As
primeiras semanas passaram num instante. Mas finalmente tinha chegado mais um
merecido fim de semana, onde poderia finalmente relaxar. Yumi passava muito do
seu tempo a ouvir música e Missy a escrever, mas eu simplesmente ficava deitada
a olhar para o teto. O meu telemóvel ficava ao meu lado. Eu continuava à espera
de mensagens ou chamadas de alguém para quebrar o meu tédio, mas não parecia
acontecer nada. Até que finalmente ouvi um toque familiar. O telemóvel mostrava
que era Nath e atendi assim que vi que era ele.
-Olá.
– disse ele.
-Olá,
Nath. Tudo bem?
-Sim…Estava
a pensar se não gostarias de passar por cá…
-Onde?
-Bem,
temos teste de Química para a semana e pensei que talvez quisesses vir estudar
comigo.
-É
uma excelente ideia, Nath. – respondi. Curiosamente, estudar tornava-se muito
interessante quando tinha Nath a meu lado. – A que horas?
-Que
tal agora mesmo?
-Parece-me
bem. – sorri.
Ele
deu-me todas as instruções para encontrar a casa dele facilmente e cheguei lá
alguns minutos depois. Foi a mãe dele que abriu a porta. Assim que me viu,
sorriu abertamente, enquanto me cumprimentava.
-Tu
deves ser a Nikki. O Nathaniel fala imenso de ti.
Atrás
dela surgiu Nath, que aclarou a garganta em sinal de reprovação, corando.
-Olá,
Nikki. Por favor, entra.
Nath
e a sua mãe abriram caminho para eu passar. Eu entrei e ele levou-me até ao seu
quarto.
Era
em tons de creme e pastel, e parecia combinar lindamente com Nathaniel. A mãe
dele estabeleceu a regra de que a porta do quarto não deveria estar fechada, o
que nos fez corar os dois. Encostámos a porta e sentámo-nos no sofá do quarto.
Ele abriu o livro.
-Então
a solução deste problema consiste em descobrir qual é a quantidade de dióxido
de carbono por cada 100 centímetros cúbicos de ar.
-É
um problema proporcional, certo? – perguntei.
-Sim.
Mas muito difícil, porque eles não nos dão todos os dados.
Ficámos
ali algum tempo a tentar decifrar aquele problema, mas a certa altura Nathaniel
já tinha passado a mão tantas vezes pela cabeça a tentar pensar que estava
completamente despenteado.
-Olha
para ti, Nath. Todo despenteado. – passei a mão pelo cabelo dele, rindo-me. –
Assim está melhor.
-Pareces
tão aborrecida. – reparou ele.
-Bem,
a Química não é assim tão interessante e divertida.
Ele
fez-me cócegas na barriga.
-E
assim? Já é mais divertido? – perguntou, sorrindo.
-Nath,
pára, não me consigo concentrar assim!
A
certa altura, as nossas posições mudaram de sentados para deitados, e Nath
ficava em cima de mim, fazendo-me cócegas sem parar. Ele parou, entretanto, mas
os nossos rostos estavam tão perto um do outro que bastaria mais um avanço para
o que queria ardentemente que acontecesse. Já tinha fechado os olhos e sentia a
respiração de Nath cada vez mais perto. Ele passou uma das mãos para se apoiar
no sofá e a outra segurava o meu pescoço carinhosamente. É agora ou nunca,
pensei.
-O
que pensam que estão a fazer?
Virámos
repentinamente a cara, apenas para ver Ambre a olhar furiosamente. Afastámo-nos
o mais depressa possível e levantámo-nos. Nathaniel ainda tentou expulsá-la do
quarto, mas era impossível, por isso saímos os dois. Ele continuava a pedir
desculpa continuamente, mas eu respondia-lhe sempre que a culpa não era dele, e
que estava tudo bem. Fomos até ao parque, onde nos despedimos com um abraço. Eu
voltei para o apartamento e ele voltou para casa. Sabia quão confrangedor iria
ser segunda-feira na escola. Assim que cheguei fechei-me no quarto e fiquei sem
fazer nada por mais de duas horas.






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