your face
It's haunting me
I guess I need you baby"

Na minha opinião a audição correu bem, pois o júri tomou imensas notas e parecia indeciso. A decisão que tinham de tomar agora era difícil: seria eu, ou Mercedes. 
No dia seguinte, no clube anunciaram os resultados. Eu tinha ganho! Estava tão entusiasmada! Apertei a mão a Mercedes, em sinal de respeito, e ela deu-me os parabéns. Parecia que agora estava na hora de começar a trabalhar a sério.
Fizemos uma votação, e a música com que iríamos abrir a semana era "Gimme More", uma escolha um pouco arriscada, mas que agradava a todos nós. Até eu descobrir que roupa iríamos usar...


Achei que o fato era demasiado revelador, mas já que todo o clube ia vestido de uma maneira igualmente provocadora embora diferente, não me importei muito. Pior seria se fossem todos tapadinhos e eu aparecesse assim.
Passámos um mês inteiro a ensaiar e a coreografar tudo, para que o resultado fosse estonteante. E no dia da abertura da semana Britney Spears, o ginásio estava cheio, com imensa gente nas bancadas, entre elas Missy, Yumi, Castiel, Lysandre e Nath.
Tínhamos alterado o início da música, para que se adequasse a mim, e embora fosse inadequado, tornava a atuação mais livre.

"It's Nikki, bitch!
I see you
And I just want to dance with you

Everytime they turn the lights down
Just want to go that extra mile for you
You got my display of affectionFeels like no one else in the room but you

We can get down like there’s no one aroundWe keep on rockin’, we keep on rockin'Cameras are flashin’ while we're dirty dancin’They keep watchin’, keep watchin'Feels like the crowd is sayin’

Gimme gimme more, gimme more, gimme gimme moreGimme gimme more, gimme more, gimme gimme moreGimme gimme more, gimme more, gimme gimme moreGimme gimme more, gimme more, gimme gimme more"


A reação foi a que já esperávamos. Alguns membros do público masculino pareciam aplaudir não só a música, mas tudo o resto, com assobios a toda a hora. Não era suposto ter focado o meu olhar em ninguém do público, mas na verdade, no fim de cada verso, não conseguia evitar olhar para Nath, para ver a sua reação. Ele olhava para mim especado, tentando sorrir por cima da sua expressão boquiaberta. Esperei que toda a gente se tivesse ido embora para ir ter com Nath. Eu dei-lhe um abraço apertado.-O que achaste? - perguntei, curiosa.-Queres ouvir a opinião decente e desonesta, ou a opinião indecente e sincera?-Hum, não sei... - respondi, tentando aparentar um ar pensativo. - Acho que vou querer a opinião indecente e sincera...-Estiveste ótima, e foste tão perfeita que não sei como é que consegui ficar aqui quietinho, sem ir lá atacar-te.
*
O resto do dia passou depressa, assim como toda a semana. Para ser justo, outros membros participavam em algumas partes das músicas e achei que todas as atuações correram bem. Peggy fez da semana Britney o tema do jornal, e não se cansou de repetir que tinha sido a melhor semana musical que a escola já fizera, o que me orgulhava imenso.E só aí me apercebi...O ano escolar terminaria dentro de algumas semanas, mas ainda faltavam as provas finais...Estava na hora de começar a fazer revisões...




(Versões utilizadas)Audição: Everytime - http://www.youtube.com/watch?v=s_RqlfiNOeIDia 1: Gimme More - http://www.youtube.com/watch?v=r3KVS2jO6p0&feature=relatedDia 2: Toxic - http://www.youtube.com/watch?v=rih_HDea7RIDia 3: Oops...I did it again - http://www.youtube.com/watch?v=h5x5aVzOkSYDia 4: 3 - http://www.youtube.com/watch?v=5vcTj_29VHsDia 5: Womanizer - http://www.youtube.com/watch?v=Op2cleC0i4Q          I Wanna Go - http://www.youtube.com/watch?v=vWqkdkF0q9s









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Capítulo 18

No dia seguinte, com as faltas devidamente justificadas, voltámos à escola, mas agora toda a gente queria saber: porque razão faltariam os representantes de turma a uma aula, e mais importante, porque é que um deles tinha lágrimas nos olhos quando abandonaram a escola.
Felizmente contornámos as perguntas de todos e o fim-de-semana chegou rapidamente. Era o aniversário de  Violette, e como não queria festejá-lo sozinha, pois os pais dela estaríam fora, decidiu organizar uma pequena festa, para a qual convidou apenas Missy, Yumi e eu. Ficou decidido que iríamos passar lá a noite, e que deveríamos estar em casa dela pelas 16 horas. Mas antes disso, ainda tínhamos de comprar os presentes.
Juntamente com Missy e Yumi, fui ao centro comercial. Violette era tão calada que pouco sabíamos sobre ela. Mas sabíamos o suficiente para saber o que lhe comprar: Missy comprou-lhe um livro sobre plantas, já que Violette estava no clube de jardinagem. Yumi, que sempre fora a extravagância em pessoa na compra de presentes, comprou um enorme peluche em forma de coelhinho. E eu, que estava praticamente sem ideias, decidi presenteá-la com um  kit profissional de desenho, já que sabia que ela tinha muito jeito para o desenho.
Então, depois de almoço, dirigimo-nos para a casa de Violette um pouco mais cedo. Ela abriu-nos a porta com o mesmo sorriso tímido de sempre.
Assim que entrámos, guiou-nos a um quarto que os pais tinham construído na esperança de que Violette se tornasse uma rapariga social. Claro que Violette tinha um quarto mais pequeno, mas era notável da parte dos pais que se dessem ao trabalho de construir um quarto tão bonito.



Encostámos as nossas coisas a um canto e Violette fez-nos uma visita guiada ao resto da casa. A seguir, atribuímos a cama em que cada uma ia ficar. A superior do lado esquerdo seria de Missy, e a do lado direito de Yumi. Em baixo, eu ficaria do lado esquerdo, e Violette do lado direito.
Depois dirigimo-nos à sala, onde cantámos os parabéns a Violette. Passámos o resto da tarde na sala a petiscar a comida que se encontrava em cima da mesa, e quando chegou a hora de jantar, encomendámos comida.
Mas só depois do jantar é que a verdadeira diversão começou: depois de lavarmos os dentes e vestirmos os pijamas, sentámo-nos todas numa canto do quarto que estava cheio de almofadas fofas. Tinha chegado a hora da "fofoca". Yumi era a grande impulsionadora da conversa.
-Violette, nunca nos disseste se gostavas de alguém... - afirmou Yumi, curiosamente.
-Bem, eu... - Violette corava facilmente, mas agora parecia que ia explodir de embaraço. - Eu gostava do Alexy, mas ele é...
-Nós sabemos. - interrompi eu, tentando não trazer muito Alexy à conversa.
-E não há ninguém agora? - perguntou Missy.
-...O Jade é muito simpático... - constatou ela, envergonhada.
-Fazem um casal muito bonito! - exclamou Yumi. - Ok, mudando de assunto. É a tua vez, Nikki. Como vai o Nath? - questionou, piscando o olho.
Tentei não corar. A verdade é que não tinha contado a verdade sobre as férias da Páscoa a ninguém, apesar de já ter dado uma vaga ideia a Missy, mudando de assunto logo a seguir. Eu sabia que ela tinha captado o que se passou, mas eu tinha que contar a Yumi. Não podia continuar a esconder isto por muito mais tempo.
-Eu não fui totalmente honesta contigo sobre as férias da Páscoa, Yumi... - disse, inspirando. - A verdade é que aconteceu outra coisa no meu aniversário...
Yumi estacou a olhar para mim. Eu não sabia se ela estava zangada por não lhe ter contado mais cedo, mas a reação que teve foi a que eu já esperava.
-Eu não acredito!!! - exclamou ela, com um sorriso estampado na cara, lançando-se na minha direção para um abraço apertado.
A seguir o tema de conversa foi Lysandre, ao qual Missy teceu vários elogios, relatando o quão simpático e amoroso era.
E depois, a conversa deslizou para Yumi e Castiel, que não se conteve nos elogios a Castiel. Começava a ficar tarde e decidimos ir para a cama. Eu adormeci facilmente, pois já estava com sono.

No dia seguinte, depois do almoço, ficámos à espera dos pais de Violette para que ela não ficasse sozinha e quando eles chegaram voltámos para casa. Divertimo-nos imenso, e até Violette parecia mais animada do que o costume.

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Capítulo 17

No primeiro dia de aulas do terceiro período, todos os alunos estavam animados por reverem os seus amigos. Confesso que já tinha saudades da doçura exagerada de Violette, da dedicação de Jade, da simpatia de Íris, da extravagância de Alexy, da curiosidade de Peggy, da presunção de Bia, da rivalidade de Melody e da confiança de Kim. Até tinha saudades das parvoíces de Ambre e do seu grupo. A minha primeira aula seria de Francês, seguida de Ciências, Inglês e Educação Física. E depois iria para casa.
As primeiras três aulas passaram rápido. Quando saí da aula de Inglês, reparei que Nath se dirigia a um passo acelerado para o vestiário. Por norma, ele nunca ia tão cedo para a aula, pois ele costumava esperar por mim para irmos juntos.
Decidi segui-lo até ele entrar no vestiário. Por que razão iria ele vestir-se mais cedo que os outros? Será que havia alguma coisa que os outros não podiam ver? O meu instinto dizia-me para ir ver, mas o meu cérebro dizia-me que não deveria ir. O meu instinto foi mais forte. Segui Nath e vi-o quando se preparava para vestir a camisola.


Então era isso...Nath exibia grandes hematomas nas costas, e só pude deduzir o pior...Já o tinha visto algumas vezes em torso nu, mas nunca tinha reparado nestas marcas na pele. Não consegui conter o meu espanto e a minha respiração tornou-se inconstante e muito audível. Nathaniel virou-se, nervoso, e deparou-se com a minha figura, ainda boquiaberta.
-Nikki?
-Nath, eu lamento imenso... - tentei pedir desculpa, e forcei as palavras a saírem, pois naquele momento não sabia o que dizer.
-Não devias ter vindo aqui!. - disse ele, exaltado. 
Ele não deixava transparecer o sofrimento, mas eu via-o nos olhos dele. A sua simpatia exagerada era na sua grande parte para esconder a sua história...
-Eu... - comecei a falar, mas fui interrompida por Nath.
-Desculpa, fui muito brusco... - uma lágrima percorreu-lhe a face. - Não te devia ter tratado assim.
Eu limpei a lágrima que corria a sua cara com a mão e abracei-o ternamente. Ele não se conteve e chorou no meu ombro. A tristeza dele era contagiante, e uma lágrima desceu as minhas próprias faces enquanto tentava consolar Nath, afagando-lhe as costas com as mãos. Eu dei-lhe a camisola e ele vestiu-a em alguns segundos. Antes que alguém nos pudesse ver, saímos do ginásio e fomos diretamente para o meu apartamento. Enquanto caminhávamos, avisei Missy e Yumi por mensagem de que iria faltar à última aula e que depois lhes explicaria tudo. Assim que chegámos, deitei-me na cama e Nath ficou abraçado a mim. Era impossível para mim ver as pessoas de quem gosto a sofrer sem sofrer com elas. Não sabia bem o que fazer, mas tirei a camisola dele e pedi-lhe que se deitasse de barriga para baixo. Analisei bem as marcas, e como uma mãe beijaria o dói-dói de um filho, pousei suavemente os lábios em cada centímetro da sua dor, tentando fazer com que ela se fosse embora, mesmo que isso não acontecesse.
-Não precisas de me contar o que se passou. - disse, reconfortando-o. - Quando estiveres pronto, podes contar-me o que se passa.
Ele sentou-se à minha frente e olhou-me olhos nos olhos. 
-Eu quero contar-te. - disse ele, limpando as lágrimas. - Já foi há uns anos...Eu fui muito mau, um demónio para a Ambre e perdi a confiança dos meus pais, ou mais do meu pai especificamente. Desde que ganhei estas marcas que tento ganhar novamente a confiança dele. Eu esforço-me na escola e tento ser sempre bem educado, mas parece não resultar. Num ato de fúria, o meu pai empurrou-me pelas escadas e eu dei uma queda um pouco grave. As marcas são tudo o que restou desse acontecimento, e continuam a assombrar-me mesmo anos depois.
A história era aterrorizadora, mas ainda havia uma coisa que não compreendia.
-Como é que eu não vi as marcas antes? - perguntei.
-Por norma eu uso um produto para disfarçar, mas esqueci-me de o aplicar hoje e foi por isso que tinha pressa de me ir vestir mais cedo.
Nath, naquele momento, era para mim  um anjo. Não havia ninguém no mundo que eu queria mais naquele momento do que Nath. Cerrei os estores e tranquei a porta. Assim ninguém nos incomodaria. Voltei para a cama e, no escuro, beijei Nath numa tentativa desesperada de curar o seu sofrimento, a sua dor. Ele retribuiu o beijo e eu comecei a deitar-me sobre o ele. Não sabia que efeito o beijo estava a ter em Nathaniel, mas certamente era positivo. E ali, naquele momento onde ambos estávamos a sentir-nos tão apaixonados, aconteceu novamente. E desta vez, estávamos ainda mais intensamente apaixonados. Parecia que éramos feitos um para o outro, como peças de um puzzle. Pertencíamos juntos. Unidos. E ninguém nos poderia separar.











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