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Capítulo 5


O domingo passou de repente e quando dei por mim já era segunda-feira. Teria que enfrentar Nathaniel olhos nos olhos, assim como teria que enfrentar Ambre. Não tinha contado o que tinha acontecido nem a Yumi nem a Missy, mas não tinha a certeza se queria contar-lhes. Ia deixar que as coisas acontecessem, e depois contar-lhes-ia.
Quando cheguei passei por Ambre, que apenas soltou um risinho irritante entre o seu trio de amigas. Hoje não tinha nenhuma aula com Nath, para minha infelicidade. Mas recebi uma mensagem dele à hora de almoço e encontrámo-nos perto das árvores no pátio.
-O que é que me querias dizer? – perguntei.
-É por causa do que se passou no…sábado passado. – corou, tal como eu.
-Já te disse que não tens que pedir desculpa pela Ambre.
-Eu sei, já mo disseste centenas de vezes. Apenas sinto que… - fez uma pausa e pousou a sua mão na minha. – Às vezes tenho a sensação de que nunca podemos estar sozinhos…
-Nath… - olhei-o profundamente dos olhos. – Tens aulas à tarde?
-Não, e tu?
-Eu também não. Achas que me podes levar a casa?
-Claro que posso, que pergunta! – ele sorriu.
Fomos os dois até ao apartamento e  quando ele se preparava para ir embora, eu agarrei-o no braço.
-Onde é que pensas que vais? – sorri. – Tu vens comigo.
Ele seguiu-me até ao meu quarto e quando entrámos, agradeci a quem quer que fosse que estivesse a ouvir por poder fechar a porta.
Ele pousou a mochila ao pé da minha cómoda e eu arrumei a minha no sítio do costume.
-Vais-me dizer porque é que me trouxeste aqui? – perguntou ele, sentando-se na cama.
-Bem, - disse eu, sentando-me ao lado dele -  disseste que nunca podíamos estar sozinhos e já que a Yumi e a Missy estão fora…Achei que era uma boa oportunidade para estarmos sozinhos.
Ao terminar a frase, dei um ênfase ao estar sozinhos e lancei um olhar um pouco, digamos…atrevido a Nath. Não conhecia este lado mais provocador de mim própria, mas dava para ver que esta Nikki provocadora não irritava Nathaniel, muito pelo contrário, ele parecia corar ainda mais do que o normal. Nath parecia não saber o que fazer a seguir. Era bastante óbvio que as minhas atitudes indicavam uma só ação, mas vi que Nath temia a minha reação, pois não sabia se eu ia achar bem. Decidi tomar eu a iniciativa. Inclinei-me e pousei a minha cabeça no ombro dele. Nath passou uma das mãos pelas minhas costas e pousou-a no meu ombro. Ficámos assim algum tempo, até que mudámos de posição. Eu encostei-me à parede que estava encostada à cama e estiquei as pernas. Nath limitou-se a deitar-se com a cabeça em cima do meu colo. Ele olhava para mim atentamente e eu olhava para ele carinhosamente.
-Adoro estar assim deitado. – disse. – É muito melhor do que uma almofada.
Eu sorri ao ouvi-lo.
-Sabes Nikki, há uma coisa que eu te queria dizer. Do fundo do coração.
Ele levantou a cabeça e empurrou-me suavemente, de maneira a que eu ficasse deitada debaixo dele.
-Eu…Eu amo-te. Amo-te desde que te vi pela primeira vez há umas semanas na aula de Francês. Não conseguia aguentar mais sem te dizer isto.
Eu preparava-me para lhe falar dos meus sentimentos, mas ele pousou os seus lábios nos meus e silenciou-me com um beijo que pareceu demorar uma longa e bela eternidade. As minhas mãos voaram até ao seu cabelo louro e despenteava-o involuntariamente. Infelizmente, o beijo teve que terminar, pois ouvi a porta de entrada a bater. Pedi a Nath que se escondesse no armário, e dois segundos depois Yumi entrou no quarto, segurando uma mimosa na mão.
-Nikki, está tudo bem? Pareces assustada. – comentou.
-Oh, não é nada, a sério.
De repente, ouviu-se um espirro algo barulhento vindo do armário. Yumi virou-se de repente, suspeitando, e abriu a porta do armário, de onde saiu Nathaniel a espirrar violentamente.
-Yumi, tira essa planta daqui, o Nath é alérgico ao pólen.
-Só se depois me explicares o que raio se passou aqui. – exigiu.
-Está bem, mas leva essa coisa daqui! – respondi.
Era uma flor bonita, mas Nath simplesmente não conseguia lidar com flores que libertem pólen.
-Nikki, eu…atchim…eu adoraria ficar, mas…atchim…tenho que ir para casa tomar o medicamento para parar com isto.
-Ok, claro. Eu levo-te lá a baixo.
Descemos os dois e dei-lhe um beijo na cara.
-Até amanhã, Nath.
Ele sorriu, mas a seguir espirrou outra vez, o que me fez rir. Mal podia  esperar para o ver amanhã!

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