O
domingo passou de repente e quando dei por mim já era segunda-feira. Teria que
enfrentar Nathaniel olhos nos olhos, assim como teria que enfrentar Ambre. Não
tinha contado o que tinha acontecido nem a Yumi nem a Missy, mas não tinha a
certeza se queria contar-lhes. Ia deixar que as coisas acontecessem, e depois
contar-lhes-ia.
Quando
cheguei passei por Ambre, que apenas soltou um risinho irritante entre o seu
trio de amigas. Hoje não tinha nenhuma aula com Nath, para minha infelicidade.
Mas recebi uma mensagem dele à hora de almoço e encontrámo-nos perto das
árvores no pátio.
-O
que é que me querias dizer? – perguntei.
-É
por causa do que se passou no…sábado passado. – corou, tal como eu.
-Já
te disse que não tens que pedir desculpa pela Ambre.
-Eu
sei, já mo disseste centenas de vezes. Apenas sinto que… - fez uma pausa e
pousou a sua mão na minha. – Às vezes tenho a sensação de que nunca podemos
estar sozinhos…
-Nath…
- olhei-o profundamente dos olhos. – Tens aulas à tarde?
-Não,
e tu?
-Eu
também não. Achas que me podes levar a casa?
-Claro
que posso, que pergunta! – ele sorriu.
Fomos
os dois até ao apartamento e quando ele
se preparava para ir embora, eu agarrei-o no braço.
-Onde
é que pensas que vais? – sorri. – Tu vens comigo.
Ele
seguiu-me até ao meu quarto e quando entrámos, agradeci a quem quer que fosse
que estivesse a ouvir por poder fechar a porta.
Ele
pousou a mochila ao pé da minha cómoda e eu arrumei a minha no sítio do
costume.
-Vais-me
dizer porque é que me trouxeste aqui? – perguntou ele, sentando-se na cama.
-Bem,
- disse eu, sentando-me ao lado dele -
disseste que nunca podíamos estar sozinhos e já que a Yumi e a Missy
estão fora…Achei que era uma boa oportunidade para estarmos sozinhos.
Ao
terminar a frase, dei um ênfase ao estar sozinhos e lancei um olhar um pouco,
digamos…atrevido a Nath. Não conhecia este lado mais provocador de mim própria,
mas dava para ver que esta Nikki provocadora não irritava Nathaniel, muito pelo
contrário, ele parecia corar ainda mais do que o normal. Nath parecia não saber
o que fazer a seguir. Era bastante óbvio que as minhas atitudes indicavam uma
só ação, mas vi que Nath temia a minha reação, pois não sabia se eu ia achar
bem. Decidi tomar eu a iniciativa. Inclinei-me e pousei a minha cabeça no ombro
dele. Nath passou uma das mãos pelas minhas costas e pousou-a no meu ombro.
Ficámos assim algum tempo, até que mudámos de posição. Eu encostei-me à parede
que estava encostada à cama e estiquei as pernas. Nath limitou-se a deitar-se
com a cabeça em cima do meu colo. Ele olhava para mim atentamente e eu olhava
para ele carinhosamente.
-Adoro
estar assim deitado. – disse. – É muito melhor do que uma almofada.
Eu
sorri ao ouvi-lo.
-Sabes
Nikki, há uma coisa que eu te queria dizer. Do fundo do coração.
Ele
levantou a cabeça e empurrou-me suavemente, de maneira a que eu ficasse deitada
debaixo dele.
-Eu…Eu
amo-te. Amo-te desde que te vi pela primeira vez há umas semanas na aula de
Francês. Não conseguia aguentar mais sem te dizer isto.
Eu
preparava-me para lhe falar dos meus sentimentos, mas ele pousou os seus lábios
nos meus e silenciou-me com um beijo que pareceu demorar uma longa e bela
eternidade. As minhas mãos voaram até ao seu cabelo louro e despenteava-o
involuntariamente. Infelizmente, o beijo teve que terminar, pois ouvi a porta
de entrada a bater. Pedi a Nath que se escondesse no armário, e dois segundos
depois Yumi entrou no quarto, segurando uma mimosa na mão.
-Nikki,
está tudo bem? Pareces assustada. – comentou.
-Oh,
não é nada, a sério.
De
repente, ouviu-se um espirro algo barulhento vindo do armário. Yumi virou-se de
repente, suspeitando, e abriu a porta do armário, de onde saiu Nathaniel a
espirrar violentamente.
-Yumi,
tira essa planta daqui, o Nath é alérgico ao pólen.
-Só
se depois me explicares o que raio se passou aqui. – exigiu.
-Está
bem, mas leva essa coisa daqui! – respondi.
Era
uma flor bonita, mas Nath simplesmente não conseguia lidar com flores que
libertem pólen.
-Nikki,
eu…atchim…eu adoraria ficar, mas…atchim…tenho que ir para casa tomar o
medicamento para parar com isto.
-Ok,
claro. Eu levo-te lá a baixo.
Descemos
os dois e dei-lhe um beijo na cara.
-Até
amanhã, Nath.
Ele
sorriu, mas a seguir espirrou outra vez, o que me fez rir. Mal podia esperar para o ver amanhã!






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