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Capítulo 9

No dia seguinte, para minha alegria, ia começar com uma aula de História com Yumi e Missy. O professor Faraize ia dar a aula, e como lhe tinha mostrado a escola há uns dias, achei que ele iria ser mais simpático comigo. Quando a aula já ia a meio, comecei a falar com Missy e Yumi sobre o concerto que ia haver no porão. Aparentemente, Yumi e Castiel tinham sido encarregues de tratar das caixas que ocupavam espaço.

-Yumi, então...Como foi arrumar o porão com o Castiel? - perguntei.
Era óbvio que Yumi começava a nutrir sentimentos algo intensos por Castiel, mas por alguma razão, ela decidia não revelar.
-Bem...Só...Só arrumámos as caixas... - disse ela embaraçada.
-Estás a gaguejar muito...Passou-se alguma coisa? - perguntei.
-N...Na...Não... - respondeu-me ela com um sorriso nervoso.
-Agora é a tua vez Yumi. Vá, conta-nos o que aconteceu por trás das caixas... - disse Missy, sorrindo.
-Não foi nada. - respondeu. - O Castiel só sabe brincar. - riu-se.
-Uuuuh, tens a certeza? - perguntei.
-Oh...hmmm, o Castiel começou a dizer coisas sem sentido... - riu-se embaraçada.
-Que tipo de coisas sem sentido? - questionou Missy.
-Começou a dizer que...que preferia fazer coisas mais interessantes atrás das caixas do que conti...
Quando Yumi ia acabar a frase, o professor, interrompe-a.
-Menina Chan, não gostaria de partilhar essa história com o resto dos alunos presentes na aula? - perguntou, enervado.
-Não, ehm...Estava só a pedir uns apontamentos que não tinha...apontado... - respondeu Yumi, envergonhada.
O professor continuou com a aula, mas eu queria saber como acabava a história e fiz sinal a Yumi para que continuasse a escrever o que ia dizer num papel.
"...do que continuar a arrumar o porão..." foi o que recebi. Respondi-lhe prontamente. "Uuuuh, esse Castiel tem cá umas ideias...O que é que lhe respondeste?"
Passei-lhe o bilhete e a resposta de Yumi foi "Respondi-lhe que sabia que ele estava a brincar".
Não consegui evitar um sorriso idiota de aparecer na minha cara. Sabendo que muitas raparigas de Sweet Amoris davam tudo para uma chance daquelas, respondi "Perdeste uma chance que quase todas as raparigas da escola sonham ter, sabias?"
Infelizmente Missy não estava a fazer parte da conversa, pois se eu passasse um papel para a mesa da frente, daria muito nas vistas.
Yumi respondeu alguns segundos depois. "Eu conheço o Castiel...Ele só diz idiotices..."
"Achas que ele não era capaz de fazer aquilo?" perguntei no papel.
Yumi preparava-se para escrever que não sabia, mas aquele simpático professor a quem tinha mostrado a escola há uns dias arrancou o papel das mãos de Yumi e leu-o em voz alta, atirando-o posteriormente para o lixo. Como se já não fosse bastante, expulsou-nos às duas da aula. Quando saí da sala, entrei em pânico.
-Oh meu deus, eu não acredito!!!A representante expulsa da aula! Se isto chega aos ouvidos da diretora...
Entretanto, Castiel aproximou-se, com um sorriso trocista.
-A faltar às aulas? E logo tu, a menina responsável que namora com o queridinho da diretora...Que fazem aqui?
Era óbvio que entre mim e Castiel não existia qualquer afinidade. Eu nunca fui do tipo de raparigas que se apaixonam por rapazes como Castiel...Perdi muitos amigos por causa da minha responsabilidade exagerada, mas a certa altura, deixei de me incomodar com isso. Já Yumi, era uma história completamente diferente. A atração que havia por parte dela transparecia no seu rosto, que mudava de cor ao ver Castiel.
-Oi...Oi Castiel... - respondeu Yumi, um pouco envergonhada.
-Bem, para dizer a verdade, fomos expulsas da aula por estarmos a trocar papelinhos... - disse eu, respondendo à pergunta de Castiel.
Ele limitou-se a soltar uma gargalhada.
-Espera só até a diretora te meter a vista em cima... - ele olhava em volta, incomodado. - Porque não vais ter com o teu namorado? Ele está na sala dos representantes.
Era óbvio que ele se queria ver livre de mim, por isso limitei-me a despedir-me deles e dirigi-me até à sala dos representantes. Quando Nath me viu entrar, a sua cara passou de confusão para espanto e de espanto para felicidade.
-Nikki?! Que fazes aqui?
-Bem, eu... - disse, um pouco embaraçada. - Eu fui expulsa da aula por estar a falar com a Yumi.
Nath estacou e ficou especado a olhar para mim. A sua expressão facial era indecifrável. Não conseguia entender o que se passava na cabeça dele. O silêncio invadiu a sala, por alguns minutos.
-Estás zangado comigo? - perguntei, ligeiramente assustado.
-Zangado? - respondeu Nath, sorrindo. - Claro que não. Para ser sincero, até gosto de ver essa tua faceta rebelde... - disse, mordendo o lábio de forma provocadora.
A minha confiança restaurou-se ao ouvir Nath pronunciar aquela frase e fazer aquele gesto.
-Eu posso ser muito mais rebelde... - sussurrei-lhe ao ouvido.
Numa fração de segundo, Nath empurrou-me delicadamente contra a parede e beijou-me ansiosamente. Definitivamente, não estava habituada a ver este lado selvagem de Nath, mas era certo de que estava a gostar. Mas foi precisamente na altura em que levei as minhas mãos até ao colarinho da sua camisa que Yumi e Castiel abriram a porta. Parámos imediatamente, como é óbvio, mas Yumi e Castiel pareciam estar a conter o riso.
-Hmm, Castiel, se calhar é melhor voltarmos noutra altura. - disse Yumi.
-Pois. - foi a simples resposta de Castiel.
-Esperem! - exclamei. - O que queriam de nós?
-Nada que não se possa tratar mais tarde. - respondeu Yumi, puxando Castiel dali para fora. Quando a porta se fechou, ainda não tinha conseguido controlar a minha respiração, que ainda estava ofegante por causa de há uns minutos.
-Bem, melhor para nós...Onde é que íamos? - perguntei.
Nath beijou-me novamente, desta vez ainda com mais intensidade. Não consegui evitar desabotoar alguns dos botões da camisa de Nath. Felizmente, ambos tínhamos um bom sentido de responsabilidade, e decidimos parar ali, antes que um de nós perdesse o controlo.
Como não tínhamos mais nada para fazer, fiquei a ajudar Nathaniel a preencher uns papéis e no fim do dia, voltei para casa. Muito tinha acontecido nesse dia. Castiel e Yumi tinham começado a namorar, e eu estava felicíssima por eles os dois. Mas foi aí que me lembrei que desde que aqui estava, não tinha mantido contacto com a minha família. Nunca fui muito de falar sobre mim, mas por vezes é bom recordar o passado. Nasci em Itália, mais especificamente Veneza. O meu pai, Daniel DiMaggio, é italiano e conheceu a minha mãe, Marie Zhel, numa das suas inúmeras visitas de trabalho à Holanda. Ele é um homem de negócios muito trabalhador, e sempre conseguiu dar-nos uma vida um pouco mais luxuosa do que seria de esperar. Já a minha mãe veio de uma família muito mais modesta, uma família holandesa. Acho que a minha personalidade se assemelha mais à da minha mãe que ao meu pai. Sei que a história deles os dois não começou muito bem, pois a minha família sempre foi associada à máfia italiana, mas quando os factos foram expostos, a minha mãe acreditou em como ele não estava metido em nenhum negócio obscuro e casaram-se. O primeiro filho que tiveram foi o meu irmão mais velho, Gianni. Ele sempre foi um aluno dedicado e agora que saiu da Universidade, seguiu o seu sonho e tornou-se médico. O segundo filho, Liam, é muito mais despassarado e passa a vida com os seus amigos em festas. Ele, juntamente com a minha irmã mais velha, a Sophie, estão os dois na Universidade. E de cinco filhos que tiveram, apenas uma permanece em casa. Emilia é a minha irmã mais nova, tem apenas dez anos. Felizmente reuniam-se aos fins de semana, e quando o fim de semana chegou, liguei-lhes, para saber o que havia de novo. Quem atendeu foi a minha mãe, que me fez um longo e detalhado interrogatório sobre rapazes, juntamente com o meu pai. Em seguida falei com Gianni e Liam, e depois com Emilia, mas confesso que queria mesmo falar com Sophie. Ela sempre fora a minha confidente, aquela pessoa em que sabia que podia confiar.
-Olá, Nikki. É tão bom falar contigo. Toda a gente tem saudades tuas.
-Olá, Sophie. - respondi. - Também tenho imensas saudades. Que contas?
-Ah, não há muito para dizer. A universidade requer muito estudo e não tenho tido muito tempo para socializar. Mas o secundário não requer assim tanto tempo...Vá, é a tua vez. Novidades?
-Bem...-comecei a corar ligeiramente. - Há um rapaz. O nome dele é Nathaniel. Ele é super querido e gentil. E passamos muito tempo juntos, já que somos ambos representantes da associação de estudantes.
Ouvi uma falsa tosse para disfarçar um riso.
-Que bom, maninha! Mas, uuuhmmm, tenham cuidado, sim?
Detestava mencionar o assunto "S", mas limitei-me a responder afirmativamente a Sophie. Falámos mais algum tempo e a seguir desliguei o telemóvel. Tinha saudades deles, mas sabia que me viriam visitar pelo Natal, e aí sim, teria que ouvir uma longa palestra sobre o que fazer e o que não fazer. E pior ainda, de certeza que os meus pais iriam convidar a família de Nath para um jantar em algum sítio extremamente formal. Mas até lá, podia ir preparando mentalmente Nathaniel para o que iria suceder.

Gianni, Sophie, Liam e Emilia

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